The Witness – Um verdadeiro quebra-cabeças

Uma vez perguntaram-me: “não gostas de Sudoku?!”, eu respondi: “achas que tenho tempo para isso?!”. Esta poderia ser a nossa review a The Witness. Numa era em que tudo é tão volátil e efémero, a maior dificuldade com que nos deparamos é entregarmo-nos a um jogo da forma que ele por vezes nos exige.

The Witness é um desses casos, não é um jogo casual, é um jogo que vai exigir muito de quem o joga, tanto a nível físico como mental. O jogo começa com uma luz ao fundo do túnel e dois pequenos puzzles que nos dão conta dos processos simples de execução dos comandos, mas a verdadeira questão fica no ar: “como é que eu cheguei aqui? onde estou? e porquê?”.

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No meu caso, esse tipo de sensação é meio caminho andado para eu gostar do jogo porque me obriga a procurar a verdade, o motivo, o objectivo, o fim. The Witness guia-se então por esse instinto, e se no princípio é apenas um puzzle para abrir uma porta, mais à frente será que local é aquele que um laser vindo do céu nos mostra e por assim adiante.

A verdade é que estamos numa ilha deserta, sem vida animal e praticamente sem qualquer tipo de sonoridade, o que por vezes nos tira do sério, mas que dá a perfeita imagem que estamos no meio do nada. Os puzzles guiam-se entre a lógica, a tentativa/erro ou a pura sorte, pois muitas vezes a forma de entendermos um puzzle está no outro lado da ilha e já perdemos o fio à meada. E sim é fácil disso acontecer pois não há qualquer identificação do que já foi feito ou não, será a memória visual que nos vai guiar muitas vezes.

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É claro que muitos de vocês a esta altura já estão a pensar: “ui isso é uma seca!”, mas outros dirão: “challenge accepted!“, e é exactamente por isso que The Witness não é para todos, mas a verdade é que já vendeu cerca de 100 mil cópias por esta altura e facturo 5 milhões de dólares, portanto alguma coisa terão feito bem.

Graficamente a ilha faz-nos lembrar um pouco a perspectivava de No Man’s Sky, a forma como andamos, a câmara, sendo que não existe vida animal, mas a palete de cores, a construção de cenários com cores berrantes por alguma razão estranha apela-nos a continuar a percorrer e a descobrir os segredos desta ilha.

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The Witness é uma mistura de Lost com Fallout, e estou apenas a falar de narrativas, porque no fundo não conhecemos nada desta ilha, mas claramente ela é habitada ou pelo menos já o foi em alguma altura para existir tecnologia, mas no entanto estávamos metidos num buraco, numa espécie de “bunker”, será que existiu uma espécie de cataclismo? Não vou revelar se alguma desta ideia está certa, ou se nenhuma delas, vão ter mesmo que jogar para saber.

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The Witness vai deixar muitos jogadores de cabelos em pé a tentar perceber os puzzles, a encontrar outros tantos e vão deixar o jogo de lado. Para outros o desafio dos puzzles, a sua dificuldade e os mistérios por desvendar serão argumentos mais do que suficientes para jogarem sem parar, no entanto, nos dois casos permanecerá sempre uma ideia na cabeça “porque raio estou aqui e o que estou aqui a fazer?!”. E se isso vos acontecer o jogo conseguiu cumprir o seu objectivo, pois mais tarde ou mais cedo essa pergunta terá que ter uma resposta.

SimENaoTheWitness
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