Exploração, expansão e gloria!

Entramos numa era onde a exploração espacial é cada vez mais do interesse para quem gosta de Ficção Cientifica e temos como exemplo os vários filmes recentemente realizados que abordam precisamente o género, sendo que agora começa também a surgir um crescente número de jogos igualmente nesse sentido.
A Paradox Interactive aproveitou muito bem a moda na concepção Stellaris, um jogo que aborda o conceito de um modo muito interessante e original, partindo da estratégia em tempo real cujo objectivo passa por explorar o universo aumentando assim o território do nosso império. A empresa Sueca mostra já ser uma das melhores no que toca a criar jogos de estratégia, criando títulos que facilmente ficam na memória dos jogadores cercando o tema de um forma sempre criativa.

Stellaris começa pela escolha da nossa facção, existindo inicialmente algumas por defeito, no entanto podemos igualmente criar uma totalmente nova, em que tudo é editável, desde bandeiras, naves, nomes, o tipo de planeta onde habitamos, a aparência da nossa espécie, das nossas naves, as nossas armas iniciais, enfim, tudo o que se possa imaginar. Convém contudo referir aquela que é talvez uma das mais importantes, a ética da nossa sociedade e há diversas possibilidades, desde Espiritualista, Militarista, Xenófobo, Individualista, Materialista, Pacifista, Xenófilo e Coletivista. Significa isto que conforme a ética que escolhemos deverá ser essa a filosofia a seguir, caso contrário seremos penalizados.

Depois de tudo escolhido começamos no nosso Sistema, com a opção de começar no nosso Sistema Solar, não sendo no entanto obrigatório.

Não é difícil ficarmos algo perdidos no início, há algumas missões que nos são atribuídas no começo e funcionam como tutorial ensinando o básico, mas a verdade é que se fica com a sensação que esse tutorial não é suficientemente eficaz para sentirmos que já entendemos as mecânicas do jogo. O resultado é a inevitabilidade de se aprender praticamente através da tentativa e erro, uma vez que a enorme complexidade, assim como a quantidade de coisas diferentes que temos de conhecer inicialmente tornam a dificuldade de Stellaris um verdadeiro desafio. Todavia, nada que se revele como impeditivo, porque passando a curva de aprendizagem, tudo começa a fluir com mais facilidade, ficando cada vez mais interessante, particularmente na vontade que nos provoca em explorar, encontrar novos mundos e outros habitantes. Em último caso existe sempre a opção de Ajuda que nos poderá guiar se estivermos completamente perdidos.

Como qualquer jogo de exploração espacial, um dos componentes mais importantes reside na variedade de naves que nos é oferecida e são 4 as classes que temos ao nosso dispor: Militares, Pesquisa, Construção e Colonização. Estas últimas servem simplesmente para fazer a viagem até ao planeta em questão e darem lugar à base principal, feito isso extinguem-se. As Naves Militares, como o nome indica, são as forças armadas do nosso Império, seja com o propósito de nos defender, ou de expandir o nosso território, caso a diplomacia falhe. Quanto às Naves de Pesquisa, têm a missão de explorar e desvendar tudo o que um sistema tem para oferecer, sendo as únicas que permitem averiguar todos os recursos que os vários planetas têm, até mesmo se é possível a sua colonização. Já as naves de construção são usadas na construção das diversas infraestruturas, de modo a extrair os recursos existentes, que se dividem essencialmente em três, Energéticos, Minerais e Influência, há depois uma subclasse que abrange os recursos de Pesquisa de Física, Sociedade e Engenharia, sem se esgotar aqui, porque o próprio progresso tecnológico permite a descoberta de novos recursos.

Os recursos Minerais e Energéticos podem ser obtidos a partir dos planetas que vamos descobrindo, contudo, no caso da Pesquisa de Física, Pesquisa de Sociedade e Pesquisa de Engenharia ocorrem na colonização de outros Planetas e na construção das respectivas infraestruturas. O recurso mais complicado de conseguir é mesmo a Influencia, visto que depende de diversos factores políticos.

Quando a nossa exploração já atingiu uma dimensão elevada é possível a criação de facções dentro do próprio Império às quais podemos posteriormente dar independência e autonomia, de forma a que façam a sua própria gestão seguindo ainda assim um ideal determinado por nós, isto é, é possível indicar-lhes o tipo de medidas a adoptarem, desde focarem-se nas forças militares, a focarem-se nas componentes mais viradas para a exploração energética ou de minerais.

Abordando a exploração, quanto mais percorremos a galáxia, mais povos vamos encontrando, uns amigáveis, outros bastante hostis, avançados ou não do ponto de vista tecnológico, enfim, um pouco de tudo. E esta é outra das atracções do jogo, ou seja, é possível criar ou entrar em alianças já existentes e a declaração de guerras seja a povos a alianças é outros dos processos naturais do jogo assim como a assinatura de tratados de paz ou comércio.

Este é o verdadeiro potencial de Stellaris, e o segredo passa muito pela sabedoria de quando usar tanto a diplomacia como o poder militar e especialmente como lidamos com as forças rebeldes que tantos problemas nos causam no começo. O aconselhável é seguir quase o princípio da ética escolhida, sendo assim possível juntar o útil ao agradável, todavia convém referir que no final a decisão é sempre nossa.

Em termos gráficos Stellaris não impressiona propriamente, mas também não desilude, enquadra-se perfeitamente naquilo para que o jogo foi concebido, não precisando de grandes efeitos para cativar. Há grande variedade de planetas e até as naves e os diversos tipos de civilização foram pensados com uma imensa criatividade. E uma nota especial para as batalhas no espaço que possuem um nível de detalhe e efeitos com bastante qualidade.

Existe também a componente multiplayer, onde podemos tanto criar um jogo e jogar com desconhecidos ou mesmo os nosso amigos, ou se preferirem podemos entrar no jogo de outro jogador e começarmos a nossa exploração a partir dai, a escolha é vossa. A verdade é que esta é uma excelente opção pois o factor humano faz sempre os jogos serem diferentes, uma componente que não podia faltar num jogo como este.

Para concluir podemos dizer que a Paradox Interactive desenvolveu, uma vez mais, um excelente jogo, cujas escolhas e acções dentro do mesmo são vitais para afectar a história que se vai criando, e particularmente para as relações que se vão estabelecendo. Para quem gosta de estratégia e exploração espacial, Stellaris é obrigatório.

SimENaoStellaris

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