Dj Ride – The Beat Boy Killer

reportagem dj ride

Aproveitámos o lançamento do novo single de Dj Ride para conversar com o nerd do scratch. O campeão do mundo da modalidade e seis vezes a nível nacional, falou-nos também da sua vertente visual e de gamer. Mundos que se cruzam diariamente, quer seja a dar novas ideias para samples que utiliza, para a componente visual que apresenta ao vivo, ou simplesmente para relaxar quando está a trabalhar. Vamos lá saber se o Ride também é nerd dos jogos.

Pedro Moreira Dias (PMD): Quando começaste a pensar na componente visual como algo que tinhas que integrar na tua música?

Dj Ride: Isso começa por vir de uma certa frustração, chegar a uma certa altura e querer que os meus live acts tenham uma componente mais forte não só a música, o som, mas também o vídeo e não queria que fosse só aquela coisa do formato dj com vj só acompanhado. O vídeo scatch abriu muitas portas e foi das coisas, dos meus live acts com mais exposição. O Pixel Trasher fiz com o Gonçalo Santos, que é o meu director de vídeo é um projecto que muita gente não sabe que é a meias com ele, pois eu não percebo muito de vídeo então tive que rodear de gente que o vídeo fosse o seu forte. Então criámos o Pixel Trasher no fundo para tocar em certos sitios. Também não posso ir só por som, ou só levar as minhas músicas, esse aspecto visual também é importante, que é um bocado dar seguimento a toda a arte ligada às capas ao conceito do álbum, essa parte gráfica e transpor para cima do palco.

PMD: O vídeo scratching é algo muito orgânico, tu estás a comandar o vídeo ao mesmo tempo que estás a fazer o teu scratch, é algo muito parecido a um comando de videojogos por exemplo

RIDE: Claro, sem dúvida, no fundo acho que ainda no outro dia estava a pensar: eu adoro música, é mesmo uma paixão desde criança mas no fundo o que me cativou no djing era também a questão das máquinas e da tecnologia e do controlo e da manipulação da música através dessa tecnologia. Ou seja tudo o que envolvesse comandos, e botões e mesas de mistura e software foi uma coisa que sempre me fascinou e no fundo este espectáculo de vídeo, o pixel trasher é uma fusão disto tudo. Estou a comandar o som, estou a fazer scratch como faço desde o início, mas em vez de estar a controlar só a música estou também a controlar o vídeo e isso é um upgrade enorme  àquilo que tinha anteriormente.

PMD: Essa mesma componente visual tem também como objectivo mostrar como o fazes, a arte do scratching

RIDE: Claro, ainda para mais eu acho que é também um bocado desmistificar aquilo que os Dj’s fazem em cima do palco, porque as pessoas questionam-se: o que é que o DJ está a fazer em cima do palco. Será que este remix já está feito? O que é que ele está a manipular ao vivo? Qual é a percentagem da componente live que a pessoa está ali em cima do palco a fazer e nós temos as câmaras e fazemos o live das câmaras ao longo do espectáculo principalmente nos momentos de mais skill (quanto estou a fazer scratch ou beat juggling, que é um técnica em que estou a montar uma espécie de puzzle com dois instrumentais iguais); isso é muito importante porque ainda por cima em festivais ou discotecas maiores as pessoas mais atrás se calhar não consegue perceber o que estamos a fazer em cima do palco e ainda por cima porque convém relembrar esta coisa do uso do vinil não algo que se use muito, toda a gente hoje em dia usa mais o software ou os CDJ então também gosto de marcar esta diferença do uso do gira-discos e de outras máquinas como é o caso da EPC e dos samplers e outros gadgets que gosto de usar.

PMD: Já que falas de gadgets, de software, de máquinas, quando é que surgiu para ti o bichinho dos videojogos, qual foi a tua primeira interacção com este mundo?

RIDE: O primeiro contacto foi  com uns vizinhos meus que tinham as consolas da Nintendo e na altura eu pedi durante muitos natais para os meus pais me oferecer mas o pai natal não devia querer nada comigo. Só depois mais tarde tive uma Megadrive e aí sim foi um grande vício e foram algumas consolas e Game Boy’s emprestados de amigos mas nunca cheguei a ter um Gameboy. A Megadrive foi se calhar o meu maior vício até hoje e desde o Sonic ao Need for Speed, o FIFA 90 e qualquer coisa. E a partir daí a minha ligação aos jogos foi mais com as consolas. Ainda joguei alguns jogos para PC mas não tinha tanta piada. Depois comecei passado algum tempo a estar mais ligado à música e deixei os videojogos de parte, mas agora estou outra vez viciado na PlayStation 4 que comprei mais também para desanuviar em vez de às vezes ou estar no facebook ou estar a ver tv sem fazer nada pensei: tenho de arranjar uma consola o que para mim acaba por ser um revival desses tempos de quando era mais puto e estou bastante contente com a compra.

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PMD: O que mais te fascina num videojogo? Quais os pormenores que mais te faziam querer jogar e até que ponto a música era importante num videojogo?

RIDE: No fundo acaba por ser um prazer enorme jogar, o prazer que retirava dos jogos e que ainda retiro, ou seja o entretenimento, acaba por ser o principal, a parte dos gráficos e da tecnologia também sempre me fascinou, jogos que às vezes não tinham piada nenhuma mas só pela parte gráfica isso fascinava-me e fazia com que eu jogasse. A música, por acaso sempre tive um fascínio pelo 8-Bit, pela música 8-Bit e por esse lado da electrónica com fusão e se calhar na altura não correlacionava muito bem as duas coisas, nem pensava muito nisso sequer mas acho que essa parte me fascinava bastante também e depois obviamente que também teve muita influência em mim. Eu sempre que posso ponho sons de jogos de arcade e de coisas assim do género nas minhas músicas. Claro que a partir do momento em que estou a usar sintetizadores e outro tipo de máquinas, há uma sonoridade que está sempre inerente e que faz esse link aos jogos. Ainda ontem comprei um cd de library music da BBC que tem sons de jogos, do Street Fighter e do Mortal Kombat também e por acaso lembro-me que no meu primeiro EP o “Beat Jouney” pus muitos sons de jogos lá pelo meio, houve algumas pessoas que repararam, outras nem tanto, mas faço questão de ter esse lado mais geeky dos jogos sempre presente.

PMD: Há sempre um ou outro jogo que relaciona a música com os videojogos. Por exemplo o Dj Hero para fazer scratch. Nunca experimentaste uma coisa dessas?

RIDE: Por acaso o DJ Hero nunca experimentei mas fui ver youtube como é que era e pronto não me fascinou muito. Mas o Guitar Hero já experimentei e sinceramente gostei e não sei se tem a ver com o meu lado musical mas até tive bastante facilidade em jogar logo no início. Daí a comprar para jogar em casa não, mas jogar com os amigos é bastante divertido. Agora o DJ Hero muito sinceramente, e não que isso pusesse em cheque os meus skills mas pronto, como em casa tenhos os pratos a sério e o equipamento a sério não tem muita piada jogar o DJ Hero. Agora o Guitar Hero como não toco guitarra e no jogo parecia que tocava bastante bem aí já tem mais piada.

PMD: Largando os videojogos. Tens já um concerto marcado para o Rock in Rio, depois da passagem no Brasil agora em Portugal. E um novo single, queres nos falar um pouco sobre isso?

RIDE: O meu próximo single vai ser com o Gentleman e foi uma história engraçada porque esta colaboração foi um desafio que a equipa dele me fez, porque ele tem já um som que é o Heart of Rub-A-Dub e eles queriam pegar naquele tema e fazer uma versão mais Dj friendly e que também tivesse mais power e um lado mais electrónico. Eu ouvi o som e já gostava do original e dei-lhe uma roupagem totalmente diferente por isso acaba por ser mais uma colaboração e não um remix pois veio de parte da equipa dele e do próprio Gentleman e está totalmente diferente do original. Estou bastante contente, acaba por ter um toque meio Diplo ou Major Lazer que era o meu objectivo fazer: fazer uma música que tanto pudesse passar na rádio como pudesse passar principalmente nos meus sets e poder utilizar bastante ao vivo. Acho que tem tudo para ser uma arma, não digo secreta, mas uma arma nos meu dj sets futuros. A actuação no RiR vai ser um Dj set e vou aproveitar para tocar muitas músicas minhas e músicas que já estou a preparar, vai ser até um bocado um teste de músicas que estou a preparar para o meu próximo álbum e estou bastante contente porque vai ser antes de um ídolo que é o Pretty Lights e é primeira vez que ele toca em Portugal por isso tocar antes dele tem também outro sabor.

 

PMD: Então basicamente vais andar a testar as novas músicas nos próximos concertos?

RIDE: No fundo eu acho que nas próximas actuações o público vai ser a minha cobaia. Vou experimentar algumas coisas que tenho feito no estúdio e provavelmente as que funcionarem melhor depois vão estar no álbum que vou editar no inicio de 2015. Se bem que há 2 ou 3 musicas que já vou lançar este ano uma delas será esta colaboração com o Gentleman já dia 4  de Abril e depois as outras ainda estão a ser acabadas.

PMD: E esse futuro longa duração, qual é a sua direcção?

RIDE: No fundo um álbum tem de ser pensado e gravado com muita antecedência. O meu processo de criação não é tão rápido como eu gostaria que fosse, demora sempre algum tempo a chegar aquele formato e a estar contente de forma a editar as músicas. Mas no fundo irá acabar por ser uma fusão daquilo que tenho andado a ouvir, desde Trap a Dubstep. Mas lá está o Dubstep tem evoluído para outras direções e para outros BPM.  Estou a gostar muito de uma onda agora que chamam de Twerk que acabam por ser músicas bastante boas para passar em clubs mas a 100 bpms que é uma coisa que antes não era muito explorada. O Trap também tem aberto muitas portas. Tem sido engraçado ver o estilo que no fundo vai beber ao Dubstep mas é um bocadinho mais minimal mas também vai buscar sons à EDM, ao House e ao Eletro e se calhar a coisas mais comerciais e põe num formato para mim mais apetecível. Eu ainda não tenho a certeza da sonoridade que quero explorar, vai ser uma fusão com tudo o que ando a ouvir, mas como o álbum vai só sair no inicio de 2015 até lá muita coisa pode mudar. Mas até lá há uma coisa que tenho mesmo a certeza que quero fazer: um cd que eu possa tocar mais ao vivo e possa tocar mais nos meus Dj sets. Não que nos meus trabalhos anteriores o não o pudesse fazer, mas se calhar havia músicas que, ou pelo seu formato ou pela mistura, ou por serem lentas não caem bem nos sets, às vezes no inicio da noite se calhar dá para tocar mas por exemplo às 5 da manhã se calhar já não faz tanto sentido. Por isso, no fundo o meu próximo álbum vai reflectir mais o trabalho mais noctívago e de Dj set e se calhar um bocadinho menos soul e funk como foi o útimo.

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PMD: Voltando um pouco ao gaming, visto que sei voltaste ao mundo dos videojogos, o que andas a jogar?

RIDE: Tenho andado a Jogar o Battlefield 4 e o Call of Duty Ghosts. Ainda sou um bocado novato e está-me a custar… Já passei as missões todas e agora jogar online tem sido um grande desafio, principalmente o Battlefield é um jogo que me está a dar bastante pica e confesso estou um bocado viciado. Às vezes até tenho de desligar o modem para me concentrar no estúdio senão é uma grande distracção. Acho que das piores coisas que um músico pode fazer é ter uma consola perto do estúdio (risos). É tramado.

PMD: Nesta nova fase experimentação da PS4, qual foi o teu maior “bruah” em relação a esta nova geração de consolas?

RIDE: Muito sinceramente tenho a PS4 há pouco tempo e ainda não explorei assim muito. E já não jogava há muitos anos e então a diferença das últimas vezes em que joguei e agora é abismal: a nível de gráficos, velocidade, os loadings também. Fiquei mesmo espantado, aliás há muitos amigos meus que deixaram de jogar e quando vêm aqui a casa eu faço questão de mostrar e fica tudo de boca aberta. Eu não tenho lido muito, nem pesquisado muito à cerca disso mas acredito também que no futuro ainda hajam jogos que possam explorar ainda mais as potencialidades da PS4 espero que sim, mas no entanto pelos jogos que tenho (e esqueci-me de mencionar também o Need for Speed, o Metal Gear Solid) estou bastante contente com os gráficos e há coisas/detalhes, principalmente os detalhes: as sombras, as texturas, é algo que eu estou bastante admirado.

PMD: Última questão: sons de vídeo jogos: 2 ou 3 momento sonoros ou bandas que te tivessem marcado?

RIDE: A banda sonora do Zelda era brutal, do Sonic também, talvez por ter jogado tanto há músicas que ficam e que ainda hoje se estiver a dar, aliás ainda hoje vou jogar o Sonic e cria-se ali uma sensação de revivalismo, que parece que sou transportado para quando tinha 12 anos. O Mario também e o Street Fighter. O Mortal Kombat pelo bits e pela cena da luta também era bastante forte. Mas no fundo também acabaram por ser (os jogos) que gostei mais. E o Tetris (risos), o Tetris toda a gente se lembra da banda sonora.

Dj Ride, o nosso primeiro nerd dos videojogos a passar por aqui no Salão de Jogos, ele que tem já várias datas marcadas para os próximos meses, é de ir meus amigos!

Próximas actuações:

Abril

dia 6 Calpe | Espanha

dia 7 Rebel Village – Salou | Espanha

dia 12 TBA | Mortágua

dia 16 Festival do Secundário | Gouveia

dia 17 Rockit @ Musicbox | Lisboa

dia 18 Indústria | Porto

dia 19 Faraó | Torres Vedras

dia 24 Crazy Island | Madeira

dia 25 TBA | Lisboa

dia 26 TBA | Algarve

dia 29 TBA | Vila Real

dia 30 TBA | Viseu

dia 10 Andorra

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