No deserto só a sede impera

Se nos acompanham com alguma regularidade, devem saber que estivemos sempre empolgados com Mad Max, as cut scenes tinham um ar incrível, os trailers apontavam para um GTA num deserto de mundo aberto, muita customização e um estilo de combate interessante.

Como malta informada que sei que são, já devem ter lido mais algumas análises ao jogo e sentiram que existem “mixed feelings” em relação ao trabalho da Avalanche Studios.

Não que nós sejamos os donos da verdade, mas também nós vamos tentar dar a nossa visão em relação ao jogo.
O início do jogo faz-se com um vídeo com imagens reais que nos faz pensar naquilo que seria a humanidade num registo após apocalíptic, cenário que encontraremos ao comandar Max, o mesmo que logo ao início trava uma batalha com o líder Scabrous Scrotus e que fica sem o seu bem mais querido, o seu carro V8 Interceptor. Para além do carro perdemos também as armas e até a roupa. Num momento de loucura por tanta perda, metemos uma moto-serra na cabeça do líder do gang, mas somos exilados para o deserto, onde teremos de aprender a sobreviver, e no início com a ajuda de um cão.

É a partir deste momento que efectivamente começamos o jogo, podendo guiar a nossa personagem e ao mesmo tempo a aprender os comandos do jogo. A princípio pensámos, “ok é o tradicional esquema de Shadow of Mordor, Batman ou Assassin’s Creed, mas quando chegamos ao primeiro confronto, rapidamente percebemos que vamos achar a combinação de botões escassa. E isso acontece mais precisamente no combate corpo a corpo, onde vamos utilizar apenas um botão para o soco /pontapé, outro para o bloqueio e outro ainda para nos desviarmos.

Não há diferenciação no tipo de soco/pontapé, parece que estamos mais num smasher do que um AAA e isso fez-me bastante confusão, porque não sentia a “pica” de dar uma sova nos meus adversários, era apenas e só algo pré-definido, sem qualquer tipo de arte ou engenho, sem combos complicados para tentarmos dominar ou sem o andamento necessário.

Fiquei confuso, e fiquei porque a escassa munição que existe para as nossas armas de fogo antevia que teríamos que ser hábeis nas lutas corpo a corpo e que teríamos que escolher bem as nossas lutas e isso não acontece como seria desejado. Existe um Finisher que é activado com a continuidade de ataques desferidos aos nossos inimigos, finisher esse que é activado através de outro botão, mas nada que alegre ao ponto de sentirmos que estamos no meio de um Fight Club que era o que eu queria ver neste mundo de sobrevivência.

Pelo meio referi um ponto que acho que dá muito ao jogo, teremos que procurar por munição, ela não cai do ar nem em abundância e isso dá-nos o carácter de sobrevivência que nos era “vendido”. Para além disso a facilidade com que morremos com ataques armados dos nossos inimigos faz com que não nos atiremos de cabeça para as batalhas. Isso e o facto de termos que procurar por água para encher o nosso cantil para ganhar vida quando necessário, ou comida, assim como gasolina para o nosso carro.  Este é o ponto alto do jogo, a gestão dos nossos itens, e como abordar os diferentes objectivos consoante aquilo que temos ao dispor.

Dito isto, mergulhemos nos restantes aspectos, a história resume-se facilmente a Max ter ficado sem o seu bólide e ter que arranjar um novo, para destruir o “reinado” de Scabrous Scrotus. E sim é só isto, vamos contar com a ajuda de um mecânico horripilento chamado Chumbucket que para além de nos indicar os locais onde podemos ir buscar peças para o nosso futuro carro de destruição, vai também ser o nosso sidekick, sempre a viajar na parte de trás do nosso carro, seja a lançar arpões, seja a reparar o carro quando paramos.

Já que falamos de carros temos que falar na condução, e ai podemos dizer que guiar o carro baseia-se apenas em acelerar e travar, sem travão de mão ou algo do género, a utilização do Nitro e depois existem os comandos de “guerra”, seja abalroar os outros carros com a nossa grelha ou de lado, disparando a nossa caçadeira, por exemplo, nos tanques de gasolina ou lançar os arpões. Temos ainda a possibilidade de utilizar uma sniper rifle de longo alcance, mas nesse caso será o próprio Max a ir para a parte de trás do carro para atirar enquanto Chumbucket toma o controlo da viatura, algo que também sucede, quando vagueamos por uma zona a pé, aí ele desaparece com o carro para o proteger e temos que o chamar com um flare.

É no nosso carro que vamos viajar ao longo do deserto à procura de concretizar todos os nossos objectivos, sendo que são poucos, recolher peças, recolher informação, destruir bases. São poucos, são repetitivos e são pouco desafiantes, deitamos torres de petróleo ao chão, tentamos dominar as zonas ganhando o controle das bases e recolhemos peças para fazer os upgrades necessários ao nosso carro até ficar a derradeira arma de destruição.

E é este o grande problema de Mad Max, é monótono, é fácil e é repetitivo. Por mais que exista uma skill tree para ganharmos novas habilidades para Max e novas peças para o nosso carro, é só isso e é baseado num sistema de combate básico e pouco emocionante e em viagens que por vezes parecem não ter sentido. Lá ficamos contentes por aparecer uma rota de uma caravana de inimigos que temos que derrotar, ou por voar num balão para ver como vamos dominar a próxima zona, mas pouco mais do que isso.

A própria narrativa como é parca, como sempre foi no cinema, não dá a vontade de ir à procura de mais itens coleccionáveis, e se no cinema as cenas de acção imperam até mesmo para esquecermos a falta de narrativa, aqui as cenas de acção são as mesmas, talvez um quick time events nas aventuras sobre 4 rodas ou uma maior diversidade dos objectivos a concretizar pudesse ter ajudado.

Graficamente Mad Max está bem, mas não o supra sumo que se esperava, é apenas inconsiste nos 30fps com frequentes abrandamentos e alguns glitches que acontecem com demasiada frequência. Já é o suficientemente irritante que o Max não saiba saltar como um homem, mas esmurrar um inimigo continuamente mesmo ele já não estando lá é algo que não pode acontecer. Isso e o nosso Magnum Opus ser muitas vezes incontrolável e não parar de girar ou o Max cair de bermas sem sentido algum.

Infelizmente Mad Max não é o portento que Batman: Arkham Knight é a nível gráfico e de quantidade e qualidade de missões, não é também um Shadow of Mordor com o seu sistema de combate refinado e o Nemesis System, e nem o Assassin’s Creed com a sua velocidade e mundos detalhados.

É apenas um jogo aborrecido, que nunca deveria ter sido lançado ao lado de Metal Gear Solid V: Phantom Pain, nem neste período abundante em lançamentos. Isso poderia ter feito com que existisse uma maior paciência para com o jogo, mas com tanta coisa boa, como os títulos já referidos, Mad Max é bom para comprar a um preço mais reduzido e numas férias longe da cidade.

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Categories Análises
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