O jogo à altura de Valentino Rossi

É verdade que toda a gente gosta de conduzir, especialmente a alta velocidade, mas como a lei não o permite acabamos por procurar essa adrenalina nos videojogos. Tipicamente são os jogos de condução de super carros, ou de carros de rally, mas o mundo das motos tem vindo a ganhar uma expressão notória. Veja-se o facto de termos o Ride, o MotoGP, o SBK e agora o Valentino Rossi The Game. Curiosamente todos eles são trabalhos da Milestone, que tem dado o selo de qualidade a todos estes jogos, e este não é excepção. Aqui a abordagem é um pouco diferente, teremos como nosso mestre o vencedor de MotoGP deste ano e faremos parte de uma academia de jovens talentosos que querem fazer carreira no mundo das duas rodas.

Somos guiados por uma voz feminina perante a nossa nova odisseia de nos tornarmos o próximo Valentino Rossi, podemos escolher uma variedade de equipamento das principais marcas, as luvas, as botas, o capacete, com um leque bastante grande de escolhas e opções, pena que isso não se tenha estendido para os traços faciais, há apenas um conjunto predefinido de “caras” para escolhermos, é uma pena.

Depois disso somos então convidados pelo próprio Valentino para uma série de corridas, primeiro para um Moto Ranch Camp, para aprendemos a manejar e a controlar uma mota. Este convite é feito através de mensagens, ou tweets, para dar aquela ideia do “social” e do estar na moda na verdade. A primeira aventura é de motocross, aqui o desafio na verdade é aprender a acelerar e a travar, que pode parecer simples, mas a verdade é que nas curvas é preciso dominar essa circunstância para que não se vá constantemente ao chão. Uma excelente ideia e na verdade nunca tinha pensado nisso dessa forma. É claro que fiquei em último, mas em vez de ter aquele comportamento típico do “vou estar sempre a cair, vou cagar para isto!”, fiquei a pensar que poderia fazer melhor, mas mais importante estava a aprender a ser melhor.

Posto isto fui para a primeira prova de Moto3, na nossa primeira época competimos apenas em algumas corridas pois apenas houve investimento para ver como nos safávamos, e se corresse bem poderia ser que nos contratassem para uma equipa. Bem fiquei em último outra vez, estampei-me duas vezes e já não consegui voltar a apanhar o resto da malta, mas estava a começar a dominar a coisa, ou pelo menos a achar isso. O jogo tem vários níveis de ajuda, desde travar por nós, à linha de melhor trajectória até o podermos fazer rewind até determinado ponto para não cairmos, mas no início tentei usar o mínimo de ajudas possíveis. Ao contrário de outros jogos mais exigentes e penalizadores, aqui consegui manter-me “vivo” e não ficar frustrado.

Por entre algumas corridas temos mais eventos de bootcamp, seja apenas fazer circuitos circulares de motocross a eliminar, seja pegar num Ford Mustang e fazer Drift, isto ajuda a dar fôlego ao jogo, foge ao tradicional e é geralmente bastante divertido, tirando aquela pressão da competição. Foi já na terceira prova que comecei a sentir que estava realmente a começar a perceber da coisa, a levantar o corpo nas travagens para ganhar mais aderência ao solo, a ganhar nas acelerações nas saídas das curvas e a ganhar posições com maior facilidade. No entanto ainda sem ganhar corridas, mas a aprender. Com isso chega o final da primeira época tendo impressionado alguns patrocinadores, para tentar lutar pelos primeiros lugares, mas antes disso somos convidados para aquilo que é considerado o evento de final de época, uma super especial aos comandos do Ford Fiesta Rally, numa verdadeira gincana infernal e super emocionante. É uma espécie de evento de team building onde vamos tentar fazer o melhor tempo possível e um dia vencer o próprio Valentino Rossi. O evento é bastante difícil, assim como nos habituarmos à condução do Ford Fiesta Rally, aí os comandos pareceram-me mais pesados, notando-se a diferença na suavidade e fluidez que nas motas temos e que nos carros não.

Bem a odisseia continua ao longo das épocas, tentando ganhar melhores contratos e com isso, melhores motos e desafios maiores, sempre com a ajuda preciosa de Valentino Rossi, cujo inglês é macarrónico e dá direito a verdadeiras gargalhadas pelo meio. Subimos de Moto3 para Moto2 e depois para MotoGP e vamos percebendo que a dificuldade vai aumentando, especial porque as motos ficam mais rápidas e com isso mais instáveis e com maior probabilidade de cairmos, mas nada de extraordinário, até porque vamos fazendo essa curva de aprendizagem de forma suave e sustentável para que nunca nos fartemos do jogo.

Graficamente Valentino Rossi The Game, perde alguns pontos, não é uma maravilha tecnológica, apesar de não existirem falhas de texturas, apenas está pouco polido e nunca sentimos que estamos num verdadeiro jogo que explora todo o potencial da nova geração, não tendo efeitos de dia/noite ou alterações climatéricas, por exemplo. No entanto os FPS são muito estáveis e nunca sentimos quebras.

Valentino Rossi The Game surpreendeu pela forma como é conduzido, e aqui no sentido de como um modo carreira pode ser gerido para que nunca exista um “fartamento”, os vários eventos especiais e condução de vários tipos de veículo ajudam a que isso não aconteça, assim como a sua jogabilidade que ajuda na aprendizagem e não é castigadora. É um excelente título para um jogador que gosta de motos, que quer divertir-se com alguma competitividade à mistura mas sem sentir que tem que dominar todas as questões técnicas e mecânicas para se agarrar ao jogo. Está ao nível do grande campeão Valentino Rossi, que na minha modesta opinião deveria dizer tudo o que faço na minha vida em inglês com aquele sotaque italiano, fica a dica.

2016-06-27 (3)

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Categories Análises
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