O regresso de uma mascote!

Já tínhamos na preview ficado com muito boa indicações de Ratchet e Clank, e elas não ficaram defraudadas, pelo contrário confirmaram a capacidade de conseguirmos ter um visual muito perto dos filmes da Pixar, com a jogabilidade de um verdadeiro clássico da PlayStation.

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É impossível não referir desde logo a capacidade gráfica que este jogo atinge. Apesar de não alcançar os 60 FPS, o frame rate é constante e a sua beleza praticamente ímpar neste estilo de jogo. O visual poderia facilmente ser confundido com o próprio filme em si, extremamente detalhado, cheio de cor, com as animações altamente expressivas. Nas explosões e durante o combate o frame rate não tem qualquer drop e é extremamente fluído, mesmo tendo vários elementos, como dizia, as explosões, o combate, os parafusos a soltarem-se dos inimigos e a serem recolhidos por nós, todos estes elementos mesmo no cenário mais caótico é muito fluído. De referir ainda que cada planeta que visitamos tem uma vida própria, uma aparência própria, desde a metrópole de Novalis aos trópicos de Pokitaru, passando por alguns novos níveis onde teremos de passar por um vale de vulcões com o nosso jetpack. Os próprios layouts dos níveis são extremamente detalhados, sempre com as indicações para onde teremos de ir, mas também sem ser demasiado óbvio, deixando-nos esse desafio ou mesmo a indicação que vamos precisar de um gadget novo para aceder aquela área em específico, algo que por vezes nos vai obrigar a voltar ao jogo, depois de o termos terminado, ou de ter terminado determinada secção. Já que falámos nisso, de referir ainda que Clank terá um papel mais preponderante em alguns quebra-cabeças, mesmo que curtos, mas que proporcionam algum equilíbrio no andamento do jogo.

Depois de referir um dos aspectos mais preponderantes deste jogo, que talvez por isso mesmo, não possa ser considerado um mero reboot ou remake, contextualizemos também um pouco como Ratchet e Clank chega à PS4. Um dos aspectos fundamentais, na minha óptica é a falta que a PlayStation tem de uma figura que seja considerada a mascote da marca. Talvez o nome mais forte tenha sido Crash Bandicoot, mas acabou por nunca mais sair da primeira geração. Talvez por isso a melhor forma de reacender chama fosse não só trazer Ratchet e Clank para a PS4 mas também em formato filme, puxando os mais miúdos e por arrasto os mais graúdos a olhar de uma forma mais familiar para esta dupla que nesta nova geração talvez tenha que carregar essa dura tarefa de ligar as gerações e criar um novo culto à volta de uma mascote. Devo dizer que nesse campo a estratégia parece bem montada, o filme por aquilo a que tivemos acesso, parece saído da Pixar, e o jogo segue esse modelo em termos gráficos mas confere toda a jogabilidade a que estamos habituados, para além de trazer talvez o melhor Ratchet and Clank para a nova geração e todo ele criado de raíz, incluindo a jogabilidade para dar uma nova experiência aos jogadores.

A história não foi alterada, segue os mesmos contornos que o seu original de 2002, mas com uma versão mais “solta” do que foram esses acontecimentos. É a história como Ratchet encontrou e salvou Clank, mas também como a dupla salvou a galáxia, naquela que foi a primeira de muitas das vezes que o fez.
No entanto nesta questão, boa ou má, dependendo do ponto de vista, é que para quem ainda não viu o filme, poderá ser difícil acompanhar alguns pontos do jogo, poderão até parecer desconexos, mas se virem o filme antes vão ter a percepção de toda a narrativa e depois explorar todos os cantos e viver a acção de perto no jogo. Marketing é certo, mas em Portugal o facto de o filme sair primeiro que o jogo para que possa existir esse acompanhamento foi bem jogado. De qualquer forma, está bem escrito e o humor que apresenta é refinado e faz esquecer isso facilmente. Para além disso, o inicio do jogo dá logo um enquadramento diferente, visto que é o próprio Capitão Qwark que narra todo o jogo e o seu lado da história depois de ter sido preso nos confins do espaço pela sua traição.

As duas personagens são utilizados em partes individuais, ou seja, eles nunca estão verdadeiramente juntos, embora Clank ande às costas. Ratchet é o único que possui uma mecânica sólida de combate, podendo aplicar combos ao mesmo tempo em que pula, atira e usa uma série de habilidades exclusivas, como planar com uma hélice, voar com um jetpack, caminhar de cabeça para baixo usando botas magnéticas, mergulhar ou deslizar em canos. A verdade é que existe muita variedade também nos níveis em si, zonas a voar com jetpack, andar a saltar de carruagem em carruagem em movimento, pilotar uma nave etc; e todas elas divertidas e bem conseguidas.

Existem pelos menos 12 tipos de armas, cada uma com a sua particularidade. A maioria veio dos jogos anteriores da saga; poucas são inéditas, mas são o suficiente para acrescentar algo de novo ao que os fãs de longa data já estão familiarizados.

A proposta, entretanto, permanece a mesma de sempre: combinar o potencial de cada uma delas para destruirmos tudo o que encontramos pela frente. As armas podem ser evoluídas, utilizando uma espécie de skill tree onde teremos de usar o Raritânio que vamos encontrando pelo caminho. Facto esse que ajuda a criar a sensação de evolução da personagem e da jogabilidade.

Já os trechos de Clank baseiam-se puramente em quebra-cabeças que envolvem mecanismos típicos de plataforma, como mover alavancas, rebentar ligações de sistemas eletrónicos e activar interruptores para alcançar áreas escondidas. Estes momentos são algo lineares e os próprios puzzles não são dos mais desafiantes e criativos já vistos na série, e por vezes até chegam a quebrar o ritmo do jogo. Felizmente, estas fases são curtas e não chegam a incomodar muito.

Uma das novidades de Ratchet e Clank é uma colecção de cartas. Ao todo, são 99 espalhadas pelo jogo que, quando completadas em série de três para cada categoria, dão perks permanentes sendo automaticamente incorporados à mecânica. Esses extras podem ser, entre outros, um aumento de 100% de dano ou o aumento máximo de uma arma. É uma forma interessante de recolher a atenção, especialmente dos mais novos, e dá até para trocar, quando reunimos 5 cartas que já estejam na nossa colecção, podemos trocar, à livre escolha, por uma carta que ainda não tenhamos.

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Ratchet e Clank marca o início de uma nova era, agora na PS4, e apesar de ser uma espécie de reboot, a verdade é que é mais do que isso, não só pela qualidade gráfica, muito acima da média, mas também por revitalizar um segmento muito importante da marca nipónica, isso e o recapitalizar de um ícone e de uma figura que fazia falta à PS4 neste momento, especialmente com o fim de outra, o caso de Nathan Drake de Uncharted. O divertimento de miúdos e graúdos está garantido seja completando apenas as cerca de 15 horas de jogo, ou revisitando os vários planetas para desbloquear tudo, os mesmo as corridas de hoovercraft, que apesar de algo fáceis são divertidas.

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