A liberdade conquista-se!

Estava expectante em relação a este título que nos chega à PS Vita, essa consola portátil tantas vezes esquecida, produzido pela SCE Japan Studio, a Shift e a Dimps. Um action role-playing game com traços orientais, onde de resto fez furor, e onde nós meros ocidentais ligámos pouco. E posso dizer que fizemos mal. Freedom Wars é um excelente título para a PS Vita, uma história fora do vulgar, muita acção, mas muita exploração e customização também, é um jogo que toca em vários estilos, mas sem perder a sua identidade.

Neste jogo, assumimos o papel de um Sinner, um comum habitante de Panopticon, uma cidade emersa pelo conflito de recursos, e onde existe uma luta com outras cidades pelo controlo desses recursos. Como Sinner que somos temos uma pena base de 1 milhão de anos, sendo que a nossa liberdade só poderá ser alcançada ao ajudar o desenvolvimento da nossa Panopticon. Tudo o que pensarem fazer será traduzido numa pena, falarem com desconhecidos, correr nas escadas, dormir, comer, isto é, tudo o que possa afectar os recursos e a actividade serão consideradas desobediências e agravantes à nossa pena, por si só pequena. Terão então que cumprir missões para reduzir a vossa pena e conseguirem alguns direitos, como por exemplo dormir, mas também construir fábricas para gerir os vossos próprios recursos, leia-se armas, habilidades, items, para a nossa personagem ou para o nosso Acessory, um robô que é destacado para nos guiar e vigiar, pois claro.

É claro que toda a estética vai muito de encontro ao Anime, em certos pontos pensaremos em Psycho Pass, em outros em Attack on Titan, especialmente pela mecânica do jogo. Nesse aspecto somos atirados para um cenário onde temos que geralmente resgatar um refem de dentro de um Abductor acompanhado pelo nosso Acessory e a nossa equipa, utilizando um conjunto de armas e o nosso Thorn. O Thorn é uma habilidade que teremos disponível, um pouco a lembrar o Attack on Titan, onde nos podemos agarrar a objectos, elevarmo-nos, ou utilizar para atacar os nossos inimigos, seja para o derrubar, ou para ganhar vantagem no ataque seguinte, utilizando-o como combo. Mais para a frente no jogo, podem atribuir outras habilidades ao vosso Thorn, como por exemplo, curar um colega de equipa.

Com tudo a acontecer muito rápido, no início vão sentir-se um pocuo avassalados e perdidos, mas depois de ganharem o jeito, facilmente vão perceber o quão divertido é estar em combate e no meio do caos que cada arena pode ser, com 6 personagens a trabalhar no mesmo objectivo ao mesmo tempo, mas com abordagens diferentes.

Os próprios cenários têm objectos para apanharmos, de forma a não só nos dar energia ou armamento, mas também para utilizarmos nas nossas fábricas, de forma a criarmos outras armas, munições ou medicamentos, ou então para reduzir a nossa pena. Mas cuidado, se começarem a guardar muitos materiais e se forem apanhados, a vossa pena vai aumentar consideravelmente.

No entanto tudo o que fazem não se reflecte apenas e só na vossa personagem, mas também na vossa Panipticon, isto é, logo no início terão que escolher a vossa cidade, Lisboa, neste caso, e tudo o que fizerem é para que a vossa cidade fique no topo do ranking a nível mundial. No Japão este situação acontecia apenas com os seus estados, na Europa a opção foi incorporar todas as principais cidades neste lote.

Mas a componente online não se fica por aqui, podem recrutar amigos para as missões cooperativas, ou podem lutar contra outros jogadores em arenas PVP, na luta infindável por recursos e pela subida da nossa cidade no ranking mundial.

Freedom Wars é um regalo para a vista, os seus gráficos são fenomenais, e a sua história vai nos fazer pensar efectivamente naquilo que é a liberdade. Muitas vezes pensamos que a nossa liberdade é podermos dizer ou fazer aquilo que queremos, e esquecemo-nos de que a nossa liberdade termina onde outra começa, e talvez este jogo nos faça pensar sobre o assunto. A mim fez, e agarrou-me no vício de lutar pela minha liberdade.

Published
Categories Análises
Views 60
Ir para a barra de ferramentas