Depois de terem conseguido fazer um dos jogos mais originais e talvez importantes da PSVita, chegou a altura de Gravity Rush dar o salto para a nova geração. O jogo original foi remasterizado à relativamente pouco tempo, conseguindo transpor todo o universo para o grande ecrã, mas pecando na jogabilidade que era precursora na portátil da Sony. Será que com a sequela, essa mazela sarou?

Em Gravity Rush 2 continuamos a acompanhar a história de Kat e o seu gato Dusty, sendo que a principal habilidade desta rapariga é manipular a gravidade à sua volta, desafiando qualquer lei da física e ao mesmo tempo lutando contra as criaturas que assolam toda a metrópole e ainda tentar perceber o porquê de ter tais poderes.

O universo onde Kat se move é todo ele peculiar, andamos por vilas flutuantes no céu, estratificadas pela sua influência ou poder, com os “líderes” no topo, os mercados e a classe industrial abaixo das nuvens e por debaixo de um estranho nevoeiro, os tais seres alienígenas apelidados de Nevi, os tais que teremos que derrotar.

A história é bastante simples, no entanto os seus contornos são bastante mais interessantes se seguirmos o anime que na verdade nos enquadra em todo o jogo e até mesmo a série.

Sendo assim tão simples a história, também as mecânicas voltam a ser simples, controlamos os movimentos de Kat desafiando a gravidade, tentando da melhor forma lançar os nossos ataques às tais criaturas apelidadas de Nevi. Seja no ar ou no chão conseguimos pontapear, lançar detritos ou usar o nosso ataque especial. Ao início parece mais fácil do que é, mas a verdade é que é necessário encontrar o vosso próprio ritmo e compreender como utilizar a lei da gravidade a vosso favor.

Com o desenrolar do jogo, vão percebendo que vão poder apanhar uma espécie de gemas que podem utilizar para desbloquear as habilidades de Kat, e a partir daí o jogo ganha um novo impulso. É a partir daí que poderemos utilizar a lei da gravidade de variadas formas adaptadas ao nosso estilo de jogo. Assim sendo temos dois estilos de gravidade, chamemos-lhe assim: Jupiter, onde a nossa personagem fica mais pesada, mas também os seus ataques mais poderosos ou então Lunar onde Kat fica mais rápida e ágil, mas também mais frágil e menos forte nos seus ataques.

A forma como Gravity Rush 2 se desenrola é sempre num ritmo acelerado, e mudar entre o voo com gravidade ou sem nem sempre é fácil, assim como a velocidade em que saltamos de uma parede para a outra pode causar alguma desorientação inicial, especialmente nunca jogaram o primeiro, mas dominando a técnica o jogo ganha um ritmo que poucos têm. O maior problema prende-se com a câmera, por vezes perdemo-nos e a câmera em si não recupera de uma forma que nos auxilie. É verdade que através dos sensores dos motion controllers do DUALSHOCK4 podemos fazer com que a câmara se mova consoante os movimentos que executamos com o comando, mas honestamente eu ainda atrofiei mais com isso.

Graficamente Gravity Rush 2 utiliza a técnica de Cell Shading, dando-nos aquela sensação de que estamos a jogar um anime, na PS4, o jogo ganha uma nova dimensão com a qualidade gráfica das texturas a estar super refinada e a notar-se um verdadeiro upgrade daquilo que encontrámos na PSVita com o seu antecessor.

O jogo divide-se a nível de estrutura entre o modo de campanha e as várias side-quests e o os modos multi-jogador. O de maior destaque, o Challenge Mission vai levar-vos a competir contra vários jogadores de todo o mundo, tentando bater o seu tempo em corridas frenéticas no universo do jogo. No entanto têm também a oportunidade de caçar tesouros, utilizando as pistas que outros jogadores foram deixando através de fotografias. Não é muito, é verdade mas houve uma tentativa de dar aos jogadores algo mais do que apenas o modo campanha. No entanto foi j]a anunciado um DLC para acompanharem a história de Raven, a companheira de Kat, algo que poder]a ser uma forma de dar mais conteúdo ao jogo. Este DLC apelidado de “The Ark of Time: Raven’s Choice’” sairá em Março.

Gravity Rush 2 é o mais recente exclusivo da Sony e o primeiro de 2017, e apesar de não ser o mais demonstrativo do poder da consola ou mesmo da nova PS4Pro, onde aliás jogámos, mas demonstra que os jogos ainda podem ser vistos como objecto de arte, e que os seus mundos peculiares por vezes podem transcender as próprias mecânicas em si. Neste caso há uma cohabitação feliz das duas, não sendo inovador, é uma experiência diferente, o que nos dias de hoje não é assim tão fácil de conseguir.

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Fundador do Site - Salão de Jogos, o Commodore Amiga 500 foi o seu melhor amigo durante décadas e ainda hoje sabe de cor a equipa principal do Benfica do Sensible Soccer 94/95. Nos tempos vagos ainda edita as botas dos jogadores do FIFA e do PES.

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