Total War: Attila – O Principio do Fim

Tudo tem um começo modesto.Cícero

Cícero, filósofo e político romano,  não chegou a assistir ao declínio do império romano. Mas nós podemos. A já longa série Total War segue com mais uma iteração, desta vez com as tribos bárbaras que viriam a ditar o fim do império romano. Para quem não está familiarizado com a série, Total War combina estratégia por turnos onde gerimos as nossas cidades e batalhas em tempo real.

Após Total War: Rome II chega-nos Attila. O cerne do motor do jogo mantém-se, mas, desta vez sem sinais de bugs ou problemas que assombraram o lançamento de Rome II. Mas mais do que erradicar os problemas existentes na iteração interior, a Creative Assembly melhorou e refinou boa parte das mecânicas de Total War. Uma das novidades é o sistema meteorológico, como se já não fosse complicado o suficiente gerir as nossas cidades, agora temos que ter em conta as condições climatéricas e como isso afecta a economia ou mesmo a colocação das nossas unidades no terreno. Será que arriscamos e atacamos o inimigo com risco de perder algumas unidades devido ao frio ou será melhor esperar abrigados? É assim criado mais um elemento de estratégia a ter em conta. Outra novidade é o melhoramento do sistema político, na forma de árvore familiar, onde é possível ver os elementos da nossa família e a dos líderes dos nossos exércitos. Prestando assim atenção aos jogos políticos que se vão passando nos bastidores enquanto estamos ocupados a conquistar mais um território. Um dos teus filhos ilegítimos está a ganhar demasiada influência? Se calhar é altura de ele ter um acidente…

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Mas o que define cada iteração de Total War é o enquadramento histórico e facções intervenientes. Dentro deste panorama encontramos o Império romano do Ocidente e Oriente, duas das facções com a dificuldade mais elevada, devido aos ataques constantes de tribos bárbaras nomeadamente os Saxões e Anglos; tribos migratórias como os Ostrogodos ou Visigodos; o Império Sassânida que devido ao seu tamanho e localização é também o mais indicado para principiantes, e é claro, a facção cujo líder dá nome ao jogo, os Hunos. Esta facção além de ser o foco da história do titulo é também a que traz mais alterações à formula Total War com a mecânica Horde. Com os Hunos não é possível capturar cidades, visto os Hunos serem tribos nómadas. O que permite é um estilo de jogo completamente diferente, o objectivo deixa de ser conquistar cidades e criar um império, passando a ser viajar de região em região, montando acampamento em qualquer sitio do mapa e ir de cidade em cidade a saquear, deixando um rasto de destruição por onde passamos. Continua a ser necessário ter em atenção a gestão dos edifícios dentro do acampamento, mas é realmente uma forma inovadora e refrescante de jogar Total War.

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O que não é totalmente novo são as épicas batalhas em tempo-real. Continuam a ser o foco principal do jogo, e apesar de um outro refinamento, segue fiel à série. Comandar as nossas tropas por uma cidade dentro, flanquear o inimigo e fustigá-lo com uma chuva incessante de flechas é algo que nunca nos fartamos de fazer. O motor gráfico de Rome II persiste, se bem que com alguns ajustes. Algumas batalhas entre dois exércitos maiores podem trazer algumas perdas de frames, mas continua a impressionar o grau de detalhe das tropas, principalmente quando fazemos Zoom até ao nível do chão. A excelente inteligência artificial das tropas inimigas faz com que cada batalha seja imprevisível e faz com que a análise do terreno e da melhor posição de ataque seja crucial, a superioridade numérica nem sempre garante a vitória, e na maioria das vezes um exército bem equilibrado e com uma estratégia bem definida facilmente vence um inimigo com maior número de tropas.

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Infelizmente, Attila não se livra dos problemas mais comuns da série. O interface consegue ser confuso, e por vezes encontrar uma opção significa procurar vários menus e sub-menus escondidos em diferentes ecrãs, o que pode trazer momentos de frustração quando se procura por algo em específico. Outro dos problemas é o tempo de espera enquanto a inteligência artificial das facções decide que passos vai tomar de seguida durante o mapa do mundo, um problema tão enraizado no motor de Total War, que na maioria das vezes o jogo chega a perder frames, por vezes chegando a atingir os zero. Não é um problema critico, visto que só acontece aqui durante a visão geral do mapa e não afecta a jogabilidade do titulo, mas gostaríamos de ver corrigido.

Total War: Atilla não reinventa a série, mas insere uma quantidade de elementos que eleva a fórmula Total War a um patamar superior. A Creative Assembly soube reconhecer os erros passados e entrega-nos uma melhor experiência, mais focada. Só precisava de melhorar o interface para algo mais intuitivo, mas talvez seja necessário esperar pelo próximo Total War.

recomendado attila

Author Vando Enes
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Categories Análises
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