A honra e a palavra cada vez mais parece uma coisa do passado e outras culturas, mas sempre esteve integrado na nossa cultura. Em uns de uma forma, em outras de outra, mas a honra é uma palavra universal e que não tem preço.

Especulo sempre o que terá motivado os developers arrancar para esta ideia de For Honor, e facilmente encontramos algumas referências, algumas delas mais recentes como Game of Thrones ou Vikings, outras delas mais clássicas como o icónico Seven Samurais de Akira Kurosawa ou então Excalibur sobre a lenda de Rei Artur.

O que todos eles têm em comum é o ser humano como um guerreiro com talentos sobrenaturais e com um código e conduta muito próprio, extremamente altruístas, apenas em prol do seu clã.
É esta ideia que vão encontrar em For Honor em todos os detalhes, seja na constituição física dos 3 clãs representados, os Vikings, os Cavaleiros e os Samurais, quer seja na sua forma de lutar ou a armadura que vestem, nas armas e como as utilizam, ou como se vão relacionar e entrar em batalha.
Para explicar um pouco mais o conceito, For Honor tem um modo história, onde vão encarnar as personagens de cada clã ao longo do jogo e vão percebendo as mecânicas dos vários modos multiplayer, mas de uma forma super subtil, com desafios diferentes e experimentando as 4 sub-classes de cada clã, os seus pontos fortes e fracos.

A história em si não é muito densa, não parece ser retirada de um livro, é bastante objectiva e concisa, focando-se no conceito de honra, e muitas vezes baseada na obra de Sun Tzu, ” A Arte da Guerra“. Começamos com o clã que adoptarmos, mas podemos jogar com os outros ao longo do percurso, dando as 3 visões dos acontecimentos e de como eles se vão ligando em pontos em comum, nomeadamente, mais uma vez, a honra.
Neste modo, como disse, vão sendo apresentadas as estruturas base do multiplayer, seja o “Domínio“, onde terão que capturar as zonas, lutando contra “minions” e os seus guerreiros mais fortes, tentando capturar mais um pedaço de terra para o vosso clã, mas também o mais tradicional 1X1 onde terão de aprender não só a usar a vossa personagem mas também os pontos fracos do adversário.

For Honor não é um jogo fácil, temos por tradição dizer aqui no Salão de Jogos, que as 10 primeiras batalhas é para morrer, pois só depois disso é que vão começar a perceber como tudo funciona. E por isso é um jogo exigente, mas por detrás dessa exigência vem o contentamento em cada batalha ganha. Na História nenhuma batalha foi fácil e aqui também não será, e logo de início pelo esquema de controlos apresentado, que é bastante fora do comum. O analógico esquerdo funciona para a movimentação da personagem, o direito funciona para escolher a mão ou o lado de ataque e de defesa, isto é, se quisermos defender um ataque inimigo ao nosso lado esquerdo, temos que mover o analógico para esse lado, se for por cima temos de fazer o mesmo e etc. O mesmo acontece com o ataque, é o analógico direito que direcciona de que forma vamos atacar o inimigo, utilizando depois o RB e o RT (na Xbox One), para os ataques fracos e fortes, respectivamente. Para além disso podemos o LT serve para focar o nosso inimigo ou trocar entre inimigos, caso seja mais do que um. Depois temos ainda o botão para quebrar a guarda, isto é, para o colocar à mercê dos nossos ataques ou o empurrar, que neste caso é o X e o botão A serve para evadirmos do ataque adversário depois depois desferir um contra ataque. Estes são os comandos básicos, porque depois nos direccionais podemos acumular outros truques, seja poções de vida, de escudo ou de força, ou no caso do “domínio”, ordenar um ataque de catapulta para determinada zona.

O jogo exige muita estratégia, não é um “hack and slash”, é um jogo de Close Combat estratégico, até porque não podemos atacar à maluca, dependendo da nossa classe ou sub-classe, temos uma barra de folêgo, onde só vamos conseguir desferir um número limitado de ataques até começarmos a ficar cansados e lentos, por isso temos que ser equilibrados, saber quando atacar, mas também saber quando defender. É neste campo que também entram os vários clãs e suas sub-classes, há aqueles que são mais rápidos mas menos fortes, os mais fortes, mas mais lentos, os equilibrados, etc. É preciso saber escolher a vossa batalha, como mais um vez diria Sun Tzu.

No modo online que já referi aqui algumas vezes, vão encontrar o modo “Domínio” que já expliquei, mas também os modos mais clássicos, seja o 1X1, o 2X2 ou o 4X4. Podem jogar contra outros jogadores online, ou contra a Inteligência artificial, o que eu aconselho nos início para se habituarem e não fazerem tristes figuras. Consoante vão ganhando estas batalhas vão contribuindo para o vosso clã, isto é, a nível mundial é contabilizado o número de vitórias no variados modos para a conquista de território para o vosso clã. Este mapa é actualizado várias vezes ao dia, parecendo-se muito com a estrutura do jogo de tabuleiro “Risk”.
Para além disso, todas as vossas conquistas traduzem em “dinheiro” amealhado para comprar pacotes de melhoramento. Alguns de armadura, outros de armas, um de ambos e um premium onde vos garante dois itens raros. É o tradicional sistema de vos levar a jogar o jogo inúmeras vezes para ficarem com aquela armadura e arma que sempre desejaram para fazer toda a diferença nos combates. Todos os ornamentos e peças têm também os seus pontos fortes e fracos, levando-nos mais uma vez a constantemente a adaptar-nos perante as situações. Podem também desfazer-se das vossas peças para fabricar outras ou melhorá-las.

Graficamente e mecânicamente, For Honor está muito apurado, todos os clãs e suas sub-classes têm vários detalhes, desde a ornamentação das suas armaduras, passando é claro pelas suas armas, pinturas, etc. A recriação histórica de todos esses elementos também está super detalhado e facilmente conseguimos perceber que houve um estudo apurado sobre todos eles. Os ambientes também estão detalhados, mas com menos pormenor do que as personagens, havendo alguns erros de texturas, mas nada drástico. O número elevado de NPCS não faz notar qualquer quebra de frame rate, nem slowdown, o que para o caos que por vezes assistimos é muito bom.

As mecânicas que já descrevemos, estão muito equilibradas, levando-nos a adaptar constantemente à batalha e fazendo-nos usar a cabeça. For Honor terá apenas uma questão para se verificar ao longo do tempo e essa tem a ver com a sua longevidade, isto é, dominar territórios para o vosso clã, pode ser muito giro, mas no que é que isso se traduz verdadeiramente?! Em novas recompensas, ok, mas o que nos vai levar a constantemente voltar ao jogo. Essa será a única dúvida que poderei levantar em relação ao jogo, no entanto For Honor veio mudar o panorama de mecânicas de jogo de terceira pessoa, com um uso dos comandos impressionante, e só por isso já merece a pena ser jogado, nem que seja pela honra!

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Fundador do Site - Salão de Jogos, o Commodore Amiga 500 foi o seu melhor amigo durante décadas e ainda hoje sabe de cor a equipa principal do Benfica do Sensible Soccer 94/95. Nos tempos vagos ainda edita as botas dos jogadores do FIFA e do PES.

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