Birthright ou Conquest… Jogar ou jogar, eis a questão?

Foi em 2012 que a Nintendo decidiu trazer Fire Emblem Awakening para a sua consola portátil. Quatro anos depois, os fãs da saga de RPG de Estratégia podem rejubilar com seu regresso, que chega em exclusivo para a família de consolas Nintendo 3DS em dose tripla, com Fire Emblem Fates a desdobrar-se em três aventuras distintas: Fire Emblem Fates: Birthright, Fire Emblem Fates: Conquest e Fire Emblem Fates: Revelation (esta última disponível apenas via Nintendo eShop e edição especial). O Salão de Jogos já completou as campanhas de Birthright e Conquest, e eis o que temos para dizer.

Para começar, em qualquer dos jogos, há três níveis de dificuldade: Normal, Hard e Lunatic. Além disso, há também três modos de jogo disponíveis, sendo que estes determinam o quão castigador ou clemente o jogo é. O primeiro modo, o Classic, inclui a temida morte permanente – qualquer personagem que morra durante uma batalha, continua morta durante o resto do jogo. Todas as decisões contam, e qualquer momento de desatenção leva-nos rapidamente a ter de pressionar os botões L, R e o Start para fazer um reset ao jogo. Apesar de ser extremamente gratificante completar o jogo sem perder ninguém pelo caminho, a verdade é que isso se torna algo absurdamente difícil, sobretudo se jogarmos em Hard ou Lunatic. Para experiências de jogo mais relaxadas, podemos escolher os modos Casual ou Phoenix. Estes permitem que uma personagem derrotada numa batalha regresse no capítulo seguinte, ou que ressuscite ainda durante a mesma batalha passado um bocado, respectivamente. O jogo também permite diminuir (mas não aumentar) o nível de dificuldade quase em qualquer altura, o que significa que se forem demasiado optimistas no início (como nóos fomos), não precisam de começar tudo de novo.

Em termos gráficos, o jogo mantém-se fiel à saga, com apenas alguns retoques que lhe dão um ar mais fresco. Durante os diálogos, por exemplos, as personagens trazem uma dimensão estética mais estilizada em comparação com o predecessor Fire Emblem Awakening. As melhorias neste campo estão igualmente presentes no uso do 3D nas sequências de animação, que é possivelmente o melhor que já vimos num jogo para a Nintendo 3DS. As animações durante as batalhas estão também melhores, com a câmara a fazer um zoom às personagens 2D desde a vista aérea para mostrar as animações dos modelos 3D sem fazer um fade out durante esta transição. São melhorias simples, é certo, mas estes toques de subtileza demonstram que este jogo não é só uma recauchutagem do título anterior.

Outra novidade de realce é o castelo, onde descansamos entre os vários níveis. Dentro do castelo, podemos construir e melhorar lojas, estátuas, um templo e ainda a nossa própria casa. As personagens que vamos conhecendo ao longo da aventura aparecem no castelo de tempos a tempos – às vezes trazem um item para nos oferecer; outras vezes pedem que lhes demos um acessório. É uma espécie de cruzamento com Animal Crossing, mas não tão elaborado. É também no castelo que a funcionalidade StreetPass entra em acção. Por exemplo, podemos visitar castelos de outros jogadores e, até, travar batalhas por lá. Podemos ainda lutar com outros jogadores tanto em modo local como online.

O título segue uma estrutura bastante consistente: história, batalha, história, descanso. Ainda que pareça repetitivo, a verdade é que a história é interessante e a interacção entre as personagens é ainda mais. Quando as personagens lutam lado a lado (por exemplo, em espaços adjacentes ou em pares), o seu support level aumenta e, de cada vez que isso acontece, têm uma conversa pessoal. Nem todas as conversas são maravilhosas, mas podem ser bastante divertidas e interessantes, sobretudo se nos apegarmos a certas personagens (o que é bastante provável que aconteça, já que passamos a maior parte do tempo a tentar fazer com que não morram). Se aumentarmos o support level das personagens até S rank, elas casam e têm filhos. Esta funcionalidade apareceu inicialmente em Fire Emblem Awakening, sendo que os filhos das nossas personagens vinham do futuro e juntavam-se a nós no jogo de uma forma que fazia sentido no contexto geral da história. Agora, contudo, a explicação para o facto de as crianças crescerem tão rapidamente é um bocado rebuscada, algo desculpável já que mantém a funcionalidade no jogo. Em Fire Emblem Fates: Conquest, é bastante provável que precisem de muitas mais personagens, pelo que dá jeito conseguir recrutar mãos extra para ajudar na campanha principal.

O que nos leva às diferenças entre as versões. Independentemente de jogarem Fire Emblem Fates; Birthright ou Fire Emblem Fates: Conquest, o jogo começa da mesma forma: a história começa connosco do lado de Nohr, depois avançamos para o lado de Hoshido e só aí decidimos qual dos lados escolhemos. Uma vez que escolhemos ao comprarmos o jogo, a verdade é que fazemos a escolha antes de começarmos a jornada. Isto significa que podemos, por exemplo, comprar Fire Emblem Fates: Conquest, começar a jogar, chegar à conclusão de que não queremos jogar naquele lado da história (Nohr), mas não podemos fazer nada a não ser resignarmo-nos a esse facto, ou largarmos mais algumas notas para jogarmos Fire Emblem Fates: Birthright (Hoshido). Se adquirirem a versão digital de Fire Emblem Fates através da Nintendo eShop, contudo, podem efectivamente escolher o caminho que querem já dentro do jogo. Tendo em conta a forma como tudo começa, achamos pouco provável que alguém queira ficar do lado de Nohr. A história de Fire Emblem Fates: Birthright tem a trama típica de “bem contra o mal”, com algumas reviravoltas e uma boa narrativa. No final do jogo, há algumas questões que ficam por resolver, mas nada que não seja de esperar, já que há dois títulos para agarrar.

Jogámos Fire Emblem Fates: Conquest depois de completarmos Fire Emblem Fates: Birthright. Como já explicámos, escolher o lado de Nohr parece quase ilógico do ponto de vista do enredo e, por isso, os primeiros momentos de Conquest são um bocado esquisitos. Contudo, à medida que avançamos no jogo, a história melhora substancialmente. É muito mais negra, mas com uma campanha bem longe de um “bora-lá-conquistar-isto-tudo” desmiolado. Tomando uma direcção inesperada e bem mais aliciante, o Rei Garon submete a nossa personagem a desafios desnecessariamente desconfortáveis e maliciosos. No fundo, é uma boa alternativa à habitual estrutura “bem contra o mal” (se bem que essa dialética continua presente, mas de uma forma muito mais sureptícia).

Fire Emblem Fates: Conquest oferece, ainda, objectivos de missão mais variados. Se em Fire Emblem Fates: Birthright a maior parte das missões tem como objectivo derrotar todos os inimigos ou derrotar o boss, em no primeiro há dose extra de desafio – por exemplo, podemos ter de derrotar a malta toda num determinado número de rondas. Além disso, tendo em conta que não há muitas oportunidades de ganhar experiência para lá das batalhas, é preciso sermos muito mais cautelosos com as decisões que tomamos. Pode ser mais fácil derrotar inimigos com personagens mais fortes, mas se nunca treinarmos as personagens mais fracas, elas acabam por não se desenvolverem o suficiente para que as utilizemos mais tarde (e olhem que vão fazer falta!). Isto torna a experiência de jogo muito mais aliciante, já que nos obriga a pensar e planear cada jogada cuidadosamente para nos certificarmos: que podemos atacar sem sofrer dano no contra-ataque, que ligamos ataques de modo a aumentar o support link das nossas personagens, e que não ficamos demasiado expostos a ataques na ronda dos inimigos. Em Fire Emblem Fates: Birthright, as coisas são um bocado mais tranquilas. Se não formos suficientemente fortes para ultrapassar uma certa missão, podemos sempre treinar em batalhas paralelas à história principal e adquirir a experiência necessária.

Em suma, tanto Fire Emblem Fates: Birthright como Fire Emblem Fates: Conquest são brutais, sendo jogos individuais em pleno direito, ainda que tenham muito em comum. Se nunca jogaram Fire Emblem, Birthright é um título perfeito para se habituarem à mecânica de jogo, sem se fundarem na dificuldade de Conquest, sendo que a história também satisfaz. Se já jogaram Fire Emblem e são fãs da série (sobretudo se jogaram o antecessor Awakening) e estão à procura de algo um bocadinho mais puxado, escolham o Conquest. A história pode começar um pouco estranha, mas melhora à medida que progredimos no jogo, e a dose de dificuldade extra torna-o muito recompensador quando (finalmente) o conseguimos completar.

O Salão de Jogos está neste momento a jogar Fire Emblem Fates: Revelations, pelo que podem esperar por uma review detalhada desta terceira aventura em breve.

O-Salao-Recomenda-Fire-Emblem-Fates

 

 Texto escrito em colaboração com Ciaran Edwards.

Author Rute Correia
Published
Categories Análises
Views 115
Ir para a barra de ferramentas