Penso que qualquer jogador que se preze, já tocou nem que seja por uma vez nos chamados city builders e ao longo dos vários anos já nos passaram imensos pelas mãos. Existem para todos os gostos, desde Sim City, Settlers, Cities: Skylines, Cities XL, entre muitos outros. E se uns têm apenas a componente de construção e gestão da economia, outro há em que até gerimos os habitantes, soldados, etc.

Pois bem, hoje trago um novo city builder, chama-se New Frontier Days – Founding Pioneers e foi desenvolvido pela Arc System Works, estreando-se dia 3 de Março na Nintendo Switch, e já no dia 16 de Março tinha sido a vez da pequena portátil da Nintendo – a Nintendo 3DS – em recebê-lo.

Em New Frontier Days – Founding Pioneers, temos como principal aliado os nossos exploradores e começo por referi-los, uma vez que sem eles não seria possível jogar. São eles que fazem todo o trabalho no jogo, que angariam o material necessário, constroem edifícios e especialmente obter dinheiro ou comida. Tudo para funcionar necessita de um explorador, seja para cortar árvores, partir pedra, criar madeira, criar tijolos, etc. Como já perceberam este jogo usa um sistema bastante diferente dos vários simuladores a que habituámos (como os famosos Sim City,  Cities: Skylines, etc).

Além dos exploradores, existem outras coisas que às quais é necessário dedicar especial atenção e mencionarei três que são indispensáveis para obtermos sucesso neste jogo – ter sempre bastante alimento de reserva; nunca passarmos de saldo positivo para negativo; e por último, reduzir ao máximo a quantidade de lixo. Exactamente – lixo – quase tudo o que produzimos neste jogo cria lixo e quanto mais acumularmos, pior é para a nossa sociedade, provocando o seu descontentamento.

Como em qualquer civilização, é necessário evoluir e crescer. Ora, é isso mesmo que acontece em New Frontier Days – Founding Pioneers e no início começamos apenas com o edifício principal e nada mais. A partir desse edifício podemos criar novos exploradores, desde que se encontre um explorador dentro do edifício (sendo este um dos pontos fracos do jogo). A pergunta que se coloca neste caso é: Existe alguma máquina criadora de bonecos em que é preciso outro para dar à manivela?

Mas adiante…

Para cada explorador que quiserem acrescentar ao jogo é obrigatória a casa correspondente e no início é vital pescar, rachar árvores e partir pedra. É a partir daí que se conseguem construir os primeiros edifícios. Inicialmente uma fogueira onde vão poder grelhar o peixe e obter comida, depois o edifício para tratar da lenha e conseguirem madeira para novas construções e até para aumentarem a vossa riqueza.

Algo que também tenho de referir é que tudo tem um preço – literalmente – e sempre que usarem um edifício para algo como obter madeira, ou colocarem um dos vossos exploradores na fábrica a trabalhar, é inevitável ter de se pagar por isso. Isto é, pagam para construir o edifício, para obter madeira a partir da lenha que os vossos exploradores andaram a apanhar e no fim, ironicamente, o vosso explorador ainda tem de trabalhar a madeira na fábrica.

Basicamente este é o ponto onde está a dificuldade maior do jogo – na economia – sendo que tudo o que fazem tem de ser pago. Além disso, é preciso saber gerir os vossos exploradores porque serão precisos para tudo o que quiserem fazer. Sem esquecer que quantos mais exploradores tiverem, mais comida será necessária ter disponível. Só depois de jogar é que irão perceber como é angustiante ter de andar sempre com exploradores para fazer seja o que for, resultando em algum aborrecimento após várias horas de jogo. Até me podem que, “em jogos tipo Age of Empires e Starcraft esse sistema é utilizado”. Contudo, é uma meia-verdade, já que nesses jogos precisamos de um trabalhador para construir o edifício, porém, para tratar de coisas dentro do próprio edifício não é necessário. Ao contrário de New Frontier Days – Founding Pioneers cujo explorador é requisitado para tudo.

Mas calma, o jogo não é mau, apenas se torna chato nesse capítulo. No entanto, se conseguirmos ignorar essa parte, acaba por ser engraçado e interessante. Existem diversos períodos de civilizações onde podemos ir avançando conforme vamos tendo os requisitos necessários para as efectuar. Sempre que subimos uma idade civilizacional encontraremos novos edifícios para construir, além da natural mudança de visual dos anteriores.

Uma das coisas mais interessantes no jogo são as Invention Cards, que se tratam de cartas que vamos desbloqueando com o progredir da nossa civilização. Com elas vamos obtendo ajudas, existindo dois tipos de cartas: as passivas que quando as desbloqueamos ficamos logo a receber o seu bónus sem ter de fazer nada; e depois as activas, que são cartas que podemos usar quando quisermos. Estas últimas vão desde adquirir instantaneamente uma quantidade de material, aumentar ou reduzir o preço de algum produto, reduzir o tempo das colheitas, entre muitas outras coisas.

Existem três modos de jogos. O modo Story (história), em que temos Jessica como nossa assistente e vamos evoluindo a nossa civilização um pouco com o que ela nos vai ensinando e dizendo para fazer (a melhor maneira de aprenderem todos os conceitos do jogo e aprenderem como devem jogá-lo. O segundo modo é o Survival (sobrevivência), onde o jogador tem cinco níveis de dificuldade para escolher, são eles Easy, Normal, Hard, Super Hard e Insane. Por último, temos o modo Free (livre), em que não existe nível de dificuldade e podem construir tudo à vossa vontade. São livres para criar a vossa civilização da maneira que bem entenderem. Em qualquer um destes modos, sempre que atingem um determinado objectivo serão premiados de alguma forma – desde dinheiro, a itens.

Para mim, outra falha do jogo é a falta de linguagem em Português, isto porque um jogo com classificação PEGI 4, que pode ser perfeitamente jogado pelos mais pequenos, apenas apresenta idiomas em Chinês, Japonês, Inglês e Coreano. Principalmente no modo história, onde temos sempre imensas instruções de Jessica, fica complicado para crianças conseguirem perceber a quantidade de informação que nos vai sendo dada.

Concluindo, New Frontier Days – Founding Pioneers é um jogo engraçado, com conceitos engraçados e que nos divertem. É complicado jogar durante muito tempo, pois torna-se bastante chato ter sempre de andar com os exploradores para conseguirmos fazer seja o que for. Para quem gosta do género, vale a pena a sua aquisição, visto o seu preço ser bastante acessível.

About The Author

Rui Gonçalves

Desde o tempo do seu Spectrum+2 128k que adora informática. Programador de profissão nunca deixou de lado os jogos, louco por RPGs e jogos de futebol. Adora filmes de acção e de ficção científica, mas depois de ver o Matrix nunca mais foi o mesmo.

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