Everybody’s Gone to the Rapture

O título é o reflexo do jogo. A verdade é que tudo tem um fim e é esse fim que vamos procurar durante todo o jogo.

Não temos qualquer problema em desvendar o fim de Everybody’s Gone to the Rapture, é bastante simples toda a gente morre. Mas o título e o jogo são bem mais profundos do que esta simples frase ou resolução. Utilizando a sua tradução, “Rapture” é visto como o Apocalipse ou até mesmo o Juízo Final e é esse caminho que vamos percorrer, na primeira pessoa, juntamente com todos aqueles que habitavam Shropshire. As suas relações, as suas vivências, a proximidade com Deus, o questionamento se Ele existe ou não, e até o que é o Amor na nossa “última hora”.

O estúdio britânico, “The Chinese Room“, conseguiu captar todas estas emoções num mundo aberto com um despojamento de comandos, para terem a noção durante as 4h30 que jogámos, só utilizámos os analógicos para nos movermos e olharmos em redor, a tecla X para atender telefones ou ligar o rádio e abrir portas; e o sensor de movimento para activar algumas memórias. Por isso podem imaginar como importante é a narrativa, os diálogos e a história que fundamenta o jogo, para nos fazer ficar agarrados a algo que na sua superfície pode ser visto como algo que se baseia apenas em andar e andar e andar e ouvir diálogos e nada mais do que isso.

É possível que tal aconteça com os jogadores mais “activos”, que gostem mais de acção ou da adrenalina a correr nas veias, aqui isso não vai acontecer. O que acontece é ao longo dos capítulos com o nome das personagens de destaque, vamos percebendo o que cada uma delas pensou e fez em relação a esse Juízo Final, aquilo pelo que passou, assim como aquilo que passaríamos ou teríamos que em pensar se estivéssemos nessa posição.

Sentimos em todo o desenvolver do jogo que estamos efectivamente a viver aqueles momentos, com aquelas pessoas

Para que essa “viagem” até ao outro lado fosse sempre alimentada de forma a continuarmos a jogar, The Chinese Room dá-nos uma experiência gráfica arrebatadora, com todo o detalhe e pormenor, com todas as casas a possuírem indícios, todos os objectos a esconderem detalhes e todas as planícies a responderem dinamicamente, seja através do vento, da chuva, do Sol, sentimos em todo o desenvolver do jogo que estamos efectivamente a viver aqueles momentos, com aquelas pessoas.

Mas para além dos gráficos, Everybody’s Gone to the Rapture vive de todo o ambiente sonoro criado. E para isso contou com o excelente trabalho da compositora Jessica Cury, a mesma de Dear Esther ou Amnesia : A Machine for Pigs, também ela co-directora do estúdio The Chinese Room. Toda a banda sonora foi gravada nos Air Studios em Londres, conduzido por James Morgan e orquestrado por Jim Fowler. Esse ambiente vive do pormenor, da melancolia, da esperança e da ideia central em que no fim do dia é aquilo que temos é a pessoa que está ao nosso lado.

Everybody Gone to the Rapture, não será um jogo “acessível” para todos, é desafiante, é em alguns pontos perturbador e é um jogo que nos coloca a pensar na nossa própria existência e naquilo que isso representa. E se um jogo é capaz de fazer isso, de nos tocar, de nos emocionar e de nos fazer olhar para o Mundo, então esse jogo atingiu o seu propósito, mesmo que seja o Apocalipse.

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