Vamos logo ao que importa: os jogos no VR são uma experiência à parte! Para o bom e para o mau, mas já lá vamos.

Comecemos pelo hardware em si. A Playstation sempre teve muito cuidado com o hardware a forma como o apresenta. O Playstation VR não falha a isso sendo mais do que uns óculos, um capacete que podemos ter em exposição em casa e usar a qualquer momento. O mesmo tem um peso que apesar de toda a tecnologia presente é leve e confortável na utilização, o que ajuda em longas sessões de jogo, ou mesmo na visualização de um filme nesta sessão de cinema privada que os óculos permitem.

O modo de fixação dos mesmos, uma simples roda para que melhor se aconcheguem à cara do jogador é simples, e mantém o equipamento no sitio. As borrachas que fazem parte do VR ajudam a isolar-nos mais do nosso mundo e entrarmos mais no mundo virtual. Dentro do VR encontramos dois ecrãs que direccionados um a cada olho permitem ter acesso a um mundo virtual 3D do qual sentimos fazer parte. Isto já tem vindo a ser feito através dos inúmeros capacetes e óculos de realidade virtual que o mercado tem vindo a ver chegar. No entanto até ao momento o VR não tinha chegado as massas, não desta forma tão abrangente. E é isto que o VR nos permite, o acesso a um mundo novo, acesso por qualquer um de nós. Sim podemos ter um Oculus Rift à algum tempo e correr os jogos com muito mais qualidade (PC Master Race, sabemos que ela existe), mas na realidade para isso precisamos de um computador competente para poder correr as aplicações que existem para o mesmo. Aqui com a Playsation é tão simples (após a ligações de vários cabos e de limpar a área de reconhecimento) como 1,2,3. E é nisso que o VR nos cativa, a sua solução simples e de certa forma “barata”.

Neste momento e após algumas horas de jogo em cerca de 15 jogos que já pude experimentar o VR é algo incrível, é o passo seguinte, é deixar de jogar o jogo, e fazer parte do mesmo. Cada vez que coloco aqueles óculos viajo para outra dimensão, encarno noutra pessoa, vivo outra vida. O enganar do nosso cérebro a pensar que está noutro corpo permite-nos quase sentir tudo à nossa volta como se fosse real. O áudio que também é processado pelo VR dando-nos um ambiente 3D ajuda a essa imersividade, levando-nos a procurar sempre onde está aquele som que ouvimos, quer seja um peixe no mar, ou um psicopata numa montanha russa.

Saltar dos 360 graus de visão e de um mundo Virtual, para um ecrã gigante do tamanho de um verdadeiro cinema é incrível, e jogar um jogo na nossa sala de cinema é algo que poucos de nós podíamos fazer até ao momento, mas com o VR isso muda. Com 3 tamanhos diferentes de ecrã cada pessoa encontrará o seu tamanho preferido.

Mas nem tudo é perfeito, e como tal o VR peca nalgumas coisas, já dissemos em cima, a qualidade não é a mais incrível é um facto, mas o factor espanto supera em parte isso, mas o maior erro ou falha do VR a meu ver passa pelos equipamentos. Ao usar equipamentos já existentes como a câmara (com dois anos) ou o Move (com 6 anos?!) permite a que os fieis à marca tenham já alguns desses acessórios, mas infelizmente como muitos de nós sabemos 2 anos é muito tempo tecnologicamente falando, e isso nota-se em algumas situações em que de repente saímos do ecrã porque a câmara não consegue acompanhar, ou mesmo mãos “nervosas” devido à pouca “sensibilidade” dos comandos move, tudo pequenas falhas que tendo em conta o preço com a experiência que o mesmo nos dá são até perdoáveis.

vr_sala_cut

Mas a maior falha, ou preocupação a meu ver, prende-se com uma coisa muito simples. Sim os jogos são incríveis, a imersão é incrível, ao ponto de esquecer-mos que estamos no sofá. São experiências incríveis, mas ao contrario do slogan da Playstation em que “é para os jogadores” aqui sentimos que é para “o jogador”. O jogador só e como experiência pessoal apenas. Sim há um ou outro jogo que usa o multiplayer, mas lembram-se daquelas tarde de sofá a jogar FIFA? Ou os jogos de Destiny com horas de raid? Sim podem fazer isso em ecrã de cinema gigante, mas é uma experiência vossa (e mais cansativa que usando simplesmente a televisão nestes casos). Temo que a longo prazo não existam jogos que façam mais uso da questão do “social” num mundo que cada vez mais vive para isso, se nos isolarmos na experiência (incrível atenção!) do individual.

Termino com uma questão que deverão fazer a vocês mesmos, e com a minha resposta pessoal. Vale a pena a comprar do VR?

Sim é uma experiência incrível, nunca me senti tão feliz por gostar de videojogos, por não ter uma vida mas ter imensas, e por finalmente poder sentir-me dentro do mundo de cada uma dessas personagens. Mas pelo outro lado, também sou uma pessoa social, gosto de ir ao cinema ou ver um filme acompanhado, o mundo isolado é demasiado só e felizmente neste caso, Virtual.

recomenda-vr

About The Author

Feito em laboratorio, e nascido em Lisboa, desde cedo começou a esmagar botões em consolas e arcadas, fã de retro-gaming, anda sempre a procura do mais antigo modelo de consolas. Não percebe de futebol, mas vibra com sensible soccer. Alivia o stress em jogos online onde espalha o caos. Kifflom!

Related Posts