O Santo Graal da PS4

Uncharted 4: O Fim de um Ladrão é um deleite! Achei que devia começar esta análise com esta frase bastante acutilante mas também sintética porque é esse o prazer que vão retirar deste exclusivo PlayStation 4.

Uncharted é talvez um dos bens mais valiosos da PlayStation, o seu factor multi geracional das consolas da Sony, uma personagem icónica da marca, um estúdio também ele icónico, a Naughty Dog que continua a produzir “blockbusters”. Por isso mesmo Uncharted 4 foi o jogo em que a PlayStation mais dinheiro gastou, não só na sua produção, mas também na sua fortíssima campanha de marketing e comunicação, que por exemplo levou à fachada do El Corte Inglés uma faixa de promoção nunca antes vista e fazer lembrar as grandes feiras mundiais de videojogos.

13174146_986066334802896_9004228303630778472_nÉ também por isso, por este peso que o jogo tem, que não podemos ser lestos nem apressados na análise, mas podemos dizer com toda a certeza, tal como fizemos no início que o jogo é um regalo para os olhos. Ao longo deste artigo vão encontrar algumas galerias de imagens do jogo tiradas no “Photo Mode“, e posso desde já dizer, que algumas têm alguns filtros que estão disponíveis para utilizarmos, e outras estão apenas ao natural, mas essas “fotos” tiradas a jogar, muitas delas não são em cut-scenes, demonstram a qualidade e a capacidade que a PS4 pode atingir, mas mais do que tudo, aquilo que um estúdio como a Naughty Dog é capaz de fazer.

Comecemos então pelos gráficos, visto que já falámos sobre isso, Uncharted 4 roda a 1080p a 30 FPS, curiosamente online roda a 720p a 60FPS, mais uma vez não temos os tais 60 FPS que se desejava no modo estória, e mais uma vez a razão dada é a aposta na estabilidade do frame rate. No entanto, e embora se note nos níveis onde existem elementos de condução, vão ficar encantados com todos os cenários, texturas ou movimentos. Para deixar aqui apenas alguns exemplos: debaixo de água, o movimento de Drake, a forma como as algas oscilam perante a sua passagem, as balas a perfurar a água, ou os cardumes de peixe que passam por nós, são apenas alguns do exemplos dos melhores gráficos que já vimos na PS4. Mas há mais, podemos ir do mais pequeno pormenor ao maior. A roupa de Drake a ficar molhada e depois a secar, o suor a escorrer pela cara, as balas a perfurar os cenários ou a partir os seus elementos, os ratos a passarem ao nosso lado, ou qualquer outro animal que faz parte do cenário “vivo” que nos rodeia; estes são apenas alguns dos vários detalhes que o jogo tem.

Sabemos que a Naughty Dog vive de detalhes e Uncharted 4 demonstra essa preocupação ao extremo, ainda falando graficamente do jogo, vão sentir em cada ambiente que vão visitar, seja ele interior ou exterior um cuidado quase que obsessivo. Vão literalmente perder horas a verificar isso mesmo, fotografias, ornamentos, plantas, objectos, alterações climatéricas, expressões, tudo está pensado e tudo está no guião criado para este jogo.

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Detalhe, como dizia, que se prolonga na Inteligência Artificial de todos os NPC (non playable characters), os nossos companheiros, Sam Drake, Victor ou Elena, vão muitas vezes interagir connosco, ter longas conversas, ajudar-nos ou guiar-nos perante todos os capítulos. E não pensem que são pontuais, de todo, são constantes, são preciosas por vezes, dá-nos sempre a ideia de que estamos acompanhados, que fazem parte e que no fundo são essenciais. Se acompanharam a nossa reportagem a Madrid quando fomos experimentar o jogo em antemão, repararam que em vários momentos vamos andar de jipe a explorar Madagáscar, e enquanto comandamos Nate, Sam e Victor ficam a conversar dentro do jipe, no entanto quanto temos inimigos para neutralizar, eles juntam-se a nós e vão por si mesmo neutralizando outros tantos. Nunca sentimos que eram empecilhos, muito pelo contrário, pareciam que estavam a seguir os nossos movimentos e a estudar a abordagem, tal como nós.

Antes de passarmos em revista e em detalhe a jogabilidade, vamos contextualizar um pouco da estória de Uncharted 4. Quando Nathan Drake estava numa posição de viver uma vida normal, junto da sua Elena, depois de tantas aventuras e de se ter reformado da vida de caçador de tesouros, eis que surge o seu irmão Sam, que se vê envolvido numa situação de vida ou de morte. Para o salvar, terão que juntos encontrar o tesouro perdido do pirata Henry Avery, de forma a poder pagar a liberdade de Sam. Só que a trama não é assim tão simples como isso e haverá muitas voltas e reviravoltas ao longo da estória. No entanto não estarão sozinhos na corrida a este tesouro, Raith, um antigo “amigo” de longa data, multimilionário e coleccionador, está à procura desse mesmo tesouro e conta com uma verdadeira força especial para o ajudar, a Shoreline.

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É claro que aqui, nesta review, estou a tentar ao máximo não spoilar nada da trama e a forma como se vai desenvolver, até porque é parte fulcral do jogo, mas para vos falar um pouco da jogabilidade vou se calhar desvendar alguns locais e mecânicas que vão encontrar.

Comecemos pelas mecânicas que os próprios níveis exigem. Existe uma variedade de níveis ao longo de todo o jogo, as tradicionais escaladas por tudo o que é sítio, os que envolvem puzzles, quer sejam os para atingir uma nova zona, quer seja os matemáticos os menomónicos, ainda os que envolvem livrarmo-nos de inimigos e talvez as duas grandes novidades: o de exploração com o nosso jipe em zonas quase de open world e as perseguições ou fugas alucinantes. Entre passado e presente não nos falta diversidade o que faz que nunca nos sintamos entediados.

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Apesar das mecânicas serem já bastante usuais na saga Uncharted, a sua fluidez e pequenas novidades são notáveis. Os movimentos de Drake não são “quadrados”, adaptam-se à circunstância, seja a colocar a mão numa parede porque está a ir contra ela, seja a esgueirar-se perante uma multidão, parece que nunca estamos a jogar apenas um jogo, mas a mover a nossa personagem de um filme, devido à realidade dos seus movimentos. É claro que a força e astúcia de Drake a escalar montanhas e a fazer saltos e a cair sem partir umas costelas devolve-nos a realidade de que estamos num jogo, mas faz parte.

Uma das novidades que já tínhamos revelado é o facto de Nate desta vez estar munido de um “grapling hook“, utensílio que vai usar para balançar entre plataformas ou para subir outras, ou mesmo para se lançar contra os inimigos. Outra é o facto de podermos marcar os nossos inimigos para controlarmos de melhor forma os movimentos dos nossos inimigos e até planear os nossos ataques furtivos. Neste aspecto podemos andar pela vegetação para matá-los sem darem por isso, não tendo que entrar em confronto directo com uma “porrada” deles.

Em termos de novidades de referir ainda a utilização do guincho do nosso jipe para derrubar obstáculos ou criar novas plataformas, assim como para conseguirmos puxar o nosso jipe para zonas inacessíveis, atando-o a uma árvore para ganhar tracção e força. Até mesmo em zonas que envolvem a utilização deste guincho, podemos assistir aos nossos camaradas a conduzir o nosso jipe para nos ajudar em determinadas situações, tal como referia em mais acima, é apenas mais uma prova da boa IA que vamos encontrar no jogo.

Tal como acontecia em anteriores jogos, vamos ter várias armas à disposição, sendo que vamos apanhando as que os inimigos vão deixando ou descobrindo tantas outras, cada uma delas, dando uma forma diferente de enfrentar as nossas dificuldades. Todas elas com efeitos diferentes, mas todas elas fáceis de manejar. De referir que poderão escolher no menu do jogo se querem que exista um sistema de auto-aiming ou se preferem fazer as coisas por vocês mesmos.

O Modo Estória, termina-se facilmente por entre as 15 a 17 horas, sendo que terão ainda a oportunidade de jogar várias vezes para tentarem as dificuldades superiores, ou para encontrar os vários tesouros espalhados por vários níveis. Com os pontos ganhos podem ainda desbloquear, novos fatos para as personagens, armas ou sons. Podem ainda jogar o jogo com com efeito Cel-Shading, depois de terem terminado o jogo o que é no mínimo interessante.

Depois disso podem sempre atirar-se ao Modo Online, que apesar de não ser o foco principal, como muitos tentam ludibriar que é, podemos considerar bastante razoável e até interessante. Não pudemos desfrutar de toda a sua plenitude, visto que os servidores estavam apenas abertos para os media e outros elementos, mas podemos dar conta do que encontrámos. Existem quatro modos – Team Deathmatch, Plunder (algo do género capturar a bandeira), Command (capturar zonas) e Ranked Team Deathmatch – acompanhados de oito mapas inspirados nos vários níveis do modo estória. Para quem conhece este Modo Online dos outros jogos, vai facilmente reparar numa novidade, os Mysticals, são poderes sobrenaturais que podem ser evocados e os Sidekicks, personagens que nos vêm auxiliar, como por exemplo reviver companheiros, defender zonas ou matar inimigos. Estas duas opções apenas podem ser activadas em tempo-real e com o dinheiro que ganham nessa mesma partida. Dinheiro esse que também serve para comprar outras armas, armas mais poderosas, tão poderosas quanto um revólver que mata só com um tiro. Não sendo o prato forte de Uncharted o seu online, vaõ se divertir bastante com este modo, especialmente se for constantemente upgradado como aconteceu no passado.

Nota ainda para a banda sonora do jogo, que mais uma vez nos preenche e preenche a narrativa nos seus variados momentos, nota ainda para o trabalho de Nolan North e Troy Baker na sua versão original, e para a versão dobrada em português, por ser mais uma vez, especialmente nos jogos da Naughty Dog, dos melhores trabalhos que vimos na PlayStation, com destaque para Sérgio Calvinho ( Nathan Drake), João Craveiro (Victor Sullivan) e Sofia Duarte Silva (Elena).

Uncharted 4: O Fim de um Ladrão é um excelente fim da saga de Nathan Drake, visualmente gigante, extremamente fluído, com uma narrativa muito interessante e talvez até a mais “pesada” até agora. Nota-se o cuidado e no detalhe da Naughty Dog em aprender com o passado, especialmente perante o trabalho de Last of Us, alimentando mais a estória e tornando-a mais profunda sem perder o equilíbrio e aquilo que é exigido na saga Uncharted. É verdade que tudo aquilo que vimos no jogo, já o vimos em algum lado, as escaladas à Assassin’s Creed, ou o marcar os inimigos à Metal Gear Solid V, mas todas essas mecânicas estão adaptadas a este universo. Um universo que fazia falta à PlayStation, que era obrigatória na PS4 e que se tornou obrigatório para qualquer jogador que tenha uma PS4 em sua casa.

 2016-05-09

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Categories Análises
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