O diferente social

Uma das maiores críticas que se tecem aos videojogos hoje em dia é a exclusão social que os meios lhe atribuem. Aquele fetichismo de criança colada ao monitor tal qual “poltergeist” é quase como um mito urbano, mas que tende a não desaparecer.

Não significa que não exista a dependência e relatos disso passam pelas clinicas onde existe uma desintoxicação, como o caso de uma especialidade na ala de psiquiatria em Santa Maria dedicada a isto mesmo.

Mas infelizmente não se fala do exacto oposto, o outro lado da moeda. A verdade é que cada vez mais os jogos são experiências sociais, quer pela jogabilidade que intrinsecamente como em casos de Destiny ou WoW acaba por “obrigar” a uma partilha de aventura, quer através da experiência de jogo que acaba por ser mais preenchida quando partilhada, como no ultimo jogo de The Legend of Zelda.

 

The Legend Of Zelda é um jogo solitário, joga-se sozinho, mas conta com uma das maiores experiências “multijogadores”, conversas de café e de amigos infindáveis sobre a experiência que encontraram sobre como abordaram os inimigos ou sobre como escolheram o caminho a seguir, uma conversa que leva a encontros, ou que leva a decisões sobre como enfrentar o dia a dia. Uma terapia de sofá confortável que ajuda ao desabafo tal qual um psicólogo.

É verdade que nestes jogos os jogadores acabam por assumir uma nova vida e fugir ao seu quotidiano, e isto para algumas pessoas é apenas reconfortante, mas para o indivíduo “só” que está naquele sofá, acaba por encontrar horas de terapia com a companhia de amigos do outro lado. Pessoas que tem o mesmo gosto, que não precisam de partilhar fotos do que estão a jogar (ou a comer, não é meus caros instagramers e facebookers), mas que em alguns casos simplesmente estão ali.

Destiny é uma das ultimas experiências deste género, e conseguiu exactamente isso. Longas são as horas que eu ou outros jogadores perdemos nesta aventura espacial, e onde todos encontramos pelo menos um novo amigo. Quer fosse para derrotar as trevas, quer fosse só para dar um passeio pelos cenários enquanto se patrulhava a zona. Enquanto isso acontece, há sempre uma conversa de café, onde debatemos o dia, falamos de bola ou da política. Encontramos um amigo sem nunca o ter visto, mas um amigo que sei que na hora da verdade “virtualmente” estará lá para me defender. Mas vozes dirão “isso é virtual, essa pessoa nunca a encontrarás, não sabes quem lá está”. Verdade? Talvez. Normalmente são as mesmas vozes que desacreditam ou não percebem eventos como o Lisboa Games Week ou a Comic Con, onde “estão lá uns gajos vestidos de bonecos”.

Pois é, mas são milhares de “gajos vestidos de bonecos”, pessoas que nunca se viram, mas que já se conhecem. Pessoas que sabem a historia de vida uns dos outros, pessoas que se fossem vistas num café seriam apelidados de melhores amigos. O que me leva que perante a sociedade, aqui nos videojogos, são apenas “espectros na televisão”.

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