Sozinho no centro do universo

O espaço sempre foi algo que me desafiou, algo que estava longe de ser imaginado e muito menos concretizado na minha mente, talvez por isso sempre ambicionei o conhecer, mas tal como qualquer outra pessoa chamada “normal” nunca enveredei a minha vida a tentar construir uma nave espacial, fazia isso com os meus LEGO’s e já chegava.

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Como a nossa imaginação tem sempre tradução, vários videojogos tentaram reproduzir a nossa galáxia ou tantas outras mais distantes e inantingíveis. O caso mais recente, como sabem, é No Man’s Sky, o jogo da Hello Games que tanto hype tem gerado, desde a sua “passagem” de indie para “financiado” pela PlayStation, tendo até direito a lançamento em primeira mão na consola da Sony. Como a nossa cópia é para a PS4 vou-me afastar das questões técnicas que têm existido na versão PC.

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Começamos numa galáxia distante, gerada de uma forma randomizada por uma fórmula que poderá não pertencer totalmente aos criadores do jogo, mas que garante uma diversidade quase impossível de experimentar durante a nossa existência. Somos deixados praticamente indefesos e totalmente desorientados. E quando digo totalmente desorientados é porque simplesmente não fazemos a mínima ideia do que estamos ali a fazer, como fomos lá parar e o que temos de fazer, aliás nem como o fazer, porque na verdade nem os comandos sabemos utilizar, é mais na base da tentativa erro. Algo que me fez alguma impressão, porque mesmo habituado a comandos do “Destiny”, não foi nada intuitivo perceber como trocar de armas e recarregá-las, para além de que o “Aiming System” é uma desgraça.

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Em No Man’s Sky o fundamental é alimentar o nosso fato, a nossa nave e a nossa arma. Para isso temos de recolher materiais e construir outros para que tudo funcione às mil maravilhas. Portanto tudo aquilo que fazemos é uma espécie de Minecraft espacial. Destruir, recolher, construir e voltar a fazer o mesmo milhões de vezes. Andar para aqui e para ali, descobrir novas estações espaciais, novos planetas, novas bases, recolher coisas, construir outras e voltar a fazer o mesmo. Estão a perceber que até a escrever isto estou entediado? É que as primeiras horas podem desenvolver aquele interesse pelo desconhecido, pela verdade, pelo conhecimento e pelo loot, mas depois acabamos por perceber que não existe uma verdadeira razão para o fazer. Não temos ninguém que nos faz companhia na galáxia para comparar as coisas que tão dificilmente conseguimos construir ou obter. Afinal não existe ninguém no universo. É um sentimento solitário que nos assole e nos consome, e que ou nos conforta pois queremos simplesmente nos desligar do universo, ou se precisamos que o universo comunique connosco, apenas podemos entrar em depressão.

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As mecânicas do jogo, depois de percebermos os seus comandos, são bastante simples. Temos um inventário para guardar os materiais e os transformar, inventário esse de todos os elementos, isto é, do fato, da nave e da nossa arma. Usamos a nossa arma para recolher materiais, mas o seu uso faz com que a tenhamos de recarregar com outros materiais, o mesmo acontece com o nosso fato, andar pelas atmosferas vai lentamente reduzindo o suporte de vida e o escudo contra as toxicidades dos planetas, portanto temos que as recarregar, e por fim a nave, sempre que levantamos voo, gastamos combustível, portanto vamos precisar de recolher materiais para a recarregar.

Ainda neste departamento tenho de dizer que quando somos perseguidos por sentinelas e temos de usar a nossa arma para os destruir, o Aiming System é muito fraco, a velocidade de deslocação e a precisão são uma nódoa, claramente é feito para recolher materiais e não para disparar contra inimigos, e para alguém que vem do Destiny quase que vai ter uma síncope com isso. Já pilotar a coisa está um pouco melhor, apesar de ser complicado controlar a nave ao princípio, sente-se que estamos numa nave efectivamente.

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Graficamente a versão PlayStation 4 corre a nativa 1080p e o seu alvo são os 30 fotogramas por segundo com v-sync, mas nem sempre se aguenta, especialmente quando tem de gerar um novo cenário, naquele instante, naquele momento, aí é capaz de baixar para os 20fps ou até menos.

Mas pior do que isso foram os constantes freezes que tivemos, em mais do que uma ocasião, o jogo acabou por se reiniciar sozinho, e houve pelo menos uma vez em que simplesmente teve que reiniciar a consola. As actualizações ajudaram essa questão e neste momento isso não mais aconteceu, mas lá foram todas as peças do inventário ao ar.

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Para explicar a minha frustração com o No Man’s Sky e com o problema de toda a expectativa gerada, tenho de falar do suposto final do jogo, portanto caros amigos que ainda não jogaram, se não quiserem spoilers não leiam esta parte. 

SPOILERS
 O jogo tem uma linha conduta se quiserem perseguir logo no início do jogo, se não a seguirem vão vaguear pelo universo, mas poderão sempre ir ao “fim” do jogo. Mas o “fim” do jogo é chegar ao centro da galáxia. Até aqui tudo bem, muitos de vocês estarão a pensar: “o que há no centro da galáxia?! Será o centro de todas as respostas?! – Pois bem, a resposta é: Não! Vocês descobrem o centro da Galáxia, dão-vos uma palmadinha nas costas, a câmara afasta-se milhares e milhares de anos luz até chegar ao ponto da tela de início de jogo e voltam a começar do ponto original. E sim é isto, apenas isto, é por isto, por este final, que esta review acaba por não ser abonatória, porque como devem calcular reflecte-se em toda a experiência de jogo para trás e de toda a expectativa gerada, que se torna gorada por este não “fim”, que até poderia ser um fim em aberto, mas simplesmente não é nada!

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No Man’s Sky esteve anos a gerar uma enorme expectativa em todos nós, um universo sem fim para explorar, ambiente exóticos que apenas imaginávamos na nossa cabeça, com corres garridas, que só com LSD poderíamos criar nos nossos maiores sonhos, mas depois a experiência torna-nos ainda mais pequenos do que aquilo que verdadeiramente somos. Sim, sabemos que a nossa vida é fogaz, que estamos aqui apenas de passagem e que nunca saberemos a vida que existe ou não em outros planetas ou galáxias, mas pelo menos sempre encontrámos nos videojogos uma forma de sonhar, e sonhar que afinal estamos sozinhos num universo sem propósito não era bem isso que eu queria…

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