Munin, mensageira de Odin

Munin é um jogo híbrido de plataformas e puzzles desenvolvido pelos developers portugueses Gojira e publicado pela Daedalic Entertainment. Inspirado pela mitologia nórdica, o título apresenta-nos a história de Munin e Hugin, dois corvos mensageiros de Odin. Estes voam diariamente para o informar de tudo que se passa por Midgard, reino dos humanos na mitologia nórdica. Neste titulo encarnamos um dos corvos de Odin como personagem principal, Munin, a quem Loki, o travesso deus nórdico, remove as asas e transforma numa comum mortal. Destemida e determinada, Munin terá que desvendar o paradeiro das suas penas por 9 mundos de modo a retomar a sua forma original e recuperar o seu lugar ao lado de Odin. É assim que Munin marca o tom que continuará pelo resto do jogo.

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A mecânica de jogo é relativamente simples. O ecrã está dividido em painéis, que ligados ou sozinhos podem ser rodados, de modo a permitir a Munin ultrapassar obstáculos e apanhar todas as penas presentes no ecrã. Mas com um senão, só é possível rodar o painel caso Munin não esteja no mesmo. Esta é a premissa principal, à qual se vai adicionando outros elementos. Desde pedras rolantes a feixes de luz que tem que ser reencaminhados por espelhos ou símbolos que tem que ser encaixados no sítio certo. Estes elementos vão sendo introduzidos em cada mundo de uma maneira intuitiva, aumentando a complexidade dos puzzles à medida que se vai progredindo em cada mundo. Evitando assim que o jogo se torne repetitivo à medida que vamos avançando. Um equilíbrio difícil neste tipo de jogos, mas que o título alcança com sucesso.

Visualmente, Munin é único. Quadros impressionistas em movimento de paisagens nórdicas como grutas, fjords, montanhas geladas e uma diversidade de cenários por onde Munin coleciona as suas penas. A banda-sonora acompanha a temática dos cenários, calma, sombria, não nos deslumbra mas sente-se como um elemento natural e imersivo, que acompanha o jogador enquanto este descobre como resolver os mais diversos puzzles.

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A única personagem jogável, Munin, poderia ser mais detalhada e as animações são simples. Esta move-se de uma maneira flutuante e imprecisa, o que para a maioria dos níveis não é relevante mas é no mínimo frustrante quando se lida com puzzles com fluidos ou quando a personagem cai em espinhos devido a um salto mal calculado. Mais grave ainda quando nos faltava apenas uma pena para acabar o nível. É que um pequeno erro em Munin significa recomeçar do zero.

No entanto Munin consegue manter-se interessante do princípio ao fim. Os puzzles colocam-nos um desafio mental constante e ficamos sempre na expectativa de saber que novos elementos é que o jogo nos reserva. Mesmo nos níveis mais dificeis, principalmente aqueles em que há elementos que nos podem matar num instante, fica sempre a vontade de voltar a tentar “só mais vez”. E completar um nível que ao princípio nos parecia impossível é extremamente gratificante. Mesmo assim Munin só tem a ganhar em jogar-se com moderação. Ao fim de algum tempo começamos a perder a paciência e a cometer erros. E quando cometemos erros perdemos ainda mais a paciência. É um ciclo vicioso que só é quebrado quando se faz uma pausa e se volta a tentar mais tarde.

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Mesmo com os seus vários momentos de frustração, Munin é uma experiência única para quem gosta de um bom desafio mental. Com visuais empolgantes, puzzles inteligentes e elementos novos a cada mundo que exploramos, acabamos sempre por querer voltar a estas paisagens nórdicas.

Munin está disponível para Steam, Google Play e iOS. Esta review foi feita com base na versão para PC que nos foi gentilmente cedida pela Gojira.

Author Vando Enes
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Categories Análises
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