O esférico rola, a relva sente-se!

Um dérbi é sempre um dérbi, estejam as equipas separadas por 5 pontos ou por 2, o que interessa é o ego. Ganhar ao rival é sempre uma sensação diferente, mesmo que se perca na semana a seguir com o Moreirense. E como tal o FIFA 16 apresenta-se como o rival de PES 2016, sendo que este nos últimos anos apenas tem andado na perseguição, não conseguindo roubar a liderança aos jogo da EA Sports.

FIFA 16 poderia estar numa posição frágil, com o PES 2016 a celebrar os seus 20 anos, com a Konami a apostar as fichas todas, e com a questão de o jogo não apresentar grandes novidades no motor do jogo ou até nos grafismos, mas será que cedeu ou aguentou a pressão?

O ano passado FIFA 15 deixou-me um pouco a desejar, e não nos grafismos ou no ambiente, mas na jogabilidade. Em cada movimento que fazia, sentia que “tinha que comer um bife” para mover o meu jogador e tinha que antecipar demasiado as jogadas para o jogador efectuar o movimento que desejava. Mesmo com algumas alterações personalizadas, sentia essa dificuldade que aumentava exponencialmente quando estava a defender, aí a minha frustração aumentava de jogo para jogo.

Portanto e como devem estar a adivinhar a primeira coisa que quis verificar era se essa “dureza” existia em FIFA 16, e alegremente constatei que tal já não acontecia. No entanto o sentimento não foi imediato, devo admitir, primeiro achei que ainda estava da mesma, mas conforme me fui habituando à sensibilidade dos “toques” na bola, rapidamente senti uma sensação de leveza e liberdade que procurava neste jogo.

Essa sensação em muito se deve ao “No Touch Dribbling” que antes demasiado “largo” e pouco preciso, mas também pouco adaptado às situações, não é a mesma coisa receber a bola no meio campo, rodeado de jogadores, e querer mudar de direcção para um dos lados, ou estar na linha lateral com metros para galgar. Essa foi a minha primeira sensação, “ahhhh finalmente!” Agora existe uma preocupação na procura da bola para uma melhor recepção do esférico para poder mudar de direcção ou fazer um passe com melhor precisão. Ainda no domínio do controlo da bola, agora os pequenos toques e movimentações do corpo são muito mais úteis para desposicionar os nossos adversários e ganhar, por exemplo, a linha para cruzar em condições, e já que falamos nisso, de referir, que agora cruzar já faz sentido. Sim, jogar pelas linhas e cruzar agora é mais eficaz, os cruzamentos têm, também eles, uma maior precisão, e a movimentação do jogador na área é mais real, mais combativa. Tanto nos cruzamentos, como nos cantos , vão sentir que existe essa combatividade de que falava, mas também uma melhor representação do combate físico que esses lances preconizam.

No entanto estes embates não fazem com que o jogo não tenha ritmo e fique pesado, nada disso, porque a própria física é também mais real no “fugir” a esses embates, a saltar por cima dos carrinhos dos adversários, de dar um chega para lá no adversário e continuar a nossa corrida. Os “agarrões” continuam, e as devidas faltas fora e dentro da área, tal como na vida real. Ainda neste capítulo mais físico do jogo, eu continuo a ter uma grande dificuldade em defender sem ser no modo “Legacy“, isto é com o tradicional X ou A para tirar a bola e o Quadrado ou Y para pressionar com o segundo jogador. Mas também já percebi que é uma questão de hábito, mas tenho que dizer que se não o fizer não consigo tirar qualquer divertimento do jogo.

Já que falei em divertimento, vamos falar disso mesmo. Algo que me tem perturbado nas edições anuais do FIFA, tem sido a sua constante preocupação em simular o real ao ponto de, por vezes, tornar os jogos chatos. É que a realidade é um pouco diferente numa questão fundamental, o tempo. Não jogamos efectivamente jogos de 90 minutos, a maioria andará pelos jogos de 4 ou 5 minutos, e condensar a realidade a esse tempo de jogo, não é fácil quando se tenta englobar a realidade do futebol. Muitas vezes sentia que o jogo se mastigava no meio campo, com duras batalhas pela posse de bola e com jogos a acabar insistentemente em empates. É verdade que os jogos eram desafiantes, principalmente em níveis de dificuldade superior, mas o divertimento acabava muitas vezes em frustração e desespero.

Em FIFA 16, o factor tempo não mudou, mas a velocidade sim, o jogo está mais solto dessas amarras, as laterais são agora mais bem exploradas, e os movimentos dos jogadores mais apelativos, com movimentações para criar os desequilíbrios e os passes a rasgar. No entanto a táctica que utilizam é fundamental para adaptar o vosso estilo de jogo às quatro linhas, o que nos faz sentir mais dentro, numa experiência mais imersiva. Para que tudo corra neste sentido a EA Sports, também apostou em melhores animações, mais reais, com melhores reacções por parte dos jogadores, mas sempre em benefício da fluidez. Para os jogadores mais novatos há ainda uma opção que ao ser activada vos dará conselhos úteis para desenvolverem a vossa perícia perante estes novos movimentos e tempos de resposta. Ainda na questão do tempo, de referir que as lei da vantagem é agora muito mais bem aplicada, não dando vantagem ao adversário, nem cortando contra-ataques.

A nível gráfico e de apresentação, vão encontrar o detalhe que a EA Sports nos tem dado ao longo destes últimos anos, nas consolas da nova geração, não surpreendendo, mas nunca desfazendo, com o principal enfoque, este ano, a acontecer com o clima dinâmico. Vão perceber que ao longo dos jogos, nomeadamente quando está a chover ou a nevar, que o campo e vai ficando cada vez mais ensopado com a precipitação, ou mais branco, no caso da neve. Para além disso, um jogo pode começar com um chuva torrencial e diminuindo de intensidade, o mesmo com a neve, assim como poderá começar a entardecer e cair a noite com os holofotes a ganhar uma maior intensidade.

Também a nível da apresentação fora das quatro linhas existe um maior detalhe, não só com os jogadores a aquecer na linha lateral, mas também na forma como os jogadores se perfilam a entrar dentro do campo, ou com o acabar do jogo toda a gente se cumprimenta dentro do campo, tal como na realidade. Os cânticos, os adeptos a ostentarem o seu cachecol e as coreografias estão de volta, com maior detalhe mas não perfeitas. Já na apresentação do jogo em si, os menus perfilam-se da mesma maneira, com fácil acesso, agradáveis e dinâmicos, com especial enfoque para o Modo Carreira, onde as informações do jogadores e das competições vão nos fazendo companhia de forma mais intensa, tal como os rumores de transferências.

A maiores inovações do FIFA 16 são a inclusão das selecções femininas no jogo, que demonstra a importância que tem vindo a atingir no panorama do futebol mundial, e o FIFA Trainer, modo esse que é incorporado no Modo Carreira, onde podemos treinar no máximo um conjunto de 5 jogadores por semana, tentando através dos desafios que já conhecemos, aprimorar a técnica individual de cada um dos nossos jogadores. Este factor é extremamente importante na evolução dos nossos jogadores e sentimos de facto que estamos a apostar na sua formação. Para além disso é mais uma forma de nos distrair durante as longas sessões a levar o nosso clube a ganhar todas as competições.

Destacar ainda o modo FIFA Ultimate Team (FUT), com o nosso especialista Rui Gonçalves a dar aqui também o seu contributo, num modo que o tem surpreendido pela positiva:

Este ano, quando falamos de Ultimate Team (UT) não há como fugir ao Modo Draft, um novo modo de jogo que nos permite jogar com os melhores jogadores do mundo numa única equipa. E bem sei que todos nós gostávamos de ter Ronaldo, Messi e Bale na mesma equipa, mas a não ser que gastemos bastante dinheiro em FIFA Points, é pouco provável que venha a acontecer. No entanto, o Modo Draft dá-nos essa possibilidade, mesmo que apenas de um a quatro jogos, conforme passemos as várias eliminatórias.

Claro que nem tudo é como desejávamos, e até este modo tem um grande defeito, o seu preço. Isto é, para jogar este modo é necessário pagar a quantia de 15 000 moedas ou 300 Fifa Points. Portanto, se querem ter uma equipa poderosa no UT terão de abdicar de jogar Draft. E claro, os jogadores com pouco tempo para jogar, e jogam apenas uma ou duas vezes por dia, fazem um jogo de Draft por mês e já estou a ser generoso. É uma pena que este modo tenha sido pensado para que os jogadores se vejam quase na obrigação de comprar FIFA Points de forma a poderem jogar.

Falando do resto do UT, a apresentação continua igual às edições anteriores, mais precisamente na criação das equipas, compras de jogadores, itens e packs de items. O seu grande melhoramento deve-se ao equilíbrio do jogo dentro das quatro linhas, porque se em anos anteriores, as equipas que tivessem os jogadores mais rápidos, tais como Cristiano Ronaldo, Messi, Bale ou Musa a vitória era quase certa, este ano já não é bem assim. Os jogos são muito mais físicos como foi referido acima, e com equipas de jogadores bem mais fracos que as grandes estrelas é possível conseguir grandes feitos.

No geral penso que UT vai ser um dos pontos fortes de FIFA, tanto para jogadores que gostam de jogar apenas contra a IA como para os jogadores que apenas estão virados para o Online.

FIFA 16, trouxe assim uma maior diversão à série, não surpreendendo nem inovando ao ponto de ficarmos estarrecidos, mas a adicionar novos conteúdos e opções que o faz o mais consistente e completo jogo desta saga da EA Sports nas consolas da nova geração. As licenças que o jogo tem, e as constantes actualizações das equipas e seus planteis é um “plus”, assim como as notícias fornecidas mais uma vez pelo site Goal.com. Contudo temos que dizer que a quantidade de glitchs continua, assim como situações um pouco irreais, com equipas medianas a trocar a bola como se fossem equipas de topo. Dizer ainda que apesar da localização para português em todos os menus, e com a presença de uma música portuguesa na sua banda sonora, caso dos X-Wife com o tema “Movin’Up“, continuamos sem comentadores e narradores portugueses no jogo. No entanto a narração em inglês está excelente, com muita informação a ser debitada a longo do jogo, com contextualização, com estatísticas, com informações do mercado de transferências, etc.

De destacar ainda no modo do FUT, Legends, onde poderemos encontrar este ano seis das lendas portuguesas: Futre, Rui Costa, Deco, Vítor Baía, Figo e Pauleta. Lendas que apenas estarão acessíveis para Xbox One, onde testámos e para Xbox 360.

legends

Apesar de achar que existe uma demasiada atenção no FUT, elemento que gera uma enorme receita para EA Sports, FIFA 16 trouxe aquilo que era necessário para continuar a liderar as preferências dos jogadores, com todos os aspectos já referidos, ficando é claro sempre ao critério de cada um, qual será o melhor simulador de futebol e o jogo em que se divertem mais, algo que por mais que seja fundamentado, será uma questão que terá muito a ver com o gosto de cada um.

Fifa_recomenda

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