Ori ou a festa do bom gosto

Vou começar da seguinte maneira: Ori and the Blind Forest é o jogo mais bonito do ano.

Dito isto e tendo aguçado o apetite para lerem o resto da review, fundamentemos isso. Para já explicar a palavra “bonito”. Bonito pode ser uma expressão utilizada apenas e só para dar ênfase ao detalhe gráfico do jogo, algo que é mais do correcto, com camadas e camadas a serem trabalhadas de forma a funcionarem independentemente ao mesmo tempo em que o jogo decorre a 1080p a 60 fps. Mas pode ser também para descrever a história que fundamenta o jogo, basicamente encarnamos Ori, um guardião da luz branca que cai da árvore Spirit e ficou perdido na floresta. Ori é acolhido por uma espécie de urso chamado Naru, que o alimenta e o protege até ao dia em que acontece, algo parecido com um cataclismo e destrói toda a floresta. Naru sem qualquer hipótese de sobreviver, decide dar o último fruto a Ori e morrer com Ori em seus braços na tentativa que ele sobreviva. Um início tocante, onde Naru morre de fome para dar vida a Ori que mas uma vez orfão terá que tentar salvar a floresta por si só. Um universo tocante que nos faz lembrar, nos tempos de hoje, que os mais necessitados são aqueles que dependem de nós.

Com este ambiente, decidimos afincadamente salvar a floresta, encontrar a árvore Spirit e dar-lhe vida novamente, para essa tarefa contaremos com Sein, uma espécie de luz que vai guiar Ori, mas também será a “arma” que defenderá Ori contra os inimigos. Ao longo do jogo vamos ganhar mais habilidades para a nossa personagem e para Sein, desde a habilidade de poder saltar mais alto, agarramo-nos às paredes, Sein ficar mais forte e atacar com mais força ou Ori conseguir “sugar” os pontos de habilidade e de vida. Basicamente teremos uma Skill Tree onde vamos desbloqueando essas habilidades. Outro dos aspectos que temos que referir são os pontos de vida e de salvar o jogo. Em Ori não existe um checkpoint, podemos salvar onde quisermos, bastando para isso carregar sem largar a tecla B, no entanto para o podermos fazer, temos que ter recolher “orbs” que o permitam. Uma maneira interessante de gerir os nossos checkpoints, pois por vezes não conseguimos fazer os saltos com o timing necessário, ou até para gerir o nosso posicionamento no mapa para cumprir os objectivos.

É verdade, ainda não tinha dito que Ori é um jogo de plataformas pois não?! Sabem o que isso quer dizer? É que nos embranhamos tanto na história e no ambiente fantástico que este jogo proporciona que as plataformas acabam por ser secundárias. É verdade que jogos como o Rayman ou Child of Light, ambos da Ubisoft e ambos a serem feitos através da plataforma Ubi Art, já nos mostraram que estes ambientes podem ser criados e recriados, mas não têm a mesma profundidade de Ori, nem a mesma percepção de tridimensionalidade que Ori entrega. Para além disso, Ori foi feito em Unity, dando provas que este motor também é capaz de pequenas maravilhas.

E vão ver que vão ficar maravilhados com os gráficos, com o estilo, com as mecânicas e os níveis, com as explosões de cor e o ritmo e com a forma como os níveis se entrelaçam com os presumíveis “bosses” que vão encontrar ao mergulhar nesta floresta. Não quero estragar a experiência ao contar demasiado sobre os níveis ou inimigos que vão encontrar, mas garanto-vos que vão ficar maravilhados.

Uma palavra também para a banda sonora que acompanha o jogo, gravada na Ocean Way Nashville Recording Studios e liderada pelo compositor Gareth Coker, com um background fascinante e formado na Royal Academy of Music, em Londres. Uma pequena delícia que deveriam comprar em separado e que até o podem fazer aqui.

Ori and the Blind Forest é um regalo para qualquer “gamer”. Uma história tocante, uma banda sonora exímia, gráficos lindíssimos e mecânicas apuradas. É tudo o que podemos pedir de um jogo de plataformas elevado à modernidade, criado pela Moon Studios, um estúdio independente que foi formado em 2010 por Thomas Mahler (antigo Cinematic Artist na Blizzard Entertainment) e Gennadiy Korol (antigo Senior Graphics Engineer na Animation Lab). Um estúdio que não passou despercebido à Microsoft que os decidiu juntar à sua equipa para desenvolver este jogo e está na calha outro, sob o nome de código Warsoup.

Não há muito mais a dizer sobre o jogo, é uma experiência que não deve ser perdida por nenhum amante de videojogos, e é um dos jogos deste ano, sem sombra de dúvida.

ori-recomenda

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