Sid Meier’s Civilization: Beyond Earth – Um turno no espaço

O planeta Terra está sobrepopulado, os recursos naturais escasseiam e não nos resta outra opção senão sair e explorar novos mundos. Alguns serão escolhidos para esta tarefa, seja por sorte ou mérito, e chegarão a planetas nunca antes explorados aos quais chamarão casa.

É assim que Sid Meier’s Civilization: Beyond Earth nos dá o contexto do jogo, através da única cutscene do jogo. Assim que inicia, reconhece-se o estilo inconfundível de Civilization; os mapas divididos em hexágonos, criar cidades, combater por turnos, tudo o que faz da série um clássico, está aqui presente, mas com uma nova camada de tinta. Para trás ficaram os bárbaros e os mapas baseados em locais reais, para dar lugar a alienígenas e mundos estranhos e exóticos.

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Mas Beyond Earth não é apenas Civilization V com uma mudança de visual. Uma das maiores e mais interessantes mudanças ao jogo é o sistema de Afinidades. Uma espécie de escala moral, onde as tecnologias desenvolvidas e decisões que tomamos em missões fazem pender a balança para uma de três Afinidades. Harmony, Purity ou Supremacy.

A primeira representa a harmonia com o novo planeta em que nos instalamos , a simbiose plena entre a raça humana e os alienígenas. Já Purity foca-se na pureza da raça humana, o desdém por todos os costumes e tecnologias que não sejam a dos Humanos. Quanto à Supremacy revela-se o oposto destas ultimas duas, o futuro da humanidade reside em quebrar os limites do corpo humano, na melhoria através de implantes bio-tecnológicos e na diluição da linha entre a Máquina e o Homem.

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A escolha entre estas afinidades influencia o tipo de unidades militares à nossa disposição, sejam alienígenas domesticados no caso de Harmony ou robots gigantes capazes de destruir cidades, no caso de Supremacy. O sistema traz algo de novo à mecânica Civilization e é de louvar a Firaxis por adicionar mais um elemento estratégico. Outra mecânica renovada é a rede de tecnologias, que contém variadas escolhas, oferecendo assim dezenas de opções e combinações possíveis, acabando também por definir o nosso tipo de afinidade.

O combate mantém-se  quase inalterado, combate  que funciona por turnos com os mesmos tipos de unidades, apenas com a adição de um novo elemento, os satélites, observáveis através da nova visão de orbita são capazes de aumentar a potência das nossas unidades militares que estejam na sua proximidade ou de recolher raios solares para converter em energia.

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Energia que passa a ser a nova moeda de troca em Civilization, que pode ser usada para adquirir novos hexágonos à volta da nossa cidade ou para subornar alguém a juntarem-se a nós contra um inimigo comum, ao invés do habitual Gold em títulos anteriores. Outra das alterações é a substituição do nível de felicidade pelo de saúde dos nossos cidadãos.  Factores como a sobrepopulação de uma cidade baixará este nível enquanto que a construção de clínicas vai aumentá-lo. Infelizmente devido à falta de equilíbrio desta mecânica, acabamos sempre por ter que priorizar a construção de edifícios que aumentem o nível de saúde, em detrimento de outros tipos de edifícios, caso contrario, estaremos sempre com níveis negativos, afectando a produção de recursos nas nossas cidades.

Outro elemento clássico de Civilization é a diplomacia, e é aqui que Beyond Earth não traz absolutamente nada de novo, antes pelo contrario, os nossos futuros aliados ou inimigos são incrivelmente genéricos, contrastando com os líderes de jogos anteriores, que talvez por serem baseados em personagens históricas eram muito mais interessantes. Aqui não vamos esboçar um sorriso como quando presenciamos pela primeira vez Mahatma Gandhi a comandar um ataque nuclear a uma cidade vizinha.

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Apesar de Sid Meier’s Civilization: Beyond Earth não mudar completamente o paradigma da série, continua a trazer novos elementos e mecânicas interessantes, isto tudo num cenário de ficção cientifica que dá uma nova vida ao jogo. E como tem acontecido com os últimos títulos da série, a Fireaxis não deve perder muito tempo em lançar novas expansões, com mais conteúdo e correcções a algumas mecânicas do jogo. Mas mesmo assim continua a fazer-nos querer dizer “só mais um turno”.

RECOMENDA CIV 2

Author Vando Enes
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Categories Análises
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