Ainda no outro dia estava a tentar responder à pergunta de um amigo meu sobre o Destiny. Perguntava-me ele “porque é que gostas tanto do jogo, és um agarrado a isso!” Essa pergunta fez-me pensar e ainda mais com o lançamento do Destiny 2. A verdade é que não outro jogo em que eu tenha investido tanto tempo e dinheiro, para ser honesto. Destiny trouxe-me algo de volta que eu tinha perdido, para além da fé nos FPS, tinha perdido aquela componente social com os meus amigos. A idade e a era moderna e digital fez-me perder as longas tardes com os meus amigos lá em casa a jogarmos jogos de fio a pavio e alternarmos a vez para avançar os níveis, ou simplesmente os desafiar em partidas. A Bungie trouxe-me esse sentimento de volta, da partilha, da comunicação, do ser social, do transportar o jogo para as conversas por telefone ou por “what’saap”, e Destiny 2 tinha que cumprir o objectivo de nos dar razões para continuar a fazê-lo, ou melhor dizendo, para nos entregar um jogo onde isso fosse o centro de tudo.

Acho que depois de terminada a campanha, posso afirmar que a Bungie o conseguiu! Mas mais do que isso, entregou-nos uma história coerente, empolgante, desafiante e cheia de peripécias e de várias linhas de continuidade que sustentam todo o jogo depois de terminarmos essa campanha.

Comecemos por aí, para aqueles que chegam agora até ao jogo, basicamente a Red Legion liderada por Ghaul da raça Cabal, tomou de assalto a nossa Torre, basicamente o espaço social que nos acolheu desde o primeiro jogo, e com essa tomada de posse, quase que obliterou todos os Guardiões, mas mais do que isso aprisionou o Traveler, essa entidade desconhecida que nos deu a nossa querida Light, esse nosso poder misterioso que nos dá as habilidades especiais, e com isso retirou-nos todos esses poderes e tornou-nos comuns mortais. No entanto a mortalidade não nos tirou a vivacidade e o espírito de retaliação e como tal, vamos tentar reunir todos os líderes das classes, viajando pelos planetas onde se recolheram, para tentar organizar a rebelião contra este monstro e a sua máquina destrutiva que ameaça no fundo a galáxia.

Como é habitual não queremos estragar a vossa experiência e como tal não vamos aprofundar muito mais a história, porque desta vez acho que vão muitas vezes ficar surpreendidos. A Bungie ouviu assim a comunidade e entregou uma história com conteúdo e sumo para a continuidade, até porque todos nós já sabemos que por esta altura e dado o consumo dos jogadores, de forma quase viciada, facilmente termina a campanha e depois procura razão para continuar de volta do jogo, e a forma que a Bungie arranjou de fazer isso, foi dar-nos mapas realmente grandes em todos os planetas, no início desprover-nos do nosso Sparrow para percorrer os planetas a pé, e entregar-nos alguns NPC’s que nos vão enchendo de motivos de exploração.

O equilíbrio parece-me que foi a palavra chave neste jogo, ou pelo menos a tentativa disso mesmo, na questão dos mapas, a sua vastidão obriga-nos a considerar cada canto como um possível local de exploração, seja os Lost Sectors, onde poderemos encontrar inimigos verdadeiramente poderosos com um loot muito interessante para saquearmos, seja outros segredos escondidos através de marcas especiais. Mais do que isso, os Public Events agora são cronometrados, isto é, já não precisamos de ter algumas aplicações para saber onde vão decorrer, elas aparecem no mapa e com o timer de quando vão estar activos, para além disso há algumas formas de os tornar heróicos e de receber recompensas ainda maiores. Os Public Events tornaram-se ainda mais importantes porque é ao completá-los com outros Guardiões que vamos activando a possibilidade de ganharmos as nossas queridas sub-classes, e ainda todas as semanas um dos planetas é considerado Flashpoint, isto é, dará recompensas ainda maiores.

Falava de equilíbrio e tem a haver com o facto de existir estes mapas muito grandes e muitas actividades paralelas, mas no entanto a preocupação foi tornar as viagens muito mais rápidas de pontos para pontos, já não precisamos de ir para órbita para andar de um ponto do mapa para outro, agora temos uma espécie de Fast Travel que nos permite o fazer. O equilíbrio faz-se também sentir na nova forma de ordenar as armas, agora temos as armas kinect, e as armas com damage especiais, divididas na verdade em duas slots, as armas mais leves e as mais pesadas. Isto faz com que agora possamos ter por exemplo hand cannons com damage específico de arc, void, ou fire na segunda slot, não havendo assim uma divisão que fazia com que as pulse rifles, scout rifles, hand cannons e auto rifles estivessem na primeira slot, na segunda as sniper rifles, shotguns, sidearms e fusion rifles, e na terceira os rocket lunchers, machine guns e as swords.

Pode parecer apenas uma forma diferente de arrumar as coisas, mas faz com que de facto pensemos mais nas qualidades das armas e do jeito que nos podem dar do que propriamente uma obrigação pela posição das slots. Para além disso, as armas, mas também as armaduras podem ser customizadas com perks que vamos ganhando, para além das suas próprias perks, o que torna muito mais aliciante transformar uma arma banal, na nossa arma de eleição. Pode ser complexo ao início, mas é surpreendentemente interessante, até porque podemos conjugar o nosso setup para que determinadas armas reajam ao perks de outra que temos equipada, mas ficaria a falar disso durante muito tempo e por isso passemos a mais alguns detalhes do jogo.

Graficamente, por exemplo, o jogo subiu um degrau, apesar de muitas localizações e inimigos nos serem familiares, todos os detalhes ganharam uma nova vida, basta ver os poderes de cada guardião a funcionar, para perceber que por exemplo o sistema de partículas de cada um tem um brilho e uma imersão diferente, a chuva, o fogo, a poeira, todos esses detalhes ganharam um novo polimento, mas onde se nota ainda mais é de facto nas cutscenes que parecem quase reais e na imensidão que sentimos nos mapas, por vezes ficamos parados apenas maravilhados com os cenários magnânimos do jogo, ficamos mesmo pasmados com as áreas abertas.

Eu não quero ser muito chato e me alongar muito mais porque acho que ficaria dias a escrever sobre o assunto, portanto vou dar-vos conta do essencial que falta referir, que vão ter muitas aventuras para completar e para subir de nível, que subir de nível exige que tenham de suar umas boas horinhas, que existe sempre o que fazer, que existe incentivo à repetição até da própria história em si, e até mesmo com outras personagens, que ter um clã vale muito a pena porque as recompensas também o são, que o PVP está mais apurado, especialmente por aquele equilíbrio que referi das armas, que os novos modos exigem de facto coordenação e estratégia, estratégia essa que passa também pelo novo elemento incrementado nos nossos guardiões como o caso da barreira do Titan para nos proteger ou do ponto de revitalização da energia do Warlock, e tudo isto sem falar do Raid, que nesta altura ainda nem sequer está activo, tal como o Trials of The Nine, sim agora mudou de nome, que nos dará ainda mais motivos, tal como, prevejo eu, o regresso do Iron Banner, até porque não sabemos onde anda Lord Saladin.

Destiny 2, para mim enquanto viciado e entusiasta do jogo, deu-me aquilo que procurava, horas para perder em busca, em aventuras com os amigos, em guerras titânicas, com uma história finalmente bem fundamentada e argumentada, em que tanto podemos jogar uns 15 minutos como dias a fio sem dormir, e acho que a comunidade vai ficar feliz por ver que a Bungie no fundo nos ouviu.

4.5

Sim

  • Graficamente superior
  • História densa e apaixonante
  • Maior durabilidade e extensão de mapas

Não

  • Alguns dos elementos permanentes serem agora consumíveis
  • A tentativa de nos obrigar a fazer micro-transações
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