Um novo mundo no horizonte

Nota: Antes de lerem o que se segue, este texto tem como base a minha experiência com o jogo em Madrid, já pude experimentar o jogo completo, mas isso é uma história para depois.

Jogar Horizon é uma experiência incrível!

Mas não uma experiência como VR, totalmente nova, e imersiva em termos tecnológicos, ou como The Order:1886 onde vivemos o jogo como filme numa experiência cinematográfica.

É algo mais.

No início de Fevereiro faltando ainda um mês para o lançamento oficial do jogo, tive a oportunidade de voltar a Madrid aos escritórios da Sony Iberia onde já antes tinha estado, na altura para experimentar em primeira mão Uncharted 4. Se na altura a experiência com esse jogo tinha sido incrível, nada me preparava para Horizon Zero Dawn.

Antes de falar sobre o que joguei, falar um pouco sobre o jogo em si. Horizon passa-se no planeta Terra, 100 anos após o fim da civilização como a conhecemos. O mundo é agora habitado de seres gigantes de metal, e chamo-lhes seres e não robôs porque parecem de facto seres vivos, com decisões e acções algo selvagens como se verdadeiros animais se tratassem. O jogo foi desenvolvido pela Guerrilla Games, e se são famosos pela serie Killzone, um shooter muito straight forward, mas com cenários incríveis, o que eles fizeram com Horizon foi mostrar que além do “túnel” dos shooters deles com ambientes fechados, existe um mundo além dessas paredes de túnel. E como é magnifico esse mundo.

A civilização terminou, mas o mundo não parou, os cenários verdejantes e naturais são de perder de vista, numa das melhores demonstrações até ao momento das capacidades da PS4 Pro. Mas quem tem uma PS4 normal irá também receber todo o tratamento de luxo ao nível de visual que o jogo promete. Os cenários são detalhados e sentem-se cheios de vida. Do que experimentei tudo o que a vista alcança, é possível lá chegar, é possível de explorar.

E algo que aprendi foi que mesmo aquilo que não se vê, foi pensado no ínfimo detalhe. Temos o caso dos “Cauldrons” que se encontram abaixo da terra e espalhados pelo mapa que não encontramos à primeira vista, mas existem enquanto cenário, nota-se claramente que todo o cuidado que a Guerrilla quis transmitir em todo o jogo.

Além dos detalhes no cenário todos os seres que os habitam tiveram um cuidado especial por parte da equipa de animação. Desde os pequenos seres vivos como coelhos ou javalis que se encontram ao longo do jogo, aos seres mecânicos gigantes como podem ver no nosso gameplay todos foram pensados ao ínfimo pormenor, fornecendo nos seres mais pequenos penas ou pelos que reagem com o movimento dos mesmos, a “músculos” mecânicos nos seres robóticos. Consegue-se ver que não são simples robôs e que tiveram cuidado em atribuir-lhes uma anatomia animal (Boston Dynamics, é este o caminho).

As personagens e as suas animações (apesar de nesta versão terem alguns frame skips) foram alvo de um trabalho de captação incrível, onde a cada cutscene podemos ver as reacções durante as conversas, quase como que uma leitura de sentimentos se tratasse. O mesmo se passa com as movimentações da nossa heroína Aloy, que entre a acção furtiva, escalada e montada, tudo foi pensado ao pormenor, incluindo as animações (algumas vezes estranhas) do seu longo cabelo ruivo (Merida és tu?)

Mas com isto podia esta a falar-vos de um filme, mas não, é mesmo um jogo, pude jogar cerca de 3 / 4 horas, e fiquei desde o inicio rendido ao mesmo.

É logo desde o inicio do jogo, desde a primeira cutscene uma experiência de crescimento, uma experiência sentimental, algo que a Sony (através das editoras com as quais tem trabalhado) tem sabido explorar nos últimos tempos através de jogos como The Last Of Us ou Uncharted.

A primeira parte do jogo normalmente associada a um tutorial, que nos ensina todas as teclas que teremos de usar ao longo de toda a aventura são aqui substituídos por uma historia de crescimento, em que acompanhamos a par e passo o crescimento da nossa personagem, a pequena Aloy, e enquanto ela aprende a sobreviver, nós aprendemos a jogar, numa experiência de ligação com as emoções da personagem.

Aprendemos até ao momento em que Aloy deixa de ser a pequena e uma desajeitada miúda, para ser uma jovem e experiente caçadora. Nesse momento somos chamados a um desafio maior que nós, que teremos de ultrapassar. A caçada aumentou e temos agora uma espécie de tigre dentes de sabre de metal para derrotar. Esta derradeira caçada termina o “tutorial” e estamos agora perante um mundo novo. Digo isto pois da primeira parte só me foi possível experimentar isto, sendo depois levado para umas partes mais a frente do jogo onde pude de facto experimentar o que tantas vezes me disse David Ford ao longo da manhã, este é um Action RPG.

A acção já a tinha visto com um sistema de combate a pé funcional, com as habilidades de arco e flecha, com a acção de uma caçada de uma fuga em caso de urgência mas não tinha de facto sentido a parte do RPG, talvez por estar embrenhado na historia e tutorial, mas de facto a barra de XP está lá, a subida de nível, a skill tree. tudo o que um RPG de seu nome nos promete está lá.

Mas perdoem-me os fãs de RPG, não foi isso que me chamou, foi o explorar este novo mundo, a liberdade da escolha do que fazer, a liberdade da caçada, da descoberta. Assim que pude a primeira coisa que fiz foi marcar áreas no mapa que me chamasse a atenção como ruínas e assim. Ao ver o mapa vi também que o mesmo está sob uma densa névoa que vai libertando conforme o explora-mos. E se quisermos acelerar esse processo de descoberta, bom é encontrar uma “girafa parabólica” trepar até a cabeça da mesma e aceder à sua base de dados ampliando assim largamente o nosso mapa e também os ícones de interesse do mesmo.

Esta mecânica de “override“, apesar de já explicada em diversos trailers, usar as maquinas em nosso benefício, como montada, ainda não a pude ver em toda a sua grandeza. Sim ok fiz “override” a uma espécie de cavalo, e a um gigante para me aproveitar do radar. Mas o que acontece ao fazer “override” a um Thunder Jaw? É um robô deve ser possível não? Ou a um dos pássaros robóticos? Já sabemos que não podemos voar neles, mas que mais podemos fazer? A verdade é que tive de ser arrancado da cadeira para desligarem a consola pois todo o tempo foi pouco para este jogo. Se já levava questões sobre o jogo, mais foram criadas.

Mas acima de tudo ficou uma que partilho com Aloy, uma simples, quero como ela saber mais sobre ela, sobre o seu passado, sobre o seu futuro. Sobre o seu mundo, sobre os seus habitantes. E é isto que faz um bom jogo. É querer jogar mais e mais.

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Comments (1)

  • sergio
    Fevereiro 16, 2017 at 9:13 am
    ansioso por jogar....

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