Chocobos em sangue!

Ainda nem estou bem sentado e já morreu um chocobo. Boa!

O Final Fantasy mais violento de sempre chegou ao resto do mundo, depois de ter sido lançado apenas para PSP no Japão. Vem todo artilhado numa versão HD para a PS4 e Xbox One, juntamente com a demo exclusiva do FFXIV. Não é por acaso que estes dois vêm acompanhados, além de servirem de promoção um do outro são dois jogos Final Fantasy da mesma mitologia (Fabula Nova Crystallis) e que quebram completamente o habitual modo de jogo. Já se viu coisas parecidas por parte da Square Enix, desde Crisis Core: FFIV, os Final Fantasy Online (XII e XIV) até mesmo aos Kingdom Hearts! Mas desta vez senti-me num clássico do FF, e não num spin-off. Mesmo que o Type-0 não faça parte da linhagem principal da saga, é sem dúvida um primo muito próximo.

Somos a Class-0, uma turma de alunos especiais numa escola/academia militar. Mas com magia. A escola pertence a um dos 4 principais estados do continente. Cada um desses estado é protegido por cristal. Tudo estava bem até que um dos estados quebra a paz e desata tudo à porrada. Faz lembrar um pouco o FFVIII, onde vemos miúdos (entre 15 e 17 anos?) a serem treinados para servir o estado em grande guerras. Mas isto parece estar ainda mais assente e destacado no Type-0. Enquanto que no FFVIII começamos com uma ou duas missões no papel de SeeD rapidamente a história desenvolve-se para longe da escola e entra nos romances e fantasias do costume. Agora temos um sistema dedicado completamente ao “Mission Day”, tudo gira à volta das missões que nos são encarregues. Até ao ponto em que no menu inicial podemos escolher as nossas missões favoritas e repeti-las. Até ao “Mission Day” é tipo recreio. Temos um relógio em contagem decrescente que vai baixando as horas que faltam de acordo com as nossas actividades. Ora então: falo com um colega na escola que me dá uma Hi-Potion, perco duas horas; vou a uma aula aprender sobre Defense Magic, perco duas horas; saio da escola e vou dar um passeio pelo World Map, perco seis horas; e por ai fora…No entanto, se passo 5 horas de tempo real a treinar na Arena não perco tempo nenhum até ao “Mission Day”. Enfim, um sistema curioso que apesar das falhas faz-me sentir numa espécie de Hogwarts com armas.

Mas é nas armas que o jogo agarra. Controlamos 14 alunos da Class-0, cada um tem um tipo de arma diferente, magia diferente e estilo de combate diferente. Para mim, que estou habituado a lidar com apenas uma mão cheia de personagens nos FF é um bocado de mais. Mas se olharmos para isto como uma turma inteira unida e não apenas 14 personagens distintas é mais fácil. Em Type-0 podemos mudar de personagem a qualquer altura. Temos sempre 3 em campo de batalha e controlamos apenas uma, mas basta ir às reservas e mudar para outra qualquer. Visto que são todas tão distintas é obrigatório fazer rotação nas missões.

Os combates deixaram de ser por turnos e os inimigos aparecem de todos os lados a qualquer altura. Se por acaso aparece um soldado no topo de um edifício onde eu não consigo chegar convém que eu não esteja a usar o Jack, que só sabe usar uma katana. É por causa desta tri-dimensionalidade que somos obrigados a mudar tantas vezes de personagem e estilo de combate.

Para além disso torna tudo muito mais épico. Continuo a gostar muito da estratégia e tensão das batalhas por turnos, mas também sabe bem sentir-me capaz de esquivar a qualquer ataque, e não deixar isso para percentagens e acaso. As lutas não são fáceis e temos de estar sempre atentos a todos os cantos do ecrã. Enquanto controlamos uma das personagens as outras duas ficam à mão da AI do jogo, mas sabem tratar delas próprias. Basicamente está tudo à porrada, não temos descanso e nunca atacamos apenas um inimigo ao mesmo tempo, são logo dez. Óptimo, que venham eles. Ah, e para além destas batalhas rápidas e sangrentas temos ainda um dos maiores mimos do FF de sempre: controlar a 100% um Eidolon. Ifrit, Shiva, Odin, Bahamut, e os outros todos são agora personagens como a nossa turma. Ao fazermos summon sacrificamos um dos nossos alunos (preço justo) para controlar um Eidolon no meio da batalha e destruir tudo. É épico e devia haver um FF só com Eidolons.

É um FF claramente direccionado mais para a guerra e batalha, enquanto nos títulos principais da saga a narrativa é toda centrada num pequeno núcleo de personagens e na sua aventura, do ponto A a B. Em Type-0 a história é mais um drama politico do que as habituais fantasias e romances pessoais. Não deixa de ser muito bem escrita e consegue agarrar. É fácil sentir que este é de facto um jogo fora da linhagem principal. Embora a acção seja forte, a estratégia militar deixa muito a desejar. Algumas das missões têm secções em que entramos no clássico World Map, onde as proporções são todas distorcidas, e o combate transforma-se numa espécie de Dynasty Warriors. Quebra muito o flow rápido do jogo, e as batalhas não requerem assim tanta estratégia e planeamento para ser desafiante.

No meio destes conflitos políticos e sangue derramado por adolescente há sempre pequenas coisas que me deixam com um sorriso na cara. Moogles a darem aulas, criar chocobos, andar de airship, sentir realmente diferença quando um personagem evolui de nível, e outras nostalgias de RPG que estranhamente encaixam bem num jogo de acção.

Tive que me manter presente na minha cabeça que este jogo é um remake HD de um original para uma consola portátil. Há muitas limitações inerentes a um jogo para a PSP, desde os mapas simples até à pouca diversidade de inimigos. No entanto foi difícil, muitas vezes esqueci-me e estava só a curtir. Isso quer dizer coisas boas.

Recomenda-final-fantasy

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