Há mais sangue em Hotline Miami 2: Wrong Number

Um dos tiros/murros/bastonadas/ mais certeiros/as de 2012 (em especial para a malta que gosta do “antigamente é que era” e prefere divertir-se a viver uma realista experiência enquanto joga) foi claramente Hotline Miami. A experiência minimalista (embora narrativamente densa e confusa) permitiu horas de diversão para quem se derrete com muito sangue, acção, ritmo frenético temperado com boa música electrónica e o facto poder repetir tudo isto de novo. A história de Jacket (personagem principal da primeira edição) foi uma lufada de ar fresco que nada acrescentou de novo e só por isso já merece o seu lugar na eternidade. Agora, a série está de volta, naquele que será o seu último cartucho, com o nome “Hotline Miami 2: Wrong Number.”

Tinha tudo para resultar e resultou. Havia certos pormenores que não tinham ficado bem esclarecidos sobre a história (a mega organização contra mal-feitores de Miami, a 50 Blessings, era mesmo comandada por dois empregados de limpeza aborrecidos? Sim, deve ser, deve… E o que era aquela pequena fotografia que Jacket atirava da janela no fim da história?). Estes e outros pormenores são agora respondidos. Pegando em algo muito em voga – escolher histórias paralelas indirecta ou directamente ligadas com a original – a acção de Hotline Miami 2 acontece antes, durante e (principalmente) depois dos eventos do primeiro.

Jacket aparece, mas não fala nem é um personagem com quem podemos jogar. Entendemos a relação dele com Beard (o ruivo do primeiro jogo, que sempre lhe oferecia coisas boas após as missões), alguns personagens que aparecem estranhamente mortos anteriormente, como o detentor da máscara de Jake (cobra), bem como a história de Richter (máscara de rato, que mata a namorada de Jacket e o coloca num hospital), o ressurgimento da máfia russa e um estranho e insano grupo de vigilantes, “The Fans“, que consideram Jacket um herói e decidem prolongar o seu legado.

Há novas armas (moto-serras, pistolas de pregos, espadas de ninja, snipers, lança-chamas…) e novas máscaras, que não se aplicam a todos os personagens. A jogabilidade é em tudo igual à do primeiro: um jogo a duas dimensões, visto de cima, frenético, com boa e certeira banda sonora. A dificuldade subiu consideravelmente (podemos até escolher um nível mais “puxado”) e notam-se alguns novos movimentos, ainda que pontuais, com o destaque para podermos disparar para os lados e não apenas em frente quando dispomos de duas metralhadoras. Mas, mais uma vez, só com certos personagens.

A história é mais envolvente e rica. Nisso, o jogo está muito melhor. Ah, e o sangue. Se o anterior era uma vénia ao cinema gore, este passa a ser uma espécie de tese de doutoramento definitiva, com direito a ficar na sala nobre da biblioteca da universidade das tripas para fora. Para além disso, há vídeos a circularem pela internet com referências ao jogo e uma BD que ajuda a entender ainda melhor os contornos da história.

Em pouco tempo, Hotline Miami entrou para o pedestal dos clássicos, reciclando velhas fórmulas ganhadoras, valorizando a diversão, mas nunca descurando no conteúdo. Isto não é só um jogo com muito sangue. E o final é… apoteótico. Deixamos só uma pista: mete drogas psicóticas, loucura, vingança, risos alarves e sangue. Muito, mesmo.

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