Mais um ano, mais um Battlefield

Mais um ano, mais um Battlefield. No que já começa a ser uma tradição da EA, em cada ano é expectável o lançamento de uma nova iteração ou expansão da série. Contudo, desta vez o tema é ligeiramente diferente e a série ficou entregue às mãos do developer Visceral Games ao invés dos suspeitos do costume da DICE. Battlefield Hardline chega-nos cheio de vontade de alterar a fórmula, passando o cenário do campo de batalha para as ruas e a luta contra o crime. Numa tentativa de refrescar uma já longa série embrenhada na representação de conflitos militares.

Desde logo, o modo single-player afasta-se das já habituais campanhas militares de jogos passados. Miami é o cenário e Nick Mendoza um polícia honesto recém promovido a detective que se esforça por fazer da vida nesta cidade atormentada por uma interminável guerra contra as drogas, onde os polícias corruptos são o pão de cada dia. Se vos parece familiar esta história, não é obra do acaso. Imaginem que os argumentistas de CSI: Miami e NCIS: Los Angeles se juntam num diner norte-americano escrevinhando num guardanapo partes da história de Hardline e que mais tarde um já embriagado Michael Bay encontra esse mesmo papel, amarrotado e manchado de café, decidindo assim criar uma série de televisão. O resultado seria algo semelhante ao modo single-player de Battlefield Hardline. Uma história tão cliché e cheia de one-liners que se torna difícil levar a sério. No entanto, é de louvar o excelente voice-acting, que apesar das personagens uni-dimensionais, conseguem ser credíveis, tudo devido aos actores envolvidos.

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Mas foquemo-nos no gameplay. Uma das grandes alterações à formula Battlefield, presente somente no modo single-player, é a possibilidade de adoptarmos uma estratégia mais furtiva. Podemos avançar lentamente pelos vários espaços até chegarmos perto das costas de um criminoso e o atingirmos com um golpe incapacitante. Ou então mostrar o crachá de polícia, fazendo com que um dos membros de um dos piores gangs de Miami largue de imediato a sua AK47 e se entregue pacificamente perante o todo-poderoso pedaço de metal. E não é que a mecânica de stealth esteja particularmente mal executada, simplesmente nos apercebemos que na maioria das vezes é mais rápido avançar com armas em punho, tornando-se redundante andar agachado às voltas num armazém cheio de criminosos.

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A falta de liberdade é gritante, tratando-se assim, de um jogo construído sobre um mapa muito restrito, sendo que ao mínimo desvio feito do caminho pré determinado pelos criadores, aparecerá no vosso ecrã uma mensagem a dizer para voltar imediatamente à zona do crime. E não, não estamos a falar de um jogo que vos influencia a ir por um certo destino pelo meio de corredores ou outro tipo de barreiras físicas. Simplesmente foi delineado um espaço por onde o jogador pode ou não caminhar. Se existe algo ao fundo que vos pareça interessante explorar, a probabilidade de vos ser negado esse acesso é elevada. Caso isto vos pareça irritante, imaginem agora irmos numa perseguição a alta velocidade de carro, onde a cada intersecção temos que adivinhar por onde é que os criadores do jogo querem que sigamos, com cada direcção errada a indicar-nos que temos 10 segundos para voltarmos para o caminho correcto.

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À medida que a trama avança por entre óbvias traições e reviravoltas, o jogo sai do cenário policia/ladrão e entra cada vez mais num cenário bélico. Desde armas semi-automáticas, lança rockets  e até uma batalha entre tanques e helicópteros. Sim, tanques e helicópteros num jogo sobre o Miami Police Department.  Ao que parece que a Visceral Games não se quis distanciar muito da já velha formula Battlefield e muito menos agitar as águas, fazendo tudo para evitar temas como a brutalidade das forças policiais norte-americanas ou os efeitos sociais da “guerra contra as drogas”.

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Sigamos então para o modo Multiplayer, pois tal como a pornografia, ninguém compra Battlefield pela sua história. E este oferece vários novos modos de jogo, não-existentes anteriormente na série. Um deles é o modo Heist, onde a equipa dos ladrões terá que roubar o dinheiro de um lugar e transportá-lo para outro, enquanto a policia tentará prevenir que os criminosos fujam com este dinheiro, ganhando os ladrões caso consigam levar a totalidade do dinheiro. Outro dos modos muito esperados para Hardline, é o modo Hardwired, onde se encontram espalhados vários carros pelo mapa à espera de serem conduzidos por uma das equipas, sendo que a equipa ganha pontos através da quantidade de tempo que conseguem conduzir sem ser destruído pela equipa concorrente. Uma versão automóvel do clássico capture the flag. Obviamente todos os outros clássicos estão presentes, desde do team deathmatch até ao modo conquest.

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A verdade é que Battlefield Hardline traz bons momentos de diversão, mas à medida que jogamos, cada vez mais ficamos convencidos que deveria ter sido um mod, ou talvez uma expansão. Os mapas são pequenos, as fardas de policia e capuzes negros pouco mais são que uma camada de tinta sobre as fardas militares de jogos anteriores. Não existem veículos militares nem algumas das armas mais pesadas de iterações anteriores e isto não nos faz sentir no papel de um polícia ou de um ladrão, apenas nos apercebemos que somos soldados com menor poder de fogo e com vontade de andar aos círculos dentro de um carro a alta velocidade.  E acabamos por nos questionar, porque raios não estamos a jogar Battlefield 4 em vez disto?

RECOMENDADO BATTLEFIELD

Author Vando Enes
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Categories Análises
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