Nioh – Valeu a pena esperar pelo samurai europeu

Fevereiro chegou e não existe melhor maneira de o começar do que pegar num dos seus grandes lançamentos, falo como é óbvio de Nioh, o tão aguardado exclusivo da PlayStation 4. Digo aguardado não só por tudo o que vimos nestes últimos tempos, mas porque este começou a ser desenvolvido em 2014, algo que motivou muitos rumores do seu cancelamento. A verdade é que este RPG chegou, foi desenvolvido pela Team Ninja.

A história de Nioh passa-se numa das épocas mais conturbadas do Japão, falo do período Sengoku, para terem uma noção esta foi uma das épocas mais sangrentas deste país, durou cerca de um século (1467–1573) com uma enorme guerra civil e enormes conflitos entre clãs japoneses para conquistarem o poder do país. Para quem não têm grande noção do que estamos a falar, se alguma vez viram a serie de anime Rurouni Kenshin (conhecido cá em Portugal como Samurai X), esta época passa-se quando Kenshin (o protagonista) é um dos assassinos mais mortíferos do Japão.

Não foi em vão que trouxe Rurouni Kenshin para a nossa análise de Nioh, tal como a série televisiva, Nioh também mistura muitos factos reais com uma fantasia, embora no caso de Nioh falemos de algo bastante diabólico e tenebroso. Neste RPG (role playing game) encarnamos a pele de um samurai atípico, isto porque quando falamos de samurais a primeira ideia que nos vêm à cabeça são os bravos guerreiros japoneses, algo que não é o caso, aqui somos William Adams, um samurai ocidental com poderes sobrenaturais.

Com esses poderes o nosso herói terá todas as condições para combater as forças inimigas, e nesta época de caos e terror seria um crime não se falar dos Yokais, uma classe de criaturas sobrenaturais da cultura japonesa. Estas criaturas podem ter a forma de humanos ou de animais, e destacam-se pelos seus poderes sobrenaturais ou espirituais.

Antes de entrarmos na história do jogo, algo que é impossível não falar é das semelhanças entre Nioh e diversos jogos, mas entre eles queria destacar dois, a saga Dark Souls e Ninja Gaiden. Embora histórias bastante diferentes, a inspiração e Nioh nos dois jogos que falei anteriormente é gigante, o que significa que qualquer fã de um destes jogos vai ficar deliciado com este exclusivo da PlayStation 4.

Como é normal neste tipo de jogos, ao longo da nossa aventura é que vamos desvendando e descobrindo tudo o que se está a passar e tudo o que nos rodeia, em Nioh não é diferente, embora seja bastante mais fácil perceber e conhecer o nosso samurai e quais os motivos que nos levaram a ir para terras nipónicas. Este inicio também serve de tutorial, porque enquanto avançamos, vamos aprendendo todos os controlos do jogo, assim como algumas técnicas que podemos usar durante a nossa aventura. Algo que também é importante é aprender equiparmos armaduras e armas que vamos apanhando pela nossa jornada, e por muito parecidos que estes sejam, muitos têm algumas características diferentes, o que pode fazer alguma diferença. Apesar de rápido, este tutorial chega para aprendermos o básico, pois de seguida entramos noutro tutorial bem mais detalhado, onde aprendemos a utilizar as diversas armas, e são bastantes, desde Katanas (ou espadas se preferirem), Katanas duplas, lanças, machados, Kusarigama (uma arma que na ponta tem uma foice ligada por uma corda ou corrente) e arcos.

Como é fácil perceber, aqui não existe qualquer tipo de classe para escolhermos, isto poderia ser um problema caso não fosse possível alterar o nosso tipo de armas e com isso a maneira como o nosso herói se altera, digo isto porque conforme a arma que o nosso samurai tem equipada, o seu estilo de luta altera-se. Além disso existe a possibilidade de escolher o nosso espírito guardião, e temos três escolhas Kato (espírito do fogo), Insonade (água) e Daiba-Washi (vento). Este é um espírito que se encontra dentro de nós e que o podemos libertar quando o nosso contador estiver cheio, a maneira de o aumentar é ir derrotando os nossos inimigos.

Depois de tomadas as nossas escolhas, é hora de seguir em frente na nossa aventura e começar a chacinar todos os nossos inimigos, neste caso os salteadores que se apoderam das aldeias mais desprotegidas enquanto vamos avançando na nossa história. Como é normal neste tipo de jogos temos diversos checkpoints ao longo das áreas de jogo, neste caso são altares que recuperam a nossa vida e stamina, claro que ao activa-los todos os inimigos que tínhamos derrotados voltaram a aparecer novamente. A parte complicada é que estes altares são bastante escassos e já estão a imaginar o que me aconteceu diversas vezes, morrer antes de chegar ao próximo checkpoint e ter de começar tudo do último checkpoint. Tudo muito ao estilo de Dark Souls.

Talvez por não jogar este tipo de jogos à algum tempo, no inicio irritei-me bastante com os combates, até voltar a lembrar-me que o importante nestes jogos é ter bastante calma e perceber a “dança” dos nossos inimigos para atacar no momento certo. Posso dizer que o jogo é bastante táctico e cada inimigo é como um novo quebra-cabeças até percebermos os seus pontos fracos.

Enquanto avançamos,por vezes encontramos espíritos que podemos desafiar para um combate, caso consigamos sair vencedores somos muito bem recompensados, tanto com armas, equipamentos e outros tipos de objectos, além de experiência para subirmos de nível e conseguirmos desbloquear certas habilidades e técnicas na nossa Skill Tree.

Antes de avançar para outros pormenores, quero desde já dizer que Nioh é um jogo suberbo, que nos proporciona momentos incríveis e quando sentimos que nos conseguimos superar dá-nos uma satisfação enorme.

Quanto à sua jogabilidade, esta é impressionante, uma fluidez que não se encontra em nenhum jogo desta categoria, com movimentos e resposta instantânea mal damos a nossa ordem no dualshock da nossa PlayStation 4. Isto torna-o bastante rápido e dinâmico, e acredito que este seja o pronto que o diferencia dos outros jogos deste estilo. Sem dúvida que a equipa da Team Ninja quis apostar na jogabilidade e foi uma aposta ganha.

Os efeitos sonoros e visuais do jogo também estão acima da média, principalmente no que toca ao sangue, um elemento predominante neste jogo. Os combates são extremamente sangrentos, e conseguimos ver o sangue a ser jorrado contra as paredes e até mesmo a fazer poças no chão, além disso o efeito do sangue dos nossos inimigos nas nossas armas também está extremamente bem representado.

Mas claro, como em todos os jogos existe sempre algum elemento que poderia estar melhor, e o calcanhar de Aquiles em Nioh está ligado aos seus gráficos, enquanto vamos jogando consegue-se perceber que estes poderiam estar bastante melhores, não que estejam maus, mas para um exclusivo PlayStation 4 e para o que é habito nos exclusivos desta consola, a verdade é que Nioh poderia estar melhor. Já as cutscenes estão fantásticas, com uns gráficos de nos deixar de boca aberta. Com os anos que Nioh teve de desenvolvimento, deixa a desejar neste ponto.

Para concluir esta epopeia, podemos dizer que Nioh tem a essência de Dark Souls em muitos aspectos, mas com uma jogabilidade bastante mais fluída e única, o que torna o jogo diferente e com um ritmo mais interessante. Um jogo recomendado para todos os fãs deste tipo de RPGs de acção, sem qualquer dúvida.

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Comments (2)

  • sergio
    Fevereiro 8, 2017 at 1:36 pm
    Deve ser um grande jogo mesmo!
    • Rui Gonçalves
      Fevereiro 9, 2017 at 7:14 am
      Se és fã de Dark Souls, então penso que vais gostar bastante deste.

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