Evolve – Retrocesso ou Evolução?

O que define o conteúdo adequado de um jogo? Quando é que consideramos que um jogo oferece sumo suficiente para que compense o valor pago? Se podemos dizer que um jogo vale apenas pela sua história o que dizer quando um jogo não tem uma? Recuemos até 1999. O Euro tinha acabado de chegar, já nos preocupávamos com o bug 2YK e mais importante que isto, Unreal Tournament era lançado. Um dos primeiros FPS sem qualquer tipo de história, apenas uma arena onde jogadores lutavam entre si, online. Com uma dezena de mapas iniciais, 6 tipos de modos de jogo, 13 armas diferentes, a possibilidade de jogar offline com bots ou online, e ainda mais fundamental, a possibilidade da comunidade conceber mapas, armas e modos disponíveis para download gratuitamente. Criando assim um jogo com conteúdo interminável e transformando Unreal Tournament num clássico instantâneo. Mas voltemos a 2015. Evolve promete r(evolucionar) o género FPS multiplayer, onde pela primeira vez temos uma experiência de jogo assimétrica, ou seja, 4 jogadores em co-operação tentam caçar um monstro controlado por um quinto jogador, num combate feroz entre humanos e besta. Mas será que resulta? Vamos lá espremer esta laranja.

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Resumindo o que foi dito na Preview do jogo, temos 4 classes de Hunters começando com o Assault, responsável por provocar o máximo de dano ao Monstro, cujo arsenal consiste em armas pesadas e minas. Mas para que o Monstro não fuja é necessário o Trapper, perito em armadilhas e capaz formar uma redoma instantânea criando assim uma arena onde é mais fácil abater o monstro. E nenhum squad based FPS ficaria completo sem o Medic, onde a tua função é manter a saúde dos teus companheiros. E para completar a equipa resta-nos o Support, classe que alem de ataques aéreos tem também a função de proteger a equipa com escudos.

Existem 3 personagens diferentes para cada uma destas classes, mas para desbloquear as ultimas duas, é necessário aumentar o nível da primeira e assim sucessivamente. Ou então ter feito a pre-order do jogo. A Turtle Rock já anunciou mais personagens para um futuro próximo, e para as obter, é necessário, claro está, comprar o Season Pass.

Mas continuemos com os monstros. Existem neste momento 3 monstros, Goliath, Kraken e Wraith,  sendo que tal como os Hunters é necessário desbloquear os últimos dois.  Um quarto será desbloqueado caso tenham feito pre-order. Conseguem ver o padrão? Apesar de ainda ser uma quantidade significativa de personagens, toda esta quantidade de DLC’s, Pre-Order e special edition, faz-nos sentir como se apenas nos tenham servido meio copo.

Mas deixemos de parte os DLC’s por um momento. E foquemo-nos no gameplay. Quando jogamos da parte dos Hunters o jogo consiste em encontrar o monstro o mais rapidamente possível, isto é, evitar que ele evolua até ao nível máximo, pois aí será bastante mais difícil conseguir derrotá-lo. Obviamente que jogar como Monstro é o reverso. Passamos grande parte do nosso tempo a evitar os hunters e a comer animais mais pequenos que nós até evoluirmos a um nível em que nos seja mais favorável atacar os humanos.

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E por mais volta que tente dar, a única palavra que me volta sempre à cabeça depois de um jogo de Evolve é inconsistência. O jogo consegue por vezes ter momentos geniais, não haja dúvidas sobre este facto. Principalmente quando jogamos com uma equipa que entende que cada elemento tem o seu papel especifico, e há uma cooperação entre todos. Aí, o jogo flui e cada interação com o monstro leva a uma caça cheia de adrenalina e sem frustrações. Jogar como o monstro nesta situação também torna o jogo muito mais interessante, pois uma boa equipa de Hunters, obriga-nos a estar sempre um passo à frente e a olhar para trás a cada segundo. Infelizmente isto muitas vezes não acontece. A natureza aleatória de como são escolhidas as equipas, expostos a classes que não são as que mais gostamos, leva a jogos que podem variar entre jogos de 5 minutos porque o monstro nos atacou demasiado cedo, a um trapper que se recusa a usar as armadilhas necessárias ou jogos que nunca mais acabam porque a nossa equipa não é capaz de o encontrar. Mesmo jogando como monstro, muitas das vezes os jogos resumem-se a comer, evoluir e repetir, até ficarmos tão overpowered que acabamos por destruir os hunters com relativa facilidade.

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Existe também a opção de jogar offline, onde inteligência artificial tanto dos Hunters como a do monstro é de facto surpreendente. A equipa sabe manter-se unida e o monstro consegue ser desafiante sem no entanto esconder-se e desaparecer do mapa. Não é perfeita, mas consegue criar jogos interessantes e equilibrados. Infelizmente os modos são muito semelhantes entre si. Desde do modo Hunt, onde entramos numa caça ao monstro, ao modo Nest onde temos que destruir os ovos do monstro ao mesmo tempo que evitamos uma mãe furiosa, até ao modo Rescue onde temos que salvar humanos das garras do monstro. Tudo vive à volta do mesmo, o monstro. Não ajuda à monotonia que os mapas, apesar de graficamente belos devido ao CryEngine utilizado, sejam muito parecidos entre si. Florestas alienígenas de tons escuros com alguns edifícios futuristas aqui e acolá é o tema de eleição.

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Evolve nasce à volta de um conceito interessante. A assimetria do jogo continua a ser cativante, algo que a maioria dos jogos tentam evitar. Mas a verdade é que ao tentar criar algo assimétrico a Turtle Rock acabou por criar uma experiência que nem sempre é equilibrada. Se por um lado jogar com amigos torna a experiência muito mais agradável, mais difícil é justificar aos nossos amigos a compra de um jogo que devido à quantidade de DLC’s, se sente que pelo preço de um copo inteiro nos deram apenas meio.

RECOMENDA EVOLVE

Author Vando Enes
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Categories Análises
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