Elite: Dangerous – Espaço, a última fronteira

Após anos privados de explorar o espaço, eis que nos chega um dos primeiros jogos desta nova febre de exploração espacial. Não é que tenham desaparecido por completo mas, desde meados dos anos 90, nunca houve tanto interesse sobre a temática. No Man’s Sky, Into the Stars ou o épico Star Citizen com o seu budget de mais de 15 milhões de dólares. Mas Elite: Dangerous não surge do nada, é a quarta iteração de uma já longa série que praticamente inventou o género Space Trading and Combat Game.

Mas o que nos traz o jogo que já não tenha sido feito anteriormente? Bem, para começar fidelidade gráfica. A representação da Via Láctea o mais perto da realidade possivel é no mínimo um feito inacreditável. Nunca antes tivemos a oportunidade de viajar pelo espaço com uma representação tão fiel do universo. Estrelas, anãs brancas, buracos negros, corpos celestes que perfazem cerca de 400 mil milhões de sistemas solares

E para o fazer começamos com uma nave frágil e uns míseros 1000 créditos. A Sidewinder de inicio vem equipada com armas que pouco podem fazer contra piratas e o espaço de carga é mínimo. Se pensam que vão começar o jogo e envolverem-se em épicas batalhas logo de inicio, esqueçam. Até porque a curva de aprendizagem do jogo é bastante longa. Mesmo depois de repetir os vários tutoriais que o jogo oferece, o mais épico que vão conseguir nas primeiras horas é estacionar a nave correctamente.

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Primeiro que tudo, Elite: Dangerous é um simulador não é um jogo de arcade. Há pormenores infinitos que precisamos de aprender até estarmos confortáveis na condução da nave de modo a que pensemos sequer em disparar os raios laser da nossa nave. Querem entrar numa estação? Então preparem-se para ajustar a vossa rotação com a da entrada da estação mas sem nunca antes pedir autorização às entidades competentes. Até porque as regras do espaço sideral são bastantes estrictas. Entraste na estação sem autorização? Punição, morte. Estacionaste no lugar errado? Boom, já foste. Demoraste demasiado tempo parado na entrada? A equipa de limpeza espacial vai ficar umas horas a apanhar o pouco que restou de ti e da tua nave.

Há, claro, toda uma história que sustem o jogo. Se de um lado temos a Federation que leva como porta-estandarte a democracia, o capitalismo e a dependência nas maquinas do outro temos o Empire sustentada pelo trabalho por escravos e um gosto pelo grandioso. E fora destas duas grandes potencias, persiste a Alliance, fruto da cooperação de sistemas descontentes com a ideologia das outras facções, sobretudo em relação a direitos humanos. De quem o jogador pode fazer parte, simpatizar ou simplesmente ignorar.

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Após as primeiras horas, na sua maior parte a configurar e decorar duas dezenas de botões e outras tantas a pesquisar na Internet,  fazendo-nos chegar à conclusão que se calhar temos que comprar um novo joystick H.O.T.A.S (Hands On Throttle-And-Stick), conseguimos entrar verdadeiramente no jogo. A aprendizagem é lenta, os erros serão vários, mas Elite: Dangerous é melhor por isso. Pois quem se dedicar ao jogo receberá uma das experiências mais emersivas no mundo dos videojogos. A beleza do universo ou o excelente trabalho de som com pormenores tais como cada motor a soar de uma maneira diferente, a maneira como sentimos a nave a entrar no hiperespaço ou a respiração da nossa personagem quando o vidro da nossa nave fica comprometido, mostra uma atenção ao detalhe extraordinária e é a junção de todos estes elementos que nos puxam para este universo e que nos faz esquecer o mundo em volta.

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E quando estivermos confiantes nas nossas capacidades de condução, haverá sempre mais elementos por descobrir. Aqui começamos a perceber o que queremos ser na vida galáctica. Será que optamos por vender mercadorias à procura de uma estação que nos ofereça mais? Ou talvez limpar a galáxia da ameaça pirata, sendo que, ser pirata, também tem o seu encanto. E se isto for demasiada acção, porque não explorar a galáxia e financiar essa expedição com a venda de mapas cartográficos? Existem tambem missões em forma de contractos que vão aparecendo aleatóriamente nas estações, que podem ir desde assassinatos até levar algumas toneladas de chá a um sistema vizinho. E é durante estas viagens aparentemente banais que o jogo se mostra imprevisivel. Podemos estar a viajar tranquilamente e sofrer uma interdiction de um pirata, que nos saca do hiper-espaço enquanto faz scan à nossa nave, para ver se temos algo de interesse. E em caso afirmativo, preparem-se para fugir, enfrenta-lo ou simplesmente ejectar a carga para o espaço. Ou então decidimos investigar um sinal desconhecido e encontramos o que restou de várias naves após uma batalha, onde a sua carga flutua livremente pelo espaço. Uma hora de Elite: Dangerous será sempre diferente, podemos ter sorte e acontece tudo e mais alguma coisa ou então não acontece absolutamente nada. A imprevisibilidade do jogo é o que o torna em algo único.

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Ao contrario da maioria dos jogos de hoje em dia, Elite: Dangerous não nos dá a mão. A escolha é nossa, não há missões que sirvam como tutorial, não há uma tentativa de nos encaminhar para um determinado caminho. Apenas há a nossa Sidewinder e o espaço infinito. Não é para todos, mas para quem sempre sonhou em explorar o universo, Elite: Dangerous é neste momento a experiência que mais se aproxima deste sonho.

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Author Vando Enes
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Categories Análises
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