Uma mão cheia de anos depois Sacred está de regresso. Um RPG de acção que se movimenta entre o tradicional RPG e um Hack and Slash, lembrando os tempos primórdios de um God of War na PS2. Sacred 3 mantém esse código genético da série mas com o passar dos anos algumas alterações foram feitas pela equipa da Deep Silver, os mesmos da série Saints Row, Metro: Last Light ou o Dead Island: Riptide. Facilmente percebemos que estamos de volta ao Continente de Arcadia que mais uma vez está em perigo e a nossa missão é salvá-lo. Não é que percebamos isto pela intro do jogo, que apenas faz uma alusão às personagens que poderemos utilizar sem grande contextualização, a explicação, essa é apenas dada por uma cutscene em estilo comic. Um pouco gasta e desactualizada essa opção.

O nosso grande inimigo nesta aventura será Lord Zane, o governante Ashen, que juntou um enorme exército de demónios e seres do Submundo. Nós pertencemos a uma aliança de heróis que jurou proteger o Heart of Ancaria e que engloba várias raças e classes. Temos Paladinos Seraphin (Claire), que sempre funcionaram como anjos protectores de Ancaria e que apresentam como principais forças, o uso de espadas mágicas e poderes divinos. Os Guerreiros Safiri (Marak), habitantes das ilhas do Sul de Ancaria, privilegiam o combate corpo-a-corpo. Ancarian (Alithea) são a raça principal de Ancária. Os Arqueiros Khukuri (Vajra), vindos das montanhas geladas do Norte têm como principal força a sua mestria no uso do arco e flecha e domínio do gelo. Malakhim (Kython) são mercenários especializados no uso de armas duplas e no combate corpo a corpo.

É quando a começamos a jogar que sentimos alguma limitação. Rapidamente percebemos que estamos apenas e só a percorrer um único caminho talhado para a nossa personagem percorrer, enquanto vamos eliminando inimigos até chegarmos ao boss e fazer exactamente o mesmo. Depois podemos escolher a localização seguinte, que basicamente nos indica um caminho único e nos vai contextualizando o jogo temporalmente nos eventos que vão acontecendo.

A diversidade de inimigos vai aumentando conforme vamos aumentando de nível e na história do jogo, e devemos assinalar isso, assim como a qualidade gráfica dos cenários em que estamos envolvidos, apesar do framerate baixar um pouco com elementos “exteriores” como as bolas de fogo a cair do céu, mas no geral, os cenários são bonitos e fazem-nos “entrar” na história deste Sacred 3. Os Bosses ajudam a esquecer alguma repetição excessiva, cada um com os seus poderes e ataques, sendo que vão perder muitas moedas e fazer muitos reloads até compreender as manhas de cada um. Isso para mim é um ponto a favor neste jogo, visto que a tendência tem sido facilitar, até demasiado em vários jogos. Outra das grandes mais valias do jogo é o seu modo cooperativo até 4 jogadores em rede. A qualquer altura um outro jogador pode-se juntar a nós para seguir a nossa aventura, isto numa mecânica bastante simples e que se adapta ao nível dos jogadores e quantidade dos mesmos. Bem trabalhado e é claro, com vários jogadores de classes diferentes, Sacred 3 torna-se muito interessante de jogar e quebra toda a monotonia dos níveis sempre com a mesma fórmula. Não há um RPG sem evolução das personagens e sem a possibilidade de compras de novos items, aqui Sacred não foge à regra, sendo que é um pouco limitativo, tanto na forma como podemos fazer upgrade à nossa personagem, tanto com o facto do loot se basear apenas e só a dinheiro e orbs.

A verdade é que a série Sacred está no seu core bem representada através de Sacred 3, pesou um pouco o facto de ter demorado tanto a voltar, talvez tenha até perdido o andamento que os RPG’s têm tido nos últimos tempos, não nos podemos esquecer da maravilha que é Transistor, apesar de não ser do mesmo “mundo”. No entanto tem uma grande valia, o modo cooperativo até 4 jogadores é bastante divertido e é a melhor maneira de levar este jogo até ao fim.

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Fundador do Site - Salão de Jogos, o Commodore Amiga 500 foi o seu melhor amigo durante décadas e ainda hoje sabe de cor a equipa principal do Benfica do Sensible Soccer 94/95. Nos tempos vagos ainda edita as botas dos jogadores do FIFA e do PES.

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