Transistor – O jogo indie do ano – PS4

Para quem leu o título desta review facilmente chegará à ideia de que adorei o jogo, talvez com a mesma facilidade que ao jogá-lo vocês também ficarão a gostar dele. Posso dizer que o sentimento de adoração por Transistor foi muito rápido. Tão rápido quanto este pensamento: “Granda” voz, que cores fantásticas, que arte, ela não fala?!, dá para parar o tempo para escolher os meus ataques?!; Ok! Adoro isto!

A review até poderia ficar por aqui, mas a verdade é que Transistor merece muito mais, merece que falemos da história. A história de Red, uma cantora extremamente conhecida na cidade Cloudbank que subitamente acorda no topo de um edifício com um homem trespassado por uma espada falante. É a partir daqui que entramos no mundo de Red e Transistor a tentar descobrir como tudo aconteceu, porque somos perseguidos pela organização Camerata, porque é que perdemos a voz, porque é que estamos dentro de uma espada, tudo isto envolvido num mistério narrrado pela nossa espada na excelente voz e interpretação de Logan Cunningham. É este mistério, é este ambiente de nada sabermos e tudo querermos saber que é envolvente, que faz uma boa narrativa, que faz uma excelente estória e que dá corpo a um excelente jogo. É de facto o conseguir sobreviver apenas através de uma voz de narração e da companhia de Transistor (que aconselho que coloquem no speaker do vosso Dualshock 4), ao comandarmos uma rapariga sem voz, uma cantora que vai recordando as músicas que cantava e as murmura, ao mesmo tempo que não pode com o peso da espada e no entanto a maneja como ninguém, que este jogo ganha uma vida própria. Uma vida que foi dada às personagens que habitam em Cloundbank, aos pormenores de acedermos às memórias colectivas dos seus habitantes através de pequenos bancos de dados espalhados pelas áreas, que nos relatam as suas preferências e algumas indicações da trama que nos envolve. 

A nível gráfico, a mistura de um universo Blade Runner, com Mirrors Edge com Final Fantasy, dá-nos uma sensação de conforto, ao habitarmos este RPG, numa arte que nos deixa boquiabertos e ao mesmo tempo deleitados. É realmente um jogo muito bonito e é uma obra de arte. Até ao passarmos de nível para nível onde somos brindados com uma espécie de cut-scene animada, estamos mais perante um quadro do que propriamente de um loading ou ligação entre níveis.

A mecânica de Transistor corrobora tudo o que já foi dito de bom sobre o jogo. Eu que não sou um viciado em RPG, tenho alguma tendência para me aborrecer facilmente, fiquei colado com o sistema apresentado. Temos então um sistema de upgrades em relação às nossa habilidades, mais propriamente às habilidades que Transistor pode albergar e nos oferecer, onde para além de podermos encaixar esses mesmo poderes em slots, podemos construir o nosso módulo, consoante o nosso estilo de abordagem e estratégia. Se a quantidade e diversidade de habilidades e poderes e a sua conjugação já nos dá várias abordagens, mais ainda teremos com a possibilidade de parar o tempo para elaborar os nossos movimentos e ataques. Basta carregar num botão (R2) para que surja uma grelha apenas com a nossa personagem e os adversários. A partir daí consoante a movimentação e as habilidades que quisermos utilizar temos um número de jogadas para fazer. Esta mecânica apenas vem aumentar a potencialidade de Transistor chegar a um maior número de jogadores, mas também oferecer diversidade ao longo dos níveis.

Para além disso Transistor é um jogo de pormenores, desde a possibilidade de ouvirmos a voz de Logan Cunningham no nosso speaker do comando, ao ver a interacção da sua voz na luz do nosso comando, ao carregarmos no L1 para ouvir Red a murmurar uma das suas canções, todos os pequenos pormenores têm sentido e propósito e só vêm melhorar a experiência de jogo. Quando jogarem a primeira vez e perderem toda a vossa barra de energia, não larguem o comando para o lado (como eu fiz), pois passam automaticamente para esse modo de estratégia perdendo uma das habilidades que só poderão recuperar passando por dois pontos de acesso. Uma forma porreira de não sermos enviados para o último checkpoint quando estamos a enfrentar um Boss, por exemplo.

Para aumentar um pouco mais a longevidade, teremos “sandboxes” para vencer desafios que vão desde a rapidez que criarmos uma estratégia no modo slow-motion, até ao ataque continuado por waves de inimigos e outros pormenores para recebermos canções para Red e outros bónus. E Já que falei de canções, tenho que falar na maravilhosa banda sonora que acompanha este jogo, produzida e composta por Darren Korb com a voz de Ashley Barrett, que até certo ponto me faz recuar no tempo, recordando a música de X-Files, de uns Massive Attack na altura ainda com Tricky e pelo meio uma Martina Topley Bird ou as típicas músicas dramáticas de 007. Álbum que podem ouvir gratuitamente aqui, disponibilizado pela SuperGiant no seu canal de youtube. 

 

Desde a E3 do ano passado que temos ouvido a Sony PlayStation falar da sua aposta nos indies, nomeadamente na aposta para a PS4, e digo com toda a sinceridade que é de facto os indies que estão a manter todos os utilizadores da nova geração empolgados com a consola e que mantêm a expectativa nos consecutivos adiamentos de vários IP’s. Porque um Killzone Shadowfall e um INFAMOUS: Second Son, continua a ser pouco. Transistor é apenas mais um indie que chega à PS4, que é um “must have” e que é para mim, até este ponto e provavelmente até ao final do ano, o jogo indie do ano.

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