O brilhantismo de Undertale

2016-03-15 (2)Undertale apanhou o mundo de surpresa. O que aparentava ser apenas mais um JRPG genérico, uma tentativa de apelar à nostalgia de tempos idos, acabou por se revelar um dos melhores jogos de 2015. A história começa com uma premissa familiar, mas rapidamente nos apercebemos da sua invulgaridade. Undertale é extremamente bem escrito e aproveita qualquer oportunidade para nos surpreender, obrigando-nos a esperar o inesperado. Desde o humor perspicaz à quantidade de vezes que destrói a “fourth wall”, este é um jogo que nos manipula e quebra sem medos as suas próprias regras. E por contraste, damo-nos conta da constante diluição criativa de jogos AAA, não que questione o esforço e talento envolvido, mas pela enorme dimensão que a industria os obriga a ter. No entanto, Undertale é produto da imaginação de uma só pessoa. Toby Fox é responsável pela narrativa, banda sonora e personagens desta obra, transmitindo a sua visão da forma mais pura possível, assumindo todas as suas virtudes e falhas, mesmo que estas últimas não sejam muitas. Undertale reinventa o género pela forma como o aborda e com novas e estranhas mecânicas, questionando o que muitas vezes ninguém pensou questionar. Porque matar este monstro? Qual é o meu papel neste mundo? É tudo tão inédito que relevar seja o que for estragaria a surpresa. Mas certamente será um dos jogos que ficará nas nossas memórias para todo o sempre.

Autor: Vando Enes

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Categories Artigos no METRO
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