Ori ou a festa do bom gosto

Vou começar da seguinte maneira: Ori and the Blind Forest é o jogo mais bonito do ano.

Dito isto e tendo aguçado o apetite para lerem o resto da review, fundamentemos isso. Para já explicar a palavra “bonito”. Bonito pode ser uma expressão utilizada apenas e só para dar ênfase ao detalhe gráfico do jogo, algo que é mais do correcto, com camadas e camadas a serem trabalhadas de forma a funcionarem independentemente ao mesmo tempo em que o jogo decorre a 1080p a 60 fps. Mas pode ser também para descrever a história que fundamenta o jogo, basicamente encarnamos Ori, um guardião da luz branca que cai da árvore Spirit e ficou perdido na floresta. Ori é acolhido por uma espécie de urso chamado Naru, que o alimenta e o protege até ao dia em que acontece, algo parecido com um cataclismo e destrói toda a floresta. Naru sem qualquer hipótese de sobreviver, decide dar o último fruto a Ori e morrer com Ori em seus braços na tentativa que ele sobreviva. Um início tocante, onde Naru morre de fome para dar vida a Ori que mas uma vez orfão terá que tentar salvar a floresta por si só. Um universo tocante que nos faz lembrar, nos tempos de hoje, que os mais necessitados são aqueles que dependem de nós.

Ori and the Blind Forest – TGS 2014 – Prologue

Com este ambiente, decidimos afincadamente salvar a floresta, encontrar a árvore Spirit e dar-lhe vida novamente, para essa tarefa contaremos com Sein, uma espécie de luz que vai guiar Ori, mas também será a “arma” que defenderá Ori contra os inimigos. Ao longo do jogo vamos ganhar mais habilidades para a nossa personagem e para Sein, desde a habilidade de poder saltar mais alto, agarramo-nos às paredes, Sein ficar mais forte e atacar com mais força ou Ori conseguir “sugar” os pontos de habilidade e de vida. Basicamente teremos uma Skill Tree onde vamos desbloqueando essas habilidades. Outro dos aspectos que temos que referir são os pontos de vida e de salvar o jogo. Em Ori não existe um checkpoint, podemos salvar onde quisermos, bastando para isso carregar sem largar a tecla B, no entanto para o podermos fazer, temos que ter recolher “orbs” que o permitam. Uma maneira interessante de gerir os nossos checkpoints, pois por vezes não conseguimos fazer os saltos com o timing necessário, ou até para gerir o nosso posicionamento no mapa para cumprir os objectivos.

É verdade, ainda não tinha dito que Ori é um jogo de plataformas pois não?! Sabem o que isso quer dizer? É que nos embranhamos tanto na história e no ambiente fantástico que este jogo proporciona que as plataformas acabam por ser secundárias. É verdade que jogos como o Rayman ou Child of Light, ambos da Ubisoft e ambos a serem feitos através da plataforma Ubi Art, já nos mostraram que estes ambientes podem ser criados e recriados, mas não têm a mesma profundidade de Ori, nem a mesma percepção de tridimensionalidade que Ori entrega. Para além disso, Ori foi feito em Unity, dando provas que este motor também é capaz de pequenas maravilhas.

Ori and the Blind Forest – New Trailer

E vão ver que vão ficar maravilhados com os gráficos, com o estilo, com as mecânicas e os níveis, com as explosões de cor e o ritmo e com a forma como os níveis se entrelaçam com os presumíveis “bosses” que vão encontrar ao mergulhar nesta floresta. Não quero estragar a experiência ao contar demasiado sobre os níveis ou inimigos que vão encontrar, mas garanto-vos que vão ficar maravilhados.

Uma palavra também para a banda sonora que acompanha o jogo, gravada na Ocean Way Nashville Recording Studios e liderada pelo compositor Gareth Coker, com um background fascinante e formado na Royal Academy of Music, em Londres. Uma pequena delícia que deveriam comprar em separado e que até o podem fazer aqui.

Ori and the Blind Forest – Making of Soundtrack

Ori and the Blind Forest é um regalo para qualquer “gamer”. Uma história tocante, uma banda sonora exímia, gráficos lindíssimos e mecânicas apuradas. É tudo o que podemos pedir de um jogo de plataformas elevado à modernidade, criado pela Moon Studios, um estúdio independente que foi formado em 2010 por Thomas Mahler (antigo Cinematic Artist na Blizzard Entertainment) e Gennadiy Korol (antigo Senior Graphics Engineer na Animation Lab). Um estúdio que não passou despercebido à Microsoft que os decidiu juntar à sua equipa para desenvolver este jogo e está na calha outro, sob o nome de código Warsoup.

Não há muito mais a dizer sobre o jogo, é uma experiência que não deve ser perdida por nenhum amante de videojogos, e é um dos jogos deste ano, sem sombra de dúvida.

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