Hearts of Iron IV: Cada victória um desafio glorioso

“Nenhum plano de batalha sobrevive ao contacto com o inimigo”

Assim o disse Helmuth von Moltke, célebre general prussiano, e certamente foi assim que nos sentimos nas primeiras horas com Hearts of Iron IV, um complexo jogo de estratégia militar focado no cenário da Segunda Guerra Mundial.

E dizer que o jogo é complexo não é de todo um exagero. Hearts of Iron IV oferece-nos um tutorial, mas apesar de nos mostrar algumas funções básicas do jogo, dá-nos tanta poucas vezes a mão, encorajando-nos a explorar por nós próprios que acabamos o tutorial com mais questões do que respostas. Sim, deixa-nos com o instinto de estrategista, desejosos de começar a delinear frentes de batalha e planos megalómanos, no entanto com muita pouca informação de como o conseguir. Um tutorial mais longo e com mais ajudas, ajudaria a novatos a suavizar a curva de aprendizagem do jogo. Dito isto, existem vários manuais sobre o jogo e horas de vídeos de Youtube, onde os próprios developers jogam e explicam todos os detalhes para que nos sintamos preparados o suficiente para enfrentar a guerra que se avizinha.

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Hearts of Iron IV começa por nos deixar escolher entre dois períodos históricos, 1 de Janeiro de 1936 onde teremos tempo para organizar a nossa nação e planear os conflitos que acabarão tornar inevitáveis ou a 14 de Agosto de 1939, no pico das tensões entre os países envolvidos na Segunda Guerra Mundial, poucos meses antes do seu começo. Existem também a possibilidade de jogarmos de uma forma historicamente correcta, onde certos eventos como o pacto de não-agressão entre a Alemanha e a União Soviética ou guerra civil espanhola acontecem nas datas em que aconteceram ou um modo sem restrições históricas, onde é possível mudar completamente o rumo da história e onde a invasão da França pelo Reino Unido ou uma Itália democrática é plausível.

Aquando da escolha da nação a quem vamos comandar, é nos dada a possibilidade de escolher qualquer nação, mesmo que tenha tido um papel menor ou mesmo inexistente no conflicto, mas o jogo foca-se nas principais facções envolvidas. Reino Unido, Estados Unidos, França, Itália, Japão, Alemanha ou a União Soviética tem cada uma características especificas, variando entre bónus positivos ou negativos. Seja a capacidade que a Alemanha tem de planear mais rapidamente ou o facto de que os Estados Unidos tem a produção limitada por ainda estarem a recuperar da Grande Depressão, todos este factores trazem alterações à forma de como podemos comandar estas nações, garantindo assim mais horas de diversão bélica.

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Agora, tratando de um jogo de grande estratégia, não esperem apenas começar a construir exércitos e começar a destruir todas as nações se oponham ao vosso caminho. Primeiro temos que garantir que temos fabricas civis suficientes, que além de garantir os bens necessários à população funciona também como moeda de troca, ou seja, caso não tenhamos um bem essencial como petróleo, podemos trocar a produção de algumas destas fabricas por este bem com uma nação que o produza. Ao mesmo tempo tentamos equilibrar a produção dos bens militares, para que o nosso exercito tenha armas, equipamento de suporte, veículos, etc. Nunca esquecendo de treinar as nossas tropas, para que quando ponham os pés no campo de batalha, saibam usar todo o equipamento que preparamos cuidadosamente . Um ecossistema que se tem que se manter bem oleado, para que possamos levar os nossos planos de batalha a bom porto.

À medida que os meses vão passando, teremos que ter em conta a evolução da nossa nação. Será que vale a pena investir na investigação de melhores tanques? Ou será que deveremos melhorar a eficiência das nossas fabricas? Existe centenas de possibilidades, várias e extensas árvores tecnológicas e ideológicas, onde forjamos o rumo e muitas vezes o destino da nossa pátria anos antes do fim da guerra.

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Mas planear é apenas parte do jogo, e quando chega à parte da execução, Hearts of Iron IV é exemplar. Apesar da complexidade inerente ao jogo, a interface gráfica é intuitiva, e depois de perceber a maquina sempre em movimento nos bastidores, chegar a onde queremos não é frustrante. Organizar exércitos, delinear linhas de combate, avançar por terreno inimigo, seja por terra, mar ou ar, está ao alcance de poucos cliques do rato, de uma forma relativamente simples. O combate (e o resto do jogo) é em tempo real, mas onde podemos fazer pausa e/ou acelerar o tempo quando quisermos. Dando espaço para reorganizar tácticas quando necessário ou deixar o tempo tomar o seu curso quando a batalha nos favorece.

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Não é o jogo mais fácil de compreender. O fraco tutorial dificulta a entrada de novos jogadores à grande estratégia, as inúmeras opções, menus e árvores tecnológicas podem assustar quem não esteja habituado a jogos de tamanha complexidade. Mas com alguma insistência, o título começa a desvendar o potencial estratega dentro de nós e quando menos damos por isso acaba por nos agarrar por horas a fio. Seja a reviver a história ou a recria-la, Hearts of Iron IV é certamente uma das melhores obras de estratégia dos últimos tempos.

RECOMENDA HOI4 2

 

Author Vando Enes
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Categories Análises
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