Sempre que olhamos para uma transição de um jogo para a nova geração ficamos algo apreensivos. Pensamos sempre que será um mero upgrade, com o mesmo motor de jogo apenas passado por um novo motor gráfico e por isso mesmo apenas limado.

Agora peguem no Tomb Raider: Definitive Edition e esqueçam todos estes paradigmas.

Quando pegamos num dos jogos do ano com Lara Croft, agora nas mãos Crystal Dynamics e da Square Enix, percebemos que houve uma preocupação para que estes mesmo preconceitos fossem quebrados.

Quando Tomb Raider foi desvendado pela primeira vez através de um trailer extremamente ambicioso e uma demo/gameplay que nos mostrava os primeiros minutos do jogo, ficámos de queixo caído. A abordagem tinha mudado para uma perspectiva mais “Uncharted” com uma abordagem de sobrevivência e até de algum terror, com cutscenes interactivas, dando uma perspectiva mais próxima e pessoal de Lara. A nossa heroína nesta história é apenas uma rapariga frágil e inexperiente que acaba na ilha de Yamatai devido a um fenómeno sobrenatural inexplicável que afunda o barco da sua expedição e a separa de todos os seus amigos e especialmente do seu mentor Conrad Roth.

Não podemos esquecer que estes eventos remontam a uma altura em que Lara faz parte de expedições, em vez de as liderar e que a finalidade do jogo é demonstrar como ela passa desta jovem imatura e sensível para uma lutadora e sobrevivente, aliás de forma bem arrepiante temos essa noção quando Lara Croft nos instantes iniciais do jogo cai em direcção a uma espécie de gruta e é perfurada na barriga, som que ouvimos e quase que sentimos no nosso comando DUALSHOCK 4.

É claro que como qualquer Tomb Raider teríamos que recolher alguns items históricos e sagrados, algo que acontece na verdadeira acensão da palavra salteadora de túmulos. Vamos encontrar uma espécie de “side quests” onde vamos nos envolver em puzzles extremamente interessantes e podem consumir várias horas de jogo fora da história em si. Devo aliás dizer que apenas peca por serem poucos. Seria óptimo que tivessem sido disponibilizados muitos mais destes “Challenges” para avivar este título desde o seu lançamento em 2013 e agora para ser incorporado nesta “Definitive Edition”.

A nível de mecânica o jogo não sofreu muitas alterações, verdade seja dita, não seria preciso. O que notámos foi mais na velocidade de movimentos e na fluidez, sendo que o nível de detalhe que agora a PS4 consegue oferecer, ajuda e de que maneira para acção furtiva mais eficaz, pois conseguimos ver os nossos inimigos com mais detalhe e andar a tentar fazer “heads-shots” sem pensar que era um tronco.

Ora pois bem se entrámos na questão do detalhe, temos que falar da componente gráfica que é efectivamente onde se notam as maiores diferenças.

A primeira é a cara de Lara, agora completamente remodelada, incluindo a própria animação que agora apresenta uma maior variedade de expressões. Podemos por exemplo reparar no cabelo de Lara que reage à direcção do vento e à força ou impacto até quando interage com o ambiente envolvente. Nesse sentido também notámos que as sombras na pele e na roupa, assim como a mudança da textura das roupas muda conforme fica molhada ou é coberta de sangue.

Já o mundo que rodeia Lara ganha igualmente uma nova caracterização com a inclusão de vários pormenores, desde os pássaros, as árvores e as plantas ganham nova textura até mesmo com a passagem da nossa personagem. Mais uma vez o trabalho feito em partículas está em foco, já temos dito isto em vários jogos da PS4, onde o fogo tem um “arrasto” maior e mais real, assim como a iluminação que  ganhou nova dinâmica.

Tomb Raider: Definitive Edition corre na PS4 entre os 40-50fps, sendo que com ambientes mais complexos e nomeadamente onde Lara interage ou está num plano mais apertado existe alguma queda na performance. Mas também é verdade que consegue chegar aos 60fps nos locais com menos efeitos e nas cutscenes.

Quase um ano depois Lara Croft regressa em grande forma agora na PS4, num dos ainda pouco títulos da nova consola Sony. Não é um jogo novo e criado de raíz para a PS4, mas na verdade também não é apenas um título da PS3 para jogar na PS4. E nesse sentido a Crystal Dynamics e Square Enix tomaram a decisão correcta. Poderá ser menos atractivo para quem já terminou o jogo e até já jogou os DLC subsequentes, mas para quem tem uma PS4 e ainda não teve oportunidade, é dos melhores jogos que vai encontrar no ainda curto catálogo da PS4, e nesse caso todos os DLC que acompanham esta Definitive Edition são um add-on muito aliciante.

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Nesta “Definitive Edition” para além do jogo em si, têm direito a a todos os DLC’s, as versões digitais dos comics da Dark Horse, o mini-artbook da Brady Games e vídeos da equipa que desenvolveu o jogo.

Lara Croft já tinha vindo para triunfar em 2013 tendo sido Tomb Raider um dos jogos do ano e uma das personagens do ano, agora volta a sê-lo na nova geração com esta Definitive Edition em 2014, e talvez tornado a personagem mais bonita do ano.

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Fundador do Site - Salão de Jogos, o Commodore Amiga 500 foi o seu melhor amigo durante décadas e ainda hoje sabe de cor a equipa principal do Benfica do Sensible Soccer 94/95. Nos tempos vagos ainda edita as botas dos jogadores do FIFA e do PES.

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