Qual Terra Média?! Terra Superior!

Lembro-me que ao primeiro teaser de Middle Earth: Shadow of Mordor, eu e o João Gonçalves ficamos com a pulga atrás da orelha. E não temos falhado, para o bom e para o mau, este ano. Desde cedo percebemos quer pela mecânica, quer pelo o ambiente onde o jogo se desenvolvia, existia um potencial enorme para ser o jogo do ano. Será que o é?

Comecemos por explicar um pouco a história que se situa entre o Hobbit e o Senhor dos Anéis. Em Shadow of Mordor, entramos na pele de Tallion, um Ranger, guardião de Gondor que foi colocado no Black Gate de Mordor.

É nessa altura em que o jogo nos coloca à vontade com os comandos, enquanto treinamos o filho de Tallion e experimentamos o modo furtivo para roubar um beijo à sua mulher. Apesar disso rapidamente vemos o portão a ser atacado pelas tropas de Sauron, que assassina a sua mulher e filho à sua frente, num ritual que desconhecemos o propósito e que acaba por nos tirar a vida também.

No entanto não nos é concedida a morte e somos obrigados a reviver, mas agora possuídos pelo espírito de um Elfo morto, há milhares de anos. Tallion torna-se imortal e aliado de Wraith, o Elfo que procura recuperar a sua memória e identidade, enquanto o nosso Ranger, procura a vingança e quebrar a maldição e a morte. Para isso, eles precisam juntar forças e enfrentar hordas e mais hordas de Orcs e Uruks dos exércitos de Sauron, até que finalmente consigam desafiar os “Warchiefs”.

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É aqui que Shadow of Mordor apresenta a grande diferença perante todos os jogos. O famoso Nemesis System. Um sistema que constrói uma hierarquia do exército inimigo, indicando os Warchiefs e Capitães. Para além disso existem ligações entre eles que se vão alterando conforme o jogo se desenrola. Poderá ser de forma aleatória, ou caso o nosso jogador, Tallion, seja morto por esse Uruk, promovendo esse Uruk a Capitão pelo feito de nos ter morto. O mais interessante é que este sistema é “vivo”, isto é, os Uruks estão em constante guerra uns com os outros e por isso mesmo vão conquistar posições uns aos outros. Podem inclusivé chacinar os capitães e Warchiefs sem mexer um dedo, mas isso daria conversa para um outro artigo inteiro só sobre este jogo e ainda temos muita coisa para falar.

Ainda inserido nesta perspectiva do Nemesis System dizer ainda que os conforme vão perdendo batalhas com os capitães e Warchiefs, assim como nas lutas internas entre eles, o exército vai ficando mais forte, o que constitui um desafio por si só e que aumenta a longevidade do jogo.

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A mecânica do jogo é muito semelhante ao que já encontrámos por exemplo em Assassin’s Creed. Controlamos a nossa personagem na terceira pessoa, podemos caminhar pelo “mundo aberto” criado por J.R.R. Tolkien, enfrentar Orcs, Uruks, CaragorsGraugs e Ghuls, activando os poderes do nosso Elfo Wraith sempre que precisarmos. No caso será como a visão de águia de AC, onde para encontrarmos o nosso inimigo “central” teremos que o usar, ou para encontrar pistas, ou trilhos, ou então para usar os poderes de Wraith, como as setas de Elfo. É um roubo descarado, sim é, mas é bem utilizado, isso e a mecânica de combate à semelhança da saga Batman Arkham. Os combos, o ataque, defesa e contra-golpe são muito semelhantes, com os finishers a darem sempre um tom cinematográfico à coisa e a serem muito envolventes e divertidos. No fundo não há nada como cortar cabeças a Orcs.

Será depois de umas boas horas de jogo que para além de encontrarem Gollum que terá um papel importante no desenrolar da história, que perceberão que Wraith é Celebrimbor, aqui no jogo retratado como o melhor ferreiro da Second Age e o criador dos anéis do poder. Aí a história ganha novo andamento, não só com a percepção que Wraith foi traído por Sauron e quer a sua vingança, mas porque também funciona quase como elemento de união entre Hobbit e a saga do Senhor dos Anéis.

As missões que revelam a identidade do espírito, o Elfo Celebrimbor, e seu envolvimento com Sauron no passado, ajudam a conceder grandiosidade à campanha do jogo, com sequências belíssimas de animação, para deleite de novos e antigos fãs do universo “tolkieniano”. Aliás, não podemos esquecer que o guião foi assinado por Christian Cantamessa, o mesmo de “Red Dead Redemption com supervisão de Peter Jackson e da sua produtora Weta, responsáveis pelos visuais das trilogias “O Hobbit” e “O Senhor dos Anéis” no cinema, garantindo assim uma espécie de padronização e conversa entre as produções.

Para juntar ao leque de protagonistas deste jogo, não podemos esquecer o incrível elenco de vozes, Troy Baker (Talion), Nolan North (Black Hand of Sauron), Liam O’Brien (Gollum), Alastair Duncan (Celebrimbor) e Laura Bailey (Ioreth).

Destaque ainda para o sistema de habilidades, armas e poderes que podemos adquirir ao longo do jogo, numa espécie de “skill tree”, dando ao jogador a possibilidade de enveredar por vários caminhos e personalização de Tallion, para o estilo de jogo que mais gostam. Poderão adquirir mais poderes para controlar os vossos inimigos, apostar na força bruta e no vosso armamento, um rol de escolhas que agrada a qualquer jogador e que o vai obrigar a percorrer vários objectivos secundários para obter mais pontos e desbloquear novas possibilidades.

Graficamente o jogo é um espanto. O nível de detalhe é muito elevado, especialmente quando está a chover, onde os reflexos e os efeitos nas texturas são brilhantes. O detalhe de cada inimigo, para além da nossa personagem também é impressionante, ao ponto de não encontrar diferença entre as parte cinemáticas, mesmo as de finishers dos combos quando estamos em combate. Realmente sentimos que estamos numa das produções de cinema dos livros criados por J.R.R. Tolkien.

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Middle Earth: Shadow of Mordor não nos enganou, foi sempre acrescentando elementos ao longo do tempo de promoção do jogo e quando nos chegou às mãos entregou-nos tudo aquilo que prometia e surpreendeu imenso com o Nemesis System. Temos a certeza que este sistema será replicado no futuro por outros jogos. É um sério candidato a jogo do ano, especialmente por abordar multiplataformas (nós testámos a versão Xbox One) e só quem odiar os livros e os filmes é que não irá jogar este jogo.

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