Um herói improvável

Como devem calcular é o homem do Destiny com as suas modestas  740 horas que analisou este Halo 5: Guardians. A verdade é que faz todo o sentido, especialmente se pensarmos que dos 4 anteriores 3 foram produzidos pela Bungie. No entanto tanto o último Halo 4 como este Guardians já foi produzido pela 343 Industries, criada de propósito para trabalhar apenas nesta franquia, que no entanto não deixou de beber sempre influências ao trabalho da sua predecessora.

Como fomos percebendo pelos excelentes trailers promocionais do jogo, vamos tentar descobrir a verdade, a verdade que levou Master Chief a não seguir as ordens impostas. Locke tem esse objectivo, de o trazer de volta e sob-custódia descobrir a verdade, mas será que é apenas isso?! Sim tal como em toda a fraquia, várias pontas ficarão soltas, para dar aso a verdadeiras teorias da conspiração e sempre a um enorme enigma que nos estimula de jogo para jogo.

No entanto o que precisam de saber é que em Halo 5: Guardians jogamos não apenas como Master Chief e a sua equipa azul, mas também com a equipa Osiris, liderado pelo Spartan, Jameson Locke. Sim, existem missões a acontecer em duas partes dos locais em que Halo 5 se passa e o jogo vai alternando de forma automática, conforme o número da missão, para uma ou duas personagens.

Será então em 15 capítulos que esta história se vai desenrolar em cerca de 8 a 12 horas de jogos, algo curto para tão boa narrativa, por isso recomendo que joguem nas dificuldades mais exigentes até porque terão uma experiência mais profunda. O foco no entanto será muito maior para Locke do Chief ao  longo do jogo, mas curiosamente a narrativa vai-se desenvolver muito mais para o nosso Chefe Mestre que segue a sua fiel companheira Cortana para a resgatar. O traidor poderá não ser assim tanto o traidor mas o traído, ou não?! É mais por aí que a trama se desenvolve.

Mas para além da narrativa, também vos vai fascinar o ambiente. Futurístico, é claro, sempre em movimento constante, com estruturas enormes que são sempre vivas, e com um background que muitas vezes parece uma tela, onde podemos ficar apenas a olhar para ela durante largos minutos a ver os detalhes. Também nas cutscenes vão ficar perplexos com a qualidade das mesmas, algo a que já temos sido bem habituados, mas na nova geração eleva a fasquia. Basta verem os pormenores na cara de Locke, por exemplo, para verem a perfeição que atinge. Para além disso, o jogo corre a 60FPS sempre estáveis, o que torna a experiência muito sólida, ainda para mais nos combates.

Halo 5 Guardians consegue misturar  a narrativa, as cenas cinematográficas e o gameplay e isso deve-se muito ao facto de controlarmos as duas equipas, a Blue Team de Master Chief constituída por Fred, Linda e Kelly e a Fireteam Osiris de Lock que tem como membros Vale, Tanaka e Buck. Melhor ainda é o facto de podermos completar a campanha com mais 3 amigos de forma cooperativa. Para além disso as próprias cutscenes enaltecem as relações de camaradagem, tornado-o mais pessoal.

Não tendo amigos para jogar em co-op, o gameplay funciona de uma forma bastante simples, as setas direcionais do D-Pad servem para marcar inimigos e guiar a equipa para determinadas posições. Halo 5: Guardians recebeu mais novidades no gameplay, eu não quero estar a falar sempre no Destiny, mas os fãs vão perceber que as novas habilidades são cópias chapadas. Saltar e fazer mira enquanto estamos no ar, Sprintar e carregar no RB activa o Charge, Slide faz com que consigamos deslizar no chão alguns metros, o Thruster Pack garante um impulso que ajuda a desviar ou alcançar uma plataforma mais rápido , o Ground Pound, habilidade que faz o nosso Spartan dê um murro no chão atingindo vários inimigos em simultâneo, e por último o Clamber, mecânica que ajuda a nossa personagem a alcançar plataformas mais altas. Hummmm onde é que eu já vi isto…

Mas é claro que quem é fã de Halo é fã do multiplayer, e após as dificuldades e alguns erros apresentados na Master Chief Collection, a 343 Industries, ouviu os jogadores. Esqueçam os loadouts, os ordenance drops e o spawn instantâneo. Aquilo que vão sentir é equilíbrio, seja no matchmaking, seja nas power weapons dos mapas ou com as quais começamos uma partida.

Um dos pontos em destaque e que foi alvo de destaque nas apresentações dos jogos nas feiras internacionais, foi o Warzone. Aqui temos 12 jogadores, num frenesim sem igual e com vários objectivos a surgirem durante o jogo. No entanto há duas maneiras de o vencer, ou acumulando mil pontos ou destruindo o Core da base do adversário. Mas para destruir esse Core, é preciso capturar 3 pontos do mapa para o expor. Assim que tal acontecer e conseguirem destruir o Core a outra equipa é automaticamente derrotada.

Mas se acham complicado, não se preocupem porque ainda é mais do que parece, pois vão surgir vários bosses de forma aleatória que dão de 25 a 150 pontos  a quem os derrotar. É também neste modo que vamos poder utilizar as tão faladas REQ Cards, cartas essas que fazem parte do novo Requisition System. Basicamente este sistema permite usar os nossos créditos ganhos nas partidas para abrir packs de cartas (que agora está tão na moda), onde nos pode calhar items de utilização única como: veículos, armas, ou alguns boost’s de experiência ou energia ou então items de uso permanente como skins para armas, armaduras, etc. Mas se são Requisition Cards, e tal como o nome indica, têm que ser requisitadas em algum lado, pois bem, neste modo Warzone, vão ter REQ Stations para fazer essa requisição, sendo que precisa de ter energia para o fazer.

Temos também outro modo novo chamado Breakout onde equipas de 4 jogadores enfrentam-se em várias rondas, isto faz-me recordar outra coisa… (Trials of Osiris). A primeira equipa a ganhar 5 rondas é a vencedora, sendo que cada jogador tem apenas uma vida por ronda.

Depois temos no modo Arena todos os clássicos, como Swat, Team Slayer, Capture The Flag, entre outros. É nestes modos que podemos verificar que as novas ideias da 343 Industries se misturam perfeitamente com o que é o clássico multijogador de Halo. Todos os mapas estão recheados de plataformas, naturais ou orgânicas, existe uma enorme noção de verticalidade o que só vem acrescentar dinâmica e diversão.

Halo 5: Guardians tinha a árdua tarefa de fazer a transposição para a nova plataforma da Microsoft, a narrativa mais centrada em Locke poderá não ter sido a melhor forma, para os mais aguerridos fãs da séria, mas acredito que vai ajudar a série a perdurar no tempo, não se esgotando ou esgotando a personagem em si mesmo. De qualquer forma e não sendo a aventura mais memorável em termos de história, é talvez a que mais abre caminhos para percorrer. Graficamente o jogo está soberbo em constantes 60FPS mesmo não chegando aos 1080P, quanto à jogabilidade e apesar de em 80% do jogo comandarmos a Team Osiris, foram adicionadas várias habilidades que dão um toque novo e refrescante, para além de dinamizarem as batalhas. Isso e o modo cooperativo, seja com amigos ou com a equipa comandada pela Inteligência Artificial, sentimo-nos sempre acompanhados e nessa dinâmica de equipa. O modo Online com as suas novidades, mas principalmente com as correcções traz de novo a energia e vontade de jogar sem parar, especialmente com os servidores dedicados que fizeram a franquia ser elevada à excelência ao longo dos anos. Não pode existir uma Xbox One sem um Halo 5: Guardians, como não poderia acontecer o inverso, e esse objectivo foi mais uma vez cumprido.

2015-11-30 (1)

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Categories Análises
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