Há clássicos que merecem ser tratados assim

Eu sou daqueles que dizem sim às remasterizações. Mas para isso acontecer, tem que ser um grande jogo! Remasterizar por remasterizar seja de uma geração anterior para a nova, ou a compilação de jogos em várias plataformas adaptados para a nova geração só funcionam se no fundo, o seu jogo original for uma obra prima. Tenho sentido que tornou-se um hábito remasterizar, colocar todos os DLC’s numa nova edição e “cá vai disto”. No entanto nem todos têm sido um sucesso de vendas, por essa razão ou por outras, (o factor “investimento” pessoal), algo que não deverá acontecer com Grim Fandango, jogo que originalmente surgiu nos PC’s e agora chega às consolas da Sony.

Eu ainda sou do tempo em que se esperava uma eternidade por apenas um jogo, que ele saísse, que o vizinho do lado, que tinha um computador melhor que o meu, comprasse esse jogo e depois jogássemos juntos ou me emprestasse, portanto, Grim Fandango tem essa carga emocional para mim. Mas tem essa carga também pela irreverência, pela narrativa, pelo ambiente, pelos puzzles e pelo sentido de humor.

Para os mais novos, que vão entrar neste “mundo” pela primeira vez, contextualizemos a história. Grim Fandango tem lugar na Terra dos Mortos, onde as almas que partiram recentemente tentam chegar ao chamado “Ninth Underworld“. As boas acções em vida são recompensados ​​pelo acesso a melhores pacotes de viagem até lá. Sendo que o melhor será o comboio “Number Nine“, um comboio que leva apenas 4 minutos a lá chegar, e a pior das opções será ir a pé onde demorarão 4 anos até lá chegar. Os Agentes de Viagens do Departamento da Morte, agem como se fossem o Grim Reaper, “escoltando” as almas do Mundo Mortal para a Terra dos Mortos, e com isso determinar o modo de transporte a que a alma mereceu. É neste ponto que encontramos a nossa personagem principal, Manny Calavera, um desses agentes que parece condenado a apenas arranjar clientes que terão que ir a pé. No entanto tudo se altera com o aparecimento de Mercedes Colomar, ou então não… Mas prefiro não me alongar muito na trama, a verdade é que logo no início do jogo vão perceber esta e outras ligações com a cultura Azteca, onde o Dia de los Muertos é uma influência fulcral para a história do jogo, até porque uma das primeiras acções terá como pano de fundo uma parada comemorativa desse mesmo dia, onde as almas estão autorizadas a visitar as suas famílias na terra dos vivos.

Como podem perceber, a história, a narrativa, é um dos aspectos fulcrais para o sucesso deste jogo e para o ter tornado num verdadeiro clássico. Mas há mais razões, o ambiente de film noir, referências a obras de culto como The Maltese Falcon, On the Waterfront ou Casablanca, e é claro, o facto de ser uma obra da LucasArts, mas também por ser um projecto liderado por Tim Schafer, fundador da Double Fine e que já na altura tinha idealizado Full Throttle, outro clássico. Para além disso, na altura, estamos a falar de 1998, foi o primeiro jogo a ter gráficos em 3D.

Na parte de texturas, todas (sem exceção) receberam um tratamento digno de qualquer remasterização. As texturas originais, que tinham tamanho 128×128 ou menos, foram aumentadas para 2048×2048, e repintadas à mão, uma por uma. A diferença chega a ser gritante quando se alterna entre os modos original e remasterizado. As texturas, somadas ao novo sistema de iluminação e aos cenários pré-renderizados, enganariam qualquer pessoa que não soubesse que trata-se de um jogo de 1998.

Novidades como os achievements da Steam (e da PSN) e comentários dos developers apenas adicionam mais conteúdo ao jogo, e garante com que os fãs (ou até os novos jogadores) percam algumas horas e sintam-se mais satisfeitos com o conteúdo apresentado.

Para qualquer fã do jogo ou até mesmo para quem ainda não o conhece é obrigatório jogar esta pérola da Double Fine e de Tim Schafer  em conjunto com a Third Party Productions – divisão da Sony que tem como ideia resgatar grandes jogos do passado, e já agora da boa vontade da Disney em ceder os direitos do jogo. Assim vale a pena remasterizar.

grim

Published
Categories Análises
Views 58
Ir para a barra de ferramentas