Os RPGs têm sofrido enormes transformações ao longo destes anos e tanto eu, como muitos de vocês – que são fãs deste tipo de jogos – devem ter acompanhado esta mudança. Começámos com os RPGs totalmente em 2D, como The Legends of Zelda, Little Ninja Brothers e Final Fantasy; posteriormente o aparecimento dos primeiros em 3D, como Final Fantasy 7 e Silver; e agora nos últimos anos, os RPGS totalmente em mundo aberto com mapas gigantescos, em que muitas vezes a sua história é um pouco negligenciada, dedicando-se apenas a atenção ao aspecto gráfico. Os verdadeiros fãs de RPGs preferem uma boa narrativa e uma óptima jogabilidade, a mapas sem-fim e gráficos de tirar o fôlego. Basta ver os vários exemplos dos jogos de The Legend of Zelda, que sempre tiveram um sucesso extraordinário e se formos justos, nunca precisaram de ter aquela qualidade gráfica de nos deixar pasmados.

Pois bem, hoje trago-vos um jogo que já foi lançado para PlayStation 4 e PC em 2016, mas só agora foi lançado para a Nintendo Switch, coincidido com o dia do seu lançamento. Falo de I am Setsuna, um jogo lançado pela Square Enix e desenvolvido pela Tokyo RPG Factory. Vale a pena referir, que é um RPG que nos leva até aos tempos dos clássicos. Não é apenas uma opinião pessoal, foi algo que os próprios criadores do jogo disseram aquando da apresentação na E3 de 2015. I am Setsuna inspira-se nos conceitos de jogo de Chrono Trigger e Final Fantasy, o que se verifica facilmente depois de jogar.

Em I am Setsuna, somos Endir, um mercenário que ganha a vida a fazer missões e a viver das suas recompensas. Algo que se percebe logo no início do jogo, uma vez que somos convocados para procurar uma menina que estava perdida, servindo de tutorial para nos explicar o básico (tanto a nível de interacção com os cenários, como no combate por turnos). É depois de completarmos essa pequena missão que começa a verdadeira história, quando um misterioso homem dirige-se a nós e pede-nos que assassinemos uma jovem de 18 anos, que vive numa pequena ilha, conhecida como “a aldeia do sacrifício”. Ao chegarmos ao local percebemos a razão pela qual a ilha tem esse nome, pois de 10 em 10 anos, é escolhida uma pessoa para fazer uma jornada até Last Lands e ser sacrificada nesse local.

A rapariga escolhida para esse sacrifício é Setsuna, uma jovem muito bem-disposta, sempre pronta a ajudar o próximo. Por diversas razões – que não vou mencionar – não matamos a jovem, decidimos ao invés ajudá-la na sua jornada até Last Lands, visto que matá-la, ou entregá-la a tão famigerado sacrifício, faria a nossa missão ficar completa. Não estejam à espera de quests paralelas, nem muitas horas de jogo, sendo que este centra-se essencialmente na história principal e em tudo o que isso envolve. Chegamos facilmente ao fim do jogo em cerca de 16 a 18 horas. Bem sei que é curto para o que os RPGs mais clássicos nos ofereciam, mas sejamos sinceros, I am Setsuna é sobre uma rapariga que vai ser sacrificada – valia mesmo a pena existirem missões secundárias?

Algo fantástico e que vão percebendo ao longo da nossa jornada é como todas as personagens têm um perfil bastante vincado, principalmente Setsuna que mesmo sabendo que a morte está próxima está sempre tranquila, alegre e aceita livremente ser sacrificada para o bem do mundo. Uma mentalidade tipicamente oriental, que por vezes é complicada de perceber aqui no ocidente.

O nosso grupo pode ir até 3 elementos, portanto, quando algum personagem novo vos quiser acompanhar terão de descartar outro. Como já é hábito neste tipo de RPGs, cada personagem usa um tipo de arma diferente e tanto podem comprar como vender itens, armas e outros utensílios. Convém realçar que é muito importante andarem bem equipados e ter um grupo bastante equilibrado, sem nunca esquecer um personagem que possa dar heal durante as batalhas, diria mesmo que é essencial para conseguirem ter sucesso na vossa jornada.

Os combates são por turnos, existindo a famosa barra que quando atinge o seu máximo o nosso personagem pode atacar, depois de atacar a barra retorna ao início, contudo, se outro personagem tiver a barra completamente cheia é possível fazer um ataque especial entre os dois. Os combates são dinâmicos para o estilo de jogo em questão, cada personagem tem habilidades especiais que podem usar caso tenham Mana (MP) suficiente para isso. A evolução dos personagens no seu nível está extremamente bem regulada, fazendo-nos combater quase todos os inimigos que nos aparecem à frente, algo que não é obrigatório, sendo que se virem um inimigo no mapa podem igualmente evitá-lo.

É também importante terem cuidado com os saves. Existem locais específicos para salvar o jogo, uma espécie de portal que vão encontrando ao longo do caminho, no entanto há também a possibilidade de salvar quando estão a chegar a uma cidade, ou quando derrotam determinados inimigos.

O jogo passa-se num ambiente calmo e bonito, com neve em volta de tudo o que nos rodeia. Enquanto caminhamos podemos ver pequenos flocos de neve a cair, sem corres chamativas, tudo devidamente no seu devido lugar, proporcionando-nos um ambiente triste mas ao mesmo tempo bastante sereno. Não há uma grande alteração de paisagens, mas para o jogo em questão nem é necessário, apresentando-se totalmente em 3D, numa visão isométrica. Já havia jogado na versão PC o ano passado e aviso desde já que tudo o que vi nesta versão da Nintendo Switch está idêntico. Posso também dizer que corre a 30 fps na consola da Nintendo, mas para ser honesto, não se nota praticamente diferença comparativamente com a versão do PC, que corre a bastantes mais fps.

A banda sonora enquadra-se perfeitamente neste cenário, com músicas calmas, que por vezes nem damos por elas. Todas elas em piano, com uma mistura que consegue oferecer-nos diversas sensações, entre alegria, tristeza, suspense ou tranquilidade. Vale a pena jogá-lo com o volume um pouco mais alto do que o normal.

Concluindo, I am Setsuna trás-nos a nostalgia de outros tempos, com bons gráficos e ao som de uma excelente banda sonora. Uma aventura bem conseguida, com personagens marcantes e imensos combates. Para os fãs deste tipo de RPGs diria que é um jogo indispensável e agora com a Nintendo Switch não existe desculpa para não jogá-lo, uma vez que se pode levar para qualquer lugar. Para mim foi engraçado reviver alguns dos momentos que experienciei o ano passado.

About The Author

Rui Gonçalves

Desde o tempo do seu Spectrum+2 128k que adora informática. Programador de profissão nunca deixou de lado os jogos, louco por RPGs e jogos de futebol. Adora filmes de acção e de ficção científica, mas depois de ver o Matrix nunca mais foi o mesmo.

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