Quem aqui viveu nos anos noventa certamente que se lembra de Starship Troopers, um filme onde Space Marines combatiam insectos gigantes pelo universo fora. Quem viu o filme lembra-se também que era assim algo mau, Farpoint é incrivelmente parecido com este filme, mas ao contrario do filme, é surpreendentemente bom.

Farpoint é um shooter do mais genérico possível, ir do ponto A ao ponto B, disparando sobre todos os insectos que se movam ao longo do caminho. Ora isto como shooter seria das piores experiências que vos podia aconselhar, mas estamos a falar de um jogo para o Playstation VR, e ao ganhar esta nova dimensão estamos perante um jogo que pela primeira vez no VR, sentimos que nos agarra por horas a fio.

O jogo conta a historia de como nós vamos ao encontro de uma expedição espacial, onde dois cientistas estão a investigar sobre um fenómeno no universo onde algo está sempre a gerar energia, ora como sempre isto corre mal, e após atravessar um “túnel minhoca” damos por nós noutro planeta, nós em busca dos cientistas, e os cientistas em busca de sobrevivência. A historia é interessante de ver, mais do que viver, pois vemos ao longo do jogo como os cientistas se adaptam ao novo mundo e às situações que vão encontrando, e vivemos a nossa historia onde literalmente tudo o que fazemos é rebentar com tudo o que podemos de arma em punho em busca do próximo capitulo da historia destas personagens.

Ah e aprendemos também sobre o vasto repertório musical de Del Amitri.

Em termos de história e sem vos spoilar nada é isto que podem contar, mas este jogo não nos convence pela história, convence-nos pelo VR e pelo Aim Controller que melhora e muito a experiência que o jogo nos dá. Quem derretia moedas nos antigos Salões de Jogos certamente que se lembra das maquinas de Time Crisis, Virtua Cop, ou mesmo House of the Dead. Farpoint é o mais parecido que temos nos dias de hoje juntando a isso a imersão do jogo ser total e não ser para disparar contra um ecrã.

Esta imersão é conseguida graças ao VR claro, mas muito devido ao novo Aim Controler que assume a forma de qualquer arma de jogo, trazendo a sensação de quase realidade ao jogo, faltando apenas o “coice” de disparo da mesma (se bem que o rumble está a reagir a cada disparo sem falhas).

Nesses jogos que vos falava o caminho era sempre em frente e aqui em Farpoint o mesmo ocorre, não existe forma de voltar atrás, e mesmo os inimigos que quando nos atacam podem ir parar atrás de nós voltam sempre para a frente de forma a que os possamos abater. Isto não faz com que não possamos ver todo o mundo à nossa volta, nem que possamos comandar à vontade a camera de jogo, no entanto o jogo faz isto de forma inteligente, para que não tenhamos tanto motion sickness dentro do mesmo. Isso é um ponto importante deste jogo. Não vou mentir. A primeira vez que arranquei com Farpoint a experiência foi dolorosa, senti-me extremamente mal disposto, com as definições nativas do mesmo. Felizmente Farpoint permite mexer nas definições de movimento de forma a que cada pessoa tenha a melhor experiência possível. Posso dizer que desde que mexi nas definições as minhas sessões tem sido de cerca de duas a três horas (com pequenos intervalos pelo meio para descansar a vista) mas sempre sem náuseas.

O jogo ao longo da sua historia (algo curta com cerca de 6/7 horas de jogo) consegue prender o jogador, apesar de não ser fenomenal, pois queremos sempre saber mais sobre os outros exploradores, e pra isso cativa-nos e envolvendo-nos neste mundo alienígena, onde teremos superar as ondas de insectos, tornando-se estes cada vez maiores e em maior quantidade.

Além de insectos e outros inimigos ao longo do jogo vamos descobrindo novas armas, não muitas é um facto mas as quais temos de aprender a gerir, a que mais irão usar será a vossa amiga metralhadora, que apesar de ter um numero ilimitado de munições aquece necessitando de um tempo de cooldown, e é ai que pode entrar a vossa arma secundaria, como uma espingarda, que em close combat é devastadora, mas que tem de ser recarregada constantemente. Estas trocas de armas tornam-se importantes conforme o tipo de inimigos e conforme vamos percebendo as suas mecânicas. Não são os seres mais inteligentes, mas obrigam a uma gestão do equipamento que temos connosco, o que ao fim do dia pode ser uma solução óptima para aliviar o stress no vosso pequeno mundo virtual. A troca de armas como vos referi em cima é feita de uma de duas maneiras, ou levantam o braço como se tivessem a retirar uma arma das costas, ou simplesmente carregam triângulo, vão optar por usar a segunda opção, acreditem. Tal como recarregar que pode ser feito nos botões R1 de lado no comando, mas vão acabar por usar o Quadrado ao lado do analógico traseiro que controla o raio de visão horizontal. O movimento cabe o outro analógico, numa espécie de movimento em dois eixos, frente-trás ou esquerda-direita, mantendo o campo de visão.

Este mundo, e este jogo, é de tal maneira envolvente que vos faz sentir real, e isolar-vos do mundo em que vivem, acreditando que este é o vosso mundo e que de facto tem aranhas a saltar-vos para a cara.

A maior falha deste jogo, talvez se prenda com os cenários, sendo algo insípidos, fruto de uma navegação “sempre em frente”, e de cenários muito idênticos, principalmente nas primeiras horas de jogo. Mas que estão cheios de vida graças aos inimigos presentes. A par desses cenários, graficamente não é o maior portento na PS4, em parte também culpa do número limitado de pixels que o PS VR consegue fazer. Nota-se particularmente nalgumas animações das personagens, quando estamos a assistir à história dos dois exploradores.

Um ponto importante é a total adaptação do jogo para português de Portugal, com boas traduções e boas interpretações dos actores que dão vós às personagens. Apesar de ainda não estarem ao nível de transmissão de emoção das vozes originais tem sido feito um trabalho cada vez melhor nesse sentido.

 

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Feito em laboratorio, e nascido em Lisboa, desde cedo começou a esmagar botões em consolas e arcadas, fã de retro-gaming, anda sempre a procura do mais antigo modelo de consolas. Não percebe de futebol, mas vibra com sensible soccer. Alivia o stress em jogos online onde espalha o caos. Kifflom!

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