PES 2016 – O regresso do rei?!

Antes de começarmos esta review, temos de dar os parabéns ao Pro Evolution Soccer. São 20 anos a fazer milhões de jogadores felizes em casa e até em pequenos bares e cafés, e milhares e milhares de horas a editar nomes de jogadores, equipamentos, emblemas e outras coisas do género ao ponto de já não saber se Merseyside Red não será mesmo o nome original do Liverpool. Nunca me esquecerei da quantidade de DVD’s queimados para jogar PES com os patch’s criados para o meu Simãozinho jogar com as Adidas F50, ou o Rui Costa com as suas Nike Tiempo brancas. Quem não fez o mesmo?! Quem não usou o LusoWedit do nosso grande Mauras? Bons tempos esses…

benfica

Mas não recordamos apenas o PES por essa necessidade louca de editar tudo e mais umas botas (literalmente), mas também pela diversão que proporcionava, e digo isto no passado, pois a jogabilidade da série para muitos de nós ficou no seu expoente máximo em PES 6 e depois sempre teve uma enorme dificuldade na passagem para as consolas da antiga e agora também da nova geração. Por muito esforço que existisse da parte da Konami em atingir o seu rival FIFA, a verdade é que ficava sempre muito à quem. Talvez desde então que talvez por saudosismo ou por querer ver uma batalha mais ombro a ombro entre os dois, tantos gamers esperem com algum ansiedade que o PES volte a reinar e a entregar aquilo que um dia já foi.

[wonderplugin_gallery id=”7″]

E em grande parte, podemos dizer que PES 2016 consegue atingir esse patamar. Para já podemos dizer que é o melhor PES desta nova geração. Nota-se uma clara evolução do jogo em relação ao ano passado, nomeadamente no confornto físico e na própria física da bola, isto é, os jogadores lutam efectivamente pela bola, utilizando o corpo para tentar ganhar a posição e a bola, e tanto no chão como pelo ar. Sente-se uma luta, como na vida real, pela posse da bola, e sente-se o esférico a poder pender para cada um dos lados ou até mesmo a fugir para um outro companheiro ou adversário. Existe uma maior imprevisibilidade nessa mesma luta que dá uma nova dinâmica ao jogo, não é apenas uma questão de carregar mais no botão, ou ter mais companheiros a fazer pressão, ou o timing de cabecear a bola, é preciso lutar pelo esférico e mesmo assim não sabemos muito bem o rumo que ele poderá ter. E pode parecer uma pequena mudança, mas aliado ao facto de a Inteligência Artificial estar muito melhor a dinâmica do jogo é elevada.

pes geral

Podem reparar facilmente que existe uma maior movimentação dos nossos jogadores para criar espaços e desmarcações levantando a mão, como na vida real, a pedir um passe que os coloque em boa posição para fazer o golo. Mas não é apenas nesse tipo de situações, mesmo no decorrer do jogo vão perceber que a “vontade” das equipas muda. Quando marcamos um golo vão ver uma postura diferente da equipa adversária, mais pressionante e com uma maior vontade de recuperar, mas também perder o moral quando estão a levar uma cabazada, assim como a nossa equipa ganhar moral por estarmos na mó de cima no jogo. E estes factores são inerentes ao jogo, não existem definições para o mesmo, o que nos faz sentir e envolver com o decorrer da partida.
No fundo a jogabilidade do PES está mais solta, mais desinibida e diverte-nos e não nos irrita, sorrimos com uma jogada que pensámos viver apenas na nossa cabeça e ela funcionar no jogo, mesmo fugindo um pouco à realidade.

Talvez esse seja mesmo o ponto forte do jogo, apesar de utilizar o motor FOX Engine, o mesmo utilizado em Metal Gear Solid V: Phantom Pain, por exemplo, o jogo não está tão limado quando seria desejável, o público e tudo o que fica fora das quatro linhas parece algo datado, o mesmo que já tínhamos visto o ano passado, também o relvado parece mais um rectângulo verde do que propriamente um relvado, especialmente nas câmaras mais afastadas. As celebrações apesar de algumas de fino recorte, como a do Totti a tirar uma selfie ou o beijo para a câmara, são apenas dois exemplos mais fora do comum, mas quantidade e a variedade são bastante parcas. Uma palavra para o “port” para o PC, que é muito inferior à das consolas com gráficos que mais faz lembrar a PS3 do que aquilo que o PC pode atingir, algo que não se compreende.

[wonderplugin_gallery id=”13″]

Outro ponto que deve frustar muitos dos jogadores é a quantidade de licenças que o jogo tem. Apesar de ter todas as competições internacionais de clubes, com grande destaque para a Liga dos Campeões, existem várias ligas que não estão licenciadas e cujos os clubes também não estão. No caso da nossa liga portuguesa, apenas os 3 grandes estão devidamente licenciados, mas infelizmente sei os seus respectivos estádios. É claro que no caso da PS4 tudo pode ser resolvido com a possibilidade de importação de imagens, podendo, por exemplo, usar o ficheiro disponibilizado por “beskinhas“, com todos os equipamentos das equipas da Liga NOS.

Pro Evolution Soccer 2016_20150928144141

O mesmo pode acontecer com todos os equipamentos das outras ligas ou equipas não licenciadas, inclusive os seus emblemas e fotos de treinador, mas acredite, até porque já o fiz, é um trabalho que vos vai tirar algumas horas. A verdade é que apesar de isso poder ser contornado, mais uma vez no caso da PS4, não podemos deixar de dizer que a falta de licenças é um ponto que não abona muito o jogo, isso e o facto de parecer que a Konami não está muito preocupada com isso, e com o facto de todas as equipas estarem altamente desactualizadas. É que não estamos a falar de transferências que foram feitas muito perto do lançamento do jogo, estamos a falar de Casillas não estar no FC Porto, de Jackson Martinez não estar no Atlético de Madrid, ou dos benfiquistas verem Maxi Pereira ainda no SL Benfica. Mais, a Konami disse mesmo estar mais preocupada com as questões online do que com actualizações dos planteis e por isso o pacote de dados que fará essa correcção apenas chegará a 29 de Outubro, algo que honestamente não consigo compreender.

Quanto aos modos de jogo, terão todas as competições oficiais licenciadas, falo da Liga dos Campeões, a Liga Europa, a Super Taça Europeia, a Liga dos Campeões Asiática, a Copa Libertadores e Sul Americana, para além das ligas licenciadas, como a Liga Espanhola, Francesa, Italiana e Holandesa. Todas estas ligas e competições têm praticamente todas as equipas licenciadas, mais algumas das outras ligas e competições. Portanto podem jogar estas competições com toda a pompa e circunstância a que estamos habituados na vida real, com pormenores dentro e fora do campo e com os menus estilizados como tal.

PES2016-gamescom-DMM-01_1438752423

Temos ainda o modo de treino, o modo de partidas rápidas em formato local e online, assim como as épocas, formatos que transitam mais uma vez do ano anterior e sem grandes diferenças. Já a Master League foi totalmente remodelada, quer a nível de apresentação, com menus muito mais apelativos e interactivos, com notícias e acontecimentos que podemos acompanhar, as normais transferências e treinos. Destaque para uma opção que agora surge na Master League, o Team Roles, no qual podemos transformador um jogador específico numa espécie de ídolo para os adeptos e uma referência dentro do campo. O seu crescimento influência a própria progressão da equipa, um aspecto que poderá ser extremamente interessante para muitos jogadores.

É claro que temos que falar ainda do modo MyClub, a vertente mais online, onde criamos a nossa própria equipa e a levamos ao confronto com outras. Este modo tem sido uma das maiores preocupações da Konami, talvez ao ponto de pecar em outros tantos, onde utilizamos todos os pontos ganhos ao longo de todos os jogos realizados nos outros modos, ou mesmo numa partida rápida, para construir a nossa equipa ideal. O facto de os pontos serem ganhos em todos os modos e partidas, faz com que tenhamos que jogar mais e nos leve a fazer cada vez mais jogos e que exploremos todas as vertentes, uma boa ideia da Konami para o jogador voltar sempre ao jogo. De resto o MyClub funciona da mesma maneira, utilizamos os nossos pontos para comprar jogadores, para a sua utilização e vamos gerindo o nosso clube até ao topo. Tivemos alguns problemas de rede nos primeiros dias ao jogar online, mas temos também que dizer que esses problemas têm sido ultrapassados ao longo do tempo com as actualizações.

09_1438755033.myClub_train_PES

Uma palavra ainda para o facto dos comentários contarem mais uma vez com a presença do jornalista e comentador da TVI, Pedro Sousa e o comentador desportivo Luís Freitas Lobo. É sempre bom ouvir vozes portuguesas nos comentários, este ano, com um maior sincronismo do que no ano anterior, sendo que a variedade não é muita e por vezes os lances não são assim tão espectaculares como são narrados, mas a verdade é que existem e até estão bastante actualizados em termos de jogadores e equipas. De referir que esse trabalho também foi feito no “background”, isto é, se editarem as equipas portuguesas ou inglesas, vão conseguir fazer com que os comentadores digam o nome certo das equipas.

O que interessa é como a época termina e não começa, há muitos treinadores que dizem isso, e por vezes têm razão e por vezes descem de divisão, pelo menos é esse o meu ditado popular. Pro Evolution Soccer 2016 celebra o seu vigésimo aniversário (começou com World Soccer Winning Eleven, para a PlayStation em 1996), e celebra-o da melhor maneira possível, com um sistema físico muito mais apurado, com as animações dos jogadores muito mais perfeitas e com os pequenos toques na bola a serem fundamentais na postura e forma de abordar as jogadas, embate físico esse que dá uma nova dinâmica de jogos, por vezes atrapalhada, mas maioritariamente precisa, dando a sensação da verdadeira luta pela posse do esférico.

maxresdefault

PES 2016 ganhou uma nova vida, uma vida mais inteligente, com a IA a trabalhar em equipa com o jogador e a não ser matemática, mas humana, um dos pormenores mais interessantes de se analisar neste jogo. Existe uma humanização em PES 2016 que reflecte os passos que foram dados na tentativa de ser o melhor simulador de futebol deste ano, se o conseguiu vai partir muito de vocês, de como vêm o futebol e da experiência que querem num jogo de futebol. Dependerá muito se querem um jogo com todas as licenças ou se querem editar um jogo para estar nesse ponto, se dão importância às competições europeias e querem viver mesmo esse ambiente fielmente recriado e dependerá se querem um experiência mais divertida, mais dinâmica, até certo ponto mais arcade, com uma jogabilidade mais rápida, com especial destaque para os remates fora da área e nas jogadas pelos corredores laterais. O que podemos dizer sem sombra de dúvida é que este é o melhor PES que vão encontrar na nova geração de consolas, ainda não está no ponto desejável, mas deu passos muitos sólidos e alguns de gingante em relação à concorrência e a chegar ao PES que os saudosistas tanto querem ver. O futebol espectáculo está de volta ao PES e esse é o melhor elogio que lhe podemos fazer.

2015-09-29

Published
Categories Análises
Views 92

Comments (4)

  • Setembro 29, 2015 at 7:53 pm
    William Carvalho rei????
  • Setembro 30, 2015 at 8:11 am
    Não acreditamos que não tenham visto isto:
  • Setembro 30, 2015 at 8:16 am
    Alguém liga aos disparates dos sportinguistas? Rei no footbal português pensa-se sempre em Eusébio

Comments are closed.

Ir para a barra de ferramentas