F1 2015 – Um caso de amor-ódio

Todos os anos, os jogos com a chancela da Fórmula 1 são recebidos com um misto de amor-ódio. O F1 2015 não foge à regra.

A Codemasters fez um bom trabalho no que toca aos sons e ambientes que rodeiam o fim-de-semana da corrida. O engenheiro aconselha-nos e dá updates da corrida, os motores dos carros, fiéis aos originais, ajudam a imersão e até o som do monolugar a ser transportado para a box nos faz sentir dentro de um F1. Com o volante Thrustmaster T300RS sentimos mesmo o carro nas nossas mãos.

Mas já se sabe, os jogos F1 não são para condutores de Domingo. É preciso dedicação e muita concentração, durante toda a corrida, para sairmos com um bom resultado. Qualquer passo em falso implica a perda de lugares. Nos primeiros minutos de jogo é fácil perdermos a concentração ao reparar, por exemplo, nos detalhes da costura das luvas dos pilotos, ou nos diferentes volantes de cada veículo. Esse detalhe em pista e dentro do carro não é, infelizmente, replicado fora dela. O público tem uma animação simplista e mesmo as animações pós-corrida, como a cerimónia de pódio, parece ser representada por três bonecos semelhantes a pilotos, cujas caras têm um ar estranho e artificial.

Não se entende a falta de um modo carreira, presente em títulos anteriores, que nos fazia sentir no centro da acção. No modo campeonato podemos apenas escolher um piloto existente e cumprir o calendário, com objectivos por corrida. Esses objectivos não são fáceis de cumprir, especialmente devido à agressividade da AI, que não hesita em ir contra nós a todo o momento. Apenas com a dificuldade da AI reduzida ao mínimo e com o aumento do nível de dano se sente uma pequena diferença. Sentimos também alguns glitches estranhos de transparências na textura da fibra de carbono, mas mais preocupante, freezes durante a corrida. Se precisarem de parar durante a prova preparem-se: não existe um timer quando regressam ao jogo, o que facilmente faz com que percamos a mão no carro. Felizmente há um botão de flashback, que, fazendo uso do replay, nos coloca uns momentos atrás no tempo. Por falar em funcionalidades, se usarmos um microfone com auricular podemos falar com o nosso engenheiro, pedir ajudas e definir estratégias de pit stop. Uma ideia gira, que exige o máximo de concentração e multitasking.

As pistas de 2015 estão lá todas e as de 2014 também, visto que podemos mudar o jogo para o campeonato do ano anterior. Uma opção engraçada e algo estranha, que sempre dará mais tempo de vida ao jogo, se quiserem andar para trás no tempo e relembrar a extinta Caterham, por exemplo.  O comentário em inglês, antes e depois das corridas, dá uma perspectiva interessante no modo campeonato, fazendo referência à forma das equipas e pilotos. A condução em si, provavelmente o que mais interessa num jogo deste género, é fiel ao que achamos ser a resposta em pista de um carro deste tipo. A degradação dos pneus, as condições do tempo e a diminuição da aderência são factores determinantes na manobrabilidade do monolugar. Se durante uma corrida perderem a asa dianteira, esqueçam a vossa abordagem às curvas. A falta de downforce é notável.

No modo mais completo, Pro Championship, é apenas para os profissionais do volante. Tudo tenta simular a experiência de conduzir um carro, e mais uma vez, com o Thrustmaster T300RS a tarefa é bem cumprida. Sem HUD, sem câmaras além da visão do piloto, sem ajudas a não ser a voz do engenheiro e com o tempo completo do fim-de-semana de corrida, podem encontrar a carreira que sempre sonharam, se tiverem tempo para isso, claro.

Há uma razão pela qual só existem 20 pilotos na F1. Nem todos chegam lá.

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