Get Even: Entre a realidade e a fantasia

Cole Black acordou sem saber quem é nem onde está. Na sua mão está um smartphone que lhe diz para “salvar a rapariga”. Esta é premissa de Get Even, um jogo que mistura first-person shooter com puzzles e alguns elementos de horror.

Rapidamente percebemos que nem tudo é o que parece. Presos dentro de um hospício abandonado, há uma voz misteriosa que nos guia pelos corredores repletos de outros doentes, que tal como nós, tem um aparelho estranho na cabeça. Esta voz dá pelo nome de Red, e não é claro se está aqui para nos ajudar ou nem por isso.

Este é o maior ponto positivo de Get Even. A curiosidade em saber o que se passa. Quem somos? Quem é Red? A linha entre a realidade e fantasia é muito ténue. E até ao fim do jogo as respostas nunca são definitivas. Os fragmentos de memórias que nos vão chegando são suficientes para ir percebendo partes da história, mas frequentemente trazem-nos mais perguntas que respostas.

A melhor arma do jogo é o nosso smartphone. Essencial para resolver os mais variados puzzles que o jogo nos atira, este tem funções como lanterna de luz ultra-violeta, sensor térmico, mapa e até um scanner que nos dá informação sobre o item ao qual estamos a apontar.

Mas Get Even não vive só de puzzles, e existem algumas armas ao nosso dispor. Claramente uma das mais especiais é a Corner-Gun, que nos permite disparar nos cantos sem sermos vistos. Através de uma câmara presente na arma, conseguimos disparar sobre os inimigos desde uma esquina sem que eles nos vejam.

Ser furtivo é também uma opção, conseguimos ir de canto a canto de arma com silenciador eliminando tudo ao nosso redor. Infelizmente a inteligência artificial não é muito inteligente, e apenas reage a contacto visual. Ou seja, qualquer outro tipo de ruído não afecta minimamente o comportamento dos inimigos, tornando redundante o facto de usarmos silenciador ou não.

E este é o grande problema de Get Even. Quer fazer tudo e acaba por não ser excepcional em nenhuma delas. Disparar sobre os inimigos é apenas banal, falta-lhe peso, as mecânicas de stealth não são particularmente boas e não é o suficientemente assustador para ser considerado um verdadeiro jogo de horror. Felizmente é salvo por um argumento consistente e bastante interessante suportado por actores de voz excelentes, principalmente a voz de Cole Black que nos transporta imediatamente para dentro do jogo.

Get Even é um jogo ambicioso. Visualmente é mais do que competente, levando-nos a vários sítios e sempre bastante atmosférico. A tentativa de misturar vários géneros é de louvar mas na prática o resultado é frequentemente medíocre. Mas para cada secção de disparos pouco inspirada existe logo de seguida um fragmento daquilo que Get Even faz melhor, contar uma história fantástica.

Autor Vando Enes
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Categorias Análises
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