O mundo de papel precisa de nós!

É bom ser uma criança e é bom sentirmo-nos uma criança. É isso que Tearaway Unfolded nos traz, agora para a PlayStation 4. Ser criança é sorrir por coisas tão simples como um comando dar luz ou fazer barulhos, é podermos gritar para a câmera ou até fazer palhaçadas para uma fotografia ou até a desenhar uma coroa. Ser criança é ser feliz com pouca coisa, mas ser capaz de sorrir com coisas simples.

FullSizeRender (4)Tearaway Unfolded devolve-nos a nós (adultos), esse espírito que tantas vezes perdemos com as longas horas de trabalho, com a falta de dinheiro para pagar a prestação da casa, com o Governo ou as Finanças sempre a “chagarem-nos” a cabeça. E esta é a melhor definição que consigo arranjar para um jogo que tenho a certeza que vai arrancar sorrisos aos mais velhos, que vai fazer delirar os mais pequenos e vai distribuir bons momentos em família.

Mas como não fazemos apenas considerações filosóficas, passemos a contextualizar e a analisar o jogo em si. Para quem jogou Tearway na PlayStation Vita, facilmente se ambientará ao mundo que vai encontrar, não só porque é quase a cópia dele, mas pelo desafio das mecânicas que vamos encontrar, para os que chegam pela primeira vez a este mundo terão que perceber que o mundo somos nós. Passo a explicar, basicamente através de um rasgo no Sol, nós podemos ver os nossos mensageiros Atoi e Iota, e eles têm como objectivo entregar-nos uma mensagem e chegar até nós.

Para que tal aconteça os nossos mensageiros terão que passar por várias peripécias para chegar ao Sol, e mesmo que por vezes pareça que lá chegaram, tudo pode mudar neste mundo feito de papel. E é aí que o mundo de Tearway Unfolded se torna tão especial, como todo ele é feito de papel, as possibilidades de o moldar são infinitas, portanto todas as representações são feitas com esse molde, mas que rapidamente poderão dar origem a pontes, objectos, a permitir que o nosso mensageiro se torne uma pequena bola de papel ou que construa o seu próprio caminho. É essa mutação que é extremamente bem aproveitada no conceito da Media Molecule, por exemplo, os retalhos, os nossos principais inimigos, são feitos de pedaços de jornal, a preto e branco, e em tudo o que tocam esse formato a preto e branco é assimilado, perdendo vida e cor.

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Mas as transformações não se ficam por aí, também na nossa própria perspectiva de abordagem a um jogo, ficam diferentes, ora vejamos, vamos utilizar o nosso DualShock 4 para, através da sua barra de luz, conduzir o nosso mensageiro no escuro ou hipnotizar os retalhos para a seguirem, mas vamos também utilizar essa luz para derreter o gelo. Vamos ouvir através da coluna integrada do nosso comando, quando algum Retalho ou esquilo é atirado do jogo para o nosso comando e depois atirá-lo novamente para lá com o sensor de movimento e o Touchpad. Vamos ainda utilizar o Touchpad para desenhar os artíficios que os nossos amigos virtuais precisem.

Se não tiverem grande jeito para desenhar no pequeno Touchpad do comando, poderão utilizar a app disponível para a PlayStation Vita e para os tablets para, ou desenharem vocês, ou o membro mais talentoso do sofá, transformando a vossa experiência, numa experiência a pares ou em família. Mas há mais, e sim mais possibilidade do que no jogo da PlayStation Vita, como já puderam ler, podem ainda gritar para a PlayStation Camera para gravar um grito assustador para o vosso amigo Espantalho usar ou abanar o comando para fazer soar um sino.

Para não desvendar mais pormenores, de referir ainda que Tearaway tem um mundo complementar para além do jogo em si. Tal como na versão da Vita, poderão exportar os “moldes” que encontrarem no jogo, de forma a imprimi-los e através de dobragens e por ventura algumas colagens montá-los na “realidade”. Poderão ainda partilhar as vossas criações online, através do site tearaway.me.

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Voltando ao jogo em si, as mecânicas são bastante simples, por vezes até demais em alguns momentos para um jogo de plataformas, mas que compreendemos para o target que é destinado. Teremos assim que iluminar locais, utilizar isso a nosso favor, depois ganharemos ao decorrer do jogo alguns “poderes” como a manipulação do vento em todas as direcções através do Touchpad, saltar mais alto pressionando o mesmo Touchpad em áreas definidas para o efeito, ou atirar maças, pedras, bolotas ou até esquilos com a técnica de atirar/devolver que já referenciámos mais atrás.

Tearaway Unfolded é um mundo bonito de se ver e percorrer, com momentos de puro “plataform game”, misturado com sorrisos e palhaçadas, onde a criatividade é a palavra de ordem, onde ganhará muitos adeptos por correr esse risco e por funcionar super bem, não será um jogo de massas, porque felizmente ou infelizmente os AAA continuam a reinar, mas que garantidamente é o jogo mais “familiar” da Sony, é talvez a personagem mais icónica da nova geração e é sem dúvida alguma o único jogo que explorou todas as potencialidades interactivas que a consola pode ter, e isso para nós é de muito valor.

Tearaway_recomenda

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