GTA V (PC) – Bem-vindo a casa

Depois de passar pela geração de consolas anterior e corrente e após vários atrasos, GTA V, indiscutivelmente o maior blockbuster dos videojogos chega finalmente ao PC. E 17 meses de espera não chegou para baixar o interesse de quem esperava ver Los Santos em toda a sua glória. No dia de lançamento o fluxo de jogadores de PC desejosos em meter as mãos no título chegou para entupir os servidores da Rockstar. Mas será que valeu a pena o tempo esperado?

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Sim, é a resposta mais simples. GTA V sente-se em casa no PC. Contrariando o receio por parte de alguns jogadores de que aconteceria o mesmo que na iteração anterior, onde a versão para PC de GTA IV que ficaria famosa por não ser particularmente bem optimizada, mesmo tendo uma fidelidade gráfica superior à versão das consolas, seria tudo à custa de requerimentos de hardware elevados. Mas aqui, a Rockstar não tomou meias medidas e o port ficou a cargo da mesma equipa que nos trouxe Max Payne 3 para o PC, também ele uma versão excelente. Logo à partida, somos presenteados com uma enorme panóplia de opções gráficas. Tipos de antialiasing, resolução, qualidade de texturas, distância visível, quantidade de pessoas, carros e muito mais. Tudo isto com uma sempre visível barra indicadora da quantidade de VRAM a ser utilizada. Logo aqui conseguimos perceber que GTA V não é apenas um port, mas sim uma versão feita a pensar no PC. Obrigado Rockstar.

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Mas na prática em que se traduz todas estas opções gráficas no jogo? Em imersão. A cidade de Los Santos torna-se ainda mais vibrante, o burburinho das ruas cheias de pessoas nas suas vidas digitais, o trânsito incessante, um horizonte quase sem fim e como que a cereja no topo do bolo, uns suaves 60+ frames por segundo. Sendo a única versão de GTA V que não está presa aos 30fps, esta é uma das maiores diferenças em relação à versão das consolas, onde tudo fica mais fluido, mais real. Descer as avenidas de Los Santos de mota a alta velocidade e em modo primeira pessoa, em que cada micro-segundo pode significar o encontro da nossa cara contra o asfalto, é por si só, uma experiência incrível e só possível desta forma no PC. E para quem tenha a sorte de ter uma máquina suficientemente poderosa, existe sempre possibilidade de subir a resolução até uns gloriosos 4K.

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Há claramente atenção às necessidades dos jogadores no PC, tal como a possibilidade de trocarmos em tempo real, o controlo da nossa personagem com teclado e rato e conduzir com um gamepad, não havendo a necessidade de escolher entre um deles no menu de opções e conseguindo assim o melhor de dois mundos. Infelizmente nem tudo é perfeito. Apesar de haver uma opção de fov (campo de visão), mesmo ajustando o slider ao máximo, a visão em primeiro pessoa continua claustrofóbica, sendo a nossa visão periférica demasiado reduzida. Mas é aqui que entramos noutra vantagem da versão PC, a possibilidade de mods. Em poucos dias após o lançamento de GTA V, vários mods inundaram a Internet, desde voar como o Super Homem, armas que disparam carros ou algo mais prático como alterar o fov à nossa vontade.

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Outro elemento exclusivo a esta versão é o Rockstar Editor, um editor de video dentro do próprio jogo. Uma ferramenta criativa que nos permite criar curtas-metragens com muitas das personagens do jogo. Surpreendentemente complexa, com várias opções, entre as quais a mudança de ângulos de câmara, filtros de cor e escolha de banda-sonora. Como se não bastasse o extenso mundo de Los Santos para explorar, esta é mais uma forma de acrescentar horas de jogo, enquanto tentamos captar aquele momento perfeito de um murro em câmara lenta na cara de um transeunte desprevenido.

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Já o online de GTA V continua a ser o que sempre foi, um caos, e isto no melhor dos sentidos. Apesar de alguns problemas com lag e a ocasional desconexão durante jogos, é um frenesim de matança a alta velocidade, seja a pé, de carro ou avião. Uma cidade repleta de gente insana que mata e rouba tudo o que lhe aparece à frente, ou seja, puro divertimento.

Para o bem e para o mal, não há nenhum jogo como GTA V. Uma caricatura mordaz à cultura norte-americana, roçando e ultrapassando sempre que pode, o limite do politicamente correcto, mesmo que por vezes caia na piada fácil ou adolescente. Mas é isto que ansiamos a cada iteração de GTA. Uma hipérbole do mundo onde vivemos, maior que a vida e onde podemos exorcizar todos os nossos demónios. E este universo tem agora uma nova casa, o PC. Bem-vindos à versão definitiva de GTA V.

GTA V REVIEW

Author Vando Enes
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Categories Análises
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