Dogchild – Um cão a precisar de treino

Continuamos a falar dos Prémios PlayStation, iniciativa que leva a concurso jovens developers na conquistar de um lugar na nova consola da Sony. No caso espanhol, o vencedor foi Dogchild, da Animatoon, um jogo que apresenta como personagens principais, Tarpak e Tarao, o dono e o seu fiel amigo.

É mesmo antes de começarmos a jogar que uma das melhores partes do jogo acontece, é um pequeno vídeo que demonstra a ligação entre os dois, um jovem saudável que faz yoga no parque, e um cão simpático e brincalhão. É no tradicional “go fetch” que percebemos a dinâmica que existe entre os dois, as suas habilidades e o ambiente desportivo que o jogo vai viver. É assim que pensamos pelo menos até começarmos efectivamente a jogar.

Dogchild tem como história fundamental, o rapto de cães por uma corporação chamada Cornish que os quer para fazer testes. Uma narrativa algo interessante, pois de alguma forma chama atenção para um problema real da sociedade moderna e até pode apelar para o constante e abusivo abandono de animais. Por outro lado, tal como no jogo de Ace Ventura, lutamos contra uma corporação que quer usar os animais para testes, para usar criar um novo creme corporal ou algo que o valha.

O problema vem depois, apesar do conceito interessante, da narrativa com propósito e com espaço para crescer e agarrar a atenção, o problema está nas mecânicas. É num ambiente 3D que assumimos o papel de Tarpak no seu estilo parkour, e o faro apurado de Tarao. Assim que começamos a jogar, percebemos que a diferença entre andar e correr é abismal, Tarpak parece preso ao chão por uma espécie de magnetismo inexplicável, e depois desata a correr sem conseguirmos ter controlo, tanto nesse campo como nas direcções que são quase “Robocopianas“. Todos os movimentos, seja subir ou descer uma parede, saltar entre objectos ou outra coisa parecida carece de suavidade. Ao contrário o controlo de Tarao, o nosso cão simpático é muito mais suave, especialmente quando passa para a visão na primeira pessoa “canina” onde temos que farejar objectos. Como podem ver a ideia, por exemplo, de Tarao farejar, utilizar a primeira pessoa, a visualização ser uma pouco mais monocromática e sensorial, são boas ideias, mas a concretização do todo falha redondamente.

Dogchild é frustrante, frustrante pelas razões que já expliquei acima e pela dificuldade em compreender certos objectivos, que podem ser tão simples como saltar pequenas rochas alternando entre as duas personagens, ou conduzir um trenó sem bater em lado nenhum; mas no essencial é frustrante porque existem boas ideias, uma causa nobre, mas uma narrativa e empatia muito pobre ao longo do jogo, para além das mecânicas ocas. A nível de grafismo, Dogchild não poderia nunca ser um Ratchet and Clanck, especialmente considerando de onde vem, e portanto não coloco tanto isso em causa. Sim, parece um jogo vindo da PS3, mas também sabemos perfeitamente que não é preciso ter um grafismo estonteante para ser um excelente jogo, relembro o exemplo de Counter Spy. Dogchild faz-me lembrar aqueles jogos que poderiam vir com a compra de um pacote de iogurtes para os mais novos, e contra isso, até pelo contrário, até acho que poderia ser uma excelente opção, mas o problema é mesmo o nível de concretização.

Verdade é que, e sendo graficamente muito mais simples, Strikers Edge, o vencedor português desta iniciativa, Prémios PlayStation, é muito mais intuitivo, suave, com mecânicas simples mas extremamente divertidas, tudo aquilo que Dogchild não é.

SimENaoDogChild

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