Knack – PS4 – Review

Desde que foi apresentado na E3, como o jogo mais desenvolvido, nessa altura para a PlayStation 4, que Knack prometia muito. Prometia porque já víamos um gameplay do jogo, porque o ambiente de desenho animado da Pixar fazia crer que a PS4 poderia ter encontrado a sua nova “mascote” e porque as cores, o ambiente, a fluidez fazia-nos crer que estaríamos perante um filme animado em que seriamos a personagem principal. E tudo isto estava bem e faz sentido até quando pegamos no nosso DUALSHOCK 4 para tomar conta de Knack, a nossa criatura robótica que ganha vida graças a uma relíquia antiga. Os problemas surgem depois…

O jogo que no lançamento seria a escolha perfeita para as crianças e para os pais que querem fugir aos jogos “violentos”, torna-se perigoso pela frustração que dá ao jogar. Após algumas horas de jogo começamos facilmente a perder a paciência com a repetição de estruturas, com dificuldade excessiva em partes do jogo e com a consequente repetição de acções, checkpoints e níveis.

Mas não estamos perante um mau jogo, estamos perante um jogo mal resolvido, que é algo completamente diferente. Produzido por Marc Cerny, também ele a mente por trás da PS4, a aposta no visual “Pixar” foi uma óptima escolha e está muito bem conseguido, é óbvio que não é um deslumbre visual como um Killzone Shadowfall, mas com esta abordagem parece-me difícil, mas dá mesmo a sensação que estamos dentro de um filme de animação. Também não podemos dizer que a personagem Knack não poderia ser uma boa mascote, pelo contrário, o facto de Knack crescer com as relíquias, pode quase ser a analogia de que o mais pequeno também pode conseguir grandes feitos, basta ter coragem, esforço e dedicação. Portanto a mensagem moral implícita até está lá. O que não está é uma boa mecânica de plataformas e uma boa mecânica de níveis.

Reparemos, a mecânica de combate é básica, existe apenas um ataque básico, com poucas variações, a não ser quando começamos a ganhar poderes especiais e mesmo assim são por curtos períodos de tempo. Por isso mesmo os controles são fáceis de aprender, mas o timing é o fundamental, muito mais do que a destreza. Já os ataques dos inimigos por vezes causam dano a sério, e até na dificuldade normal, facilmente perdemos a “vida” e às vezes isso significa retroceder um bom bocado do nível e isso torna-se aborrecido. Já a coisa muda um pouco de figura quando começamos a recolher acessórios, como por exemplo um medidor de combos e uma forma de abrandar o tempo, dando alguma dinâmica aos ataques de Knack.

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Já o nosso robô simpático tem uma evolução sempre igual, começa pequenino e conforme vai recolhendo reliquias vai ficando maior até o término do nível. Mais uma vez em alguns níveis vamos adquirir items elementais, são eles: Gelo, Madeira, Aço e Armaduras Cristalinas. Aqui ganhamos um pouco mais de variedade, com as peças de gelo não podemos estar muito tempo exposto à luz solar senão derrete. Com os blocos de madeira incendeia-se se encontrar fogo, com a Armadura Cristalina, Knack ganha a habilidade de conseguir passar por lasers de segurança sem ser detectado, no fundo uma tentativa de “stealth”.

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A história é interessante, um pouco de Indiana Jones com a presença de Ryder, “um explorador famoso”. O facto das relíquias darem origem e interagirem com Knack, relíquias de uma civilização desconhecida, o Professor Vargas e o seu ajudante Lucas, o mentor e protector de Knack. Todos eles juntos na defesa contra os Goblins, sendo que Viktor, o bilionário, e Katrina a chefe de segurança de Viktor, que no início juntam-se a esta demanda, rapidamente viram a cassaca para tentar ficar com o Knack e a “tecnologia” que representa. Portanto o “plot” até é interessante, o que não é, é o facto do nosso amigo Knack praticamente não falar, nem sequer pensar ou dar dicas durante os níveis (não que fosse preciso…). É difícil criar uma ligação com a personagem que vamos guiar durante cerca de 11 horas (em média) de jogo. Passamos largos minutos sem ouvir uma palavra.  E sim, é uma história bastante grande, o que é óptimo num jogo, não fosse tão entediante. E o facto de recolhermos peças para, por exemplo, voltarmos a jogar o jogo com vários poderes novos ou artifícios, caiem um pouco por terra, porque vamos ter que passar por tudo outra vez.

Knack é frustrante, e é pelas razões que nomeámos aqui, e especialmente porque tinha vários elementos que o poderiam tornar um verdadeiro jogo de lançamento da PS4 e Knack um possível Crash Bandicoot ou Ratchet and Clank em termos de “mascote” ou imagem de marca da consola, no entanto falha redondamente devido à mecânica do jogo.

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