Muitos jogos andam de ano em ano a tentar trazer inovações técnicas e gráficas e muitas vezes temos dificuldades em sequer fazermos análises e dizer o que cada franquia trouxe de novo. Mas de vezes em quando surge aquele título dominado por uma ideia completamente absurda que se torna realidade e nos espanta e encanta.

É isso que aconteceu com Cuphead, um jogo totalmente criado em formato desenhos animados dos anos 60 ou 70, onde somos uma cabeça de chavena e andamos aos pulos e aos tiros a coisas estrambólicas que parece que estamos em ácidos.

Cuphead faz-me lembrar os tempos do Commodore Amiga em que jogava com os meus primos o Silkworm, um jogo em que eramos um jipe e um helicóptero e andávamos em formato scroll a disparar para tudo e a tentar chegar ao fim, sempre com bosses lixados e em que mais foram as vezes que perdemos do que as que conseguimos chegar ao fim, aliás acho que só conseguimos com uma cheat que metemos.

Em Cuphead não existe cheat, existe só essa dificuldade extrema em que teremos que fazer o nível vezes sem conta para conseguir ultrapassar os obstáculos, e que bom que isso é, ter um nível de dificuldade que nos obriga a repetir o jogo, sendo sempre divertido quando o fazemos, especialmente a dois.

É essa dificuldade que foi perdida ao longo dos tempos, primeiro com os saves, depois com os checkpoints, depois com os jogos a darem-nos indicações por onde ir, ou até mesmo a obrigar-nos a ir por determinado caminho. O facilitismo arruinou em muitos casos o divertimento, e os jogos passaram quase a ser lançados em capítulos para agradar toda a gente. A internet ainda não matou a rádio, mas já matou muito deste fenómeno, as componentes online e multiplayer fizeram com que os jogos não tivessem um nível de dificuldade extremo, ou então que as campanhas fossem curtas para despachar toda a gente para o online. Eu continuo a querer segredos que só se descobrem meses depois, jogos que só se acabam semanas depois, horas infinitas a ser desafiado e a ficar agarrado a um jogo, Cuphead consegue fazer isso, e espero que seja uma lição para muitos.

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