FIFA 14 – PS4 – Review

No início da época futebolística falávamos da luta entre PES 2014 e FIFA 14 e na comparação que fizemos aqui, se bem se lembram, um dos aspectos que referi que o PES conseguia bater o jogo da EA Sports, era a recriação do ambiente num estádio de futebol. Pois bem, para minha felicidade pessoal e creio que para a felicidade geral de todos os fãs de futebol e de videojogos esse pedido foi concedido através do FIFA 14 agora na nova geração de consolas, nomeadamente na PS4 a versão testada.

E isso acontece através do novo motor que Electronic Arts criou para este e outros jogos, chama-se Ignite e permite fazer o quádruplo dos cálculos que eram feitos na consolas anteriores. O que isto quer dizer basicamente é que temos praticamente um motor dedicado a estes pormenores fora das 4 linhas, como por exemplo, os espectadores já não parecem ser feitos de cartão, têm 3 dimensões e interagem de maneiras diferentes, conforme a situação de jogo e vestem-se a rigor de acordo com o clube pelo qual estão a torcer, mas não são todos iguais. Para além dos espectadores ganharem esta personalidade, ao ficarem mais nervosos com o desenrolar do jogo se estiver empatado ou a motivar a equipa para dar a volta ao mesmo, existe também outros pormenores que não estavam presentes fora das 4 linhas.

Agora temos jogadores no banco também com 3 dimensões, temos jogadores a aquecer na linha lateral, temos apanha-bolas, temos fotógrafos e camera men e temos um variado conjunto de animações dos próprios jogadores fora do terreno de jogo. Agora quando a bola vai fora o jogador vai buscá-la, ou podem passar-lhe a bola, o apanha-bolas pode lha atirar, etc. e o jogador pode ser mais rápido ou mais lento a executar este movimentos conforme o desenrolar do jogo. Pode estar a queimar tempo ou a correr para marcar o canto, efeitos que só acontecem graças ao Ignite que dá um “motor” autónomo para Inteligência Artificial dos jogadores nesta componente mais sentimental. Se preferirem podem dizer que o Ignite dá-lhes um coração.

É claro que este novo motor também tem repercussões em todos os gráficos que vamos encontrar no jogo, os jogadores estão cada vez mais reais e o pormenor vai à capacidade de vermos a relva a levantar do chão em cada remate, os reflexos do suor, o efeito do movimento nas camisolas, os traços e pêlos faciais dos jogadores ou a iluminação que provoca variados tipo de sombra conforme a parte do dia em que decorre o jogo, ou até mesmo as condições atmosféricas estão muito bem retratadas.

E como a EA Sports conseguiu fazer todo este trabalho com o ambiente em volta do jogo, nota-se claramente o orgulho da equipa em fazer com que a “transmissão televisiva” do nosso jogo seja mesmo real. Agora, para além daqueles momentos que já falámos do jogador colocar a bola para marcar o canto, temos também repetições dos melhores momentos até mesmo durante os pontapés de baliza, onde por exemplo o golo marcado por determinado jogador é recordado. Até mesmo a reposição em jogo do Guarda-Redes tem uma “cutscene”. Para alimentar ainda mais esta ideia, agora em estádios emblemáticos/licenciados temos direito a ver o estádio por fora, muito ao estilo de FIFA 98.

Não foi por acaso que grande parte desta review foca-se na componente gráfica, é talvez o aspecto em que EA Sports mais se dedicou, pois a mecânica apesar de estar apurada, nos lances pelo ar e nos remates de cabeça, é a mesma da versão da PS3. Por vezes em câmeras mais longe vamos sentir o jogo um pouco mais lento na movimentação dos jogadores, nas mais perto o jogo mais rápido e intenso e as mesmas dificuldades em mudar de jogador, em especial a defender, para não perder o equilíbrio e ficar fora da jogada.

A minha única grande tristeza prende-se com os Modos de Jogo. Continuamos a ter o modo Career, Pro Clubs, Online Friendlies, Ultimate Team, Seasons, Co-op Seasons e Skill Games, mas ficar sem o Be a Pro, Head to Head, Creation Centre, FIFA Interactive World Cup e em especial (esta custa-me mesmo…), o Tournament, representa uma grande falha na transição para a PS4. Não consigo entender como é que se pode tirar o modo que fazia com que reuníssemos os nossos amigos numa disputa por uma Taça. Agora só o podemos fazer em Kick-Off e depois apontarmos num papelinho como antigamente.

Mas nesta versão da nova geração podemos encontrar também novos menus, mais dinâmicos e rápidos, os modos de carreira garantem horas e horas de jogo, especialmente para quem gosta de recrutar jovens promessas e torná-los os “Cristiano Ronaldo da vida”. Não nos podemos esquecer de algo vital deste FIFA 14, as actualizações constantes dos jogadores é incrível. Num campeonato com menor expressão como o nosso, a verdade é que na semana em que Ivan Cavaleiro se estreou a titular, a EA Sports criou o jogador e colocou-o no Benfica, o mesmo se passou com o Bernardo Silva ou com as transferências de Inverno. A verdade é que o futuro dos jogos de desporto poderão residir nas actualizações que são feitas e quem sabe se no futuro não teremos apenas um jogo e depois vamos descarregando updates e rosters.

Podemos dizer FIFA 14 é o melhor simulador de futebol para a PS4, não só porque não há mais nenhum, mas porque apesar de ficar aquém nos modos de jogo que encontramos na PS3, o novo motor Ignite é capaz de fazer verdadeiras maravilhas e poderá elevar a fasquia, e muito, não só para FIFA 15, mas para a concorrência que no reinado da PS3 nem uma vez conseguiu tirar o trono ao jogo da Electronic Arts. Mais uma vez o FIFA parece estar à frente na corrida e sai vencedor na entrada na nova geração de consolas.

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