Um projecto para os amantes do desporto automóvel

Project CARS é o resultado de anos e anos a fio de um trabalho intenso não só da Slightly Mad Studios mas de toda uma comunidade que a apoiou (financeiramente e através de vários inputs).

É o pormenor mais importante do jogo, e não digo isto para o subvalorizar, mas foi através de crowfunding que o jogo começou a ganhar forma. Durante os 3 anos de produção reuniu cerca de 5 milhões de dólares com cerca de 85 mil jogadores a ajudarem no seu processo de desenvolvimento, facto que não passou despercebido à Bandai Namco Entertainment que tratou de rapidamente assegurar a sua distribuição.

Destaquemos agora o produto final. Project CARS é tudo aquilo que esperávamos, um jogo capaz de ombrear com Gran Turismo ou Forza Motorsport exclusivo das consolas da Sony e da Microsoft respectivamente, alargando os horizontes e trazendo competições que muitas vezes foram colocadas de parte por esses dois gigantes, nomeadamente os Karts, a fórmula 3000 ou  a Touring Car que já ansiávamos desde o mítico Toca Touring Car.

E comecemos exactamente pelo Modo Carreira, um dos três modos disponíveis, onde como referíamos podemos criar o nosso piloto e colocá-lo ao volante de qualquer carro de qualquer categoria que desejemos. De especial importância este factor, pois podemos saltar para a categoria que mais gostamos, no nosso casso, fomos directamente para os Touring Cars, até porque temos um fetiche com o mítico TOCA Touring Car e queríamos ver se Project CARS conseguia trazer de volta essa sensação.

Aos comandos de um Renault Mégane Sport fomos comer asfalto (e não só) e sentimo-nos realizados. Ao percorrer a pista de Donnington Park sentimos a precisão que este jogo exige, à boa maneira de um simulador, e quanto estávamos mergulhados na corrida. Não existem facilidades em Project CARS, é preciso treinar, é preciso afinar o carro à nossa condução, é preciso adaptar os controlos e a sua sensibilidade, é preciso muita concentração.

É claro que os fãs de jogos de corrida poderão achar pouco “arcade”, mas o jogo não quis ir nesse caminho claramente, e apesar de tentar chegar a um público mais alargado, não consegue disfarçar que é feito para amantes do desporto automóvel.

Também por isso a nossa análise demorou um pouco mais do que o expectável, não quisemos facilmente entrar em modo “rage” porque era difícil, deixámos o jogo respirar e voltámos várias vezes a ele e curiosamente sempre com o mesmo entusiasmo. Por vezes é preciso dar o tempo ao tempo aos jogos, por mais que uma “análise precise de sair”.

Project CARS torna-se ainda mais imersivo com a experência de o jogar com um volante, tivemos a oportunidade de o testar com o novo Thrustmaster T300 RS. Depois das calibrações normais, podemos dizer que não queremos outra coisa. Conduzir com a visão de dentro do carro e com um volante dá uma pica para jogar inesgotável. Através do force feedback e da capacidade de girar 1080º e é claro da tecnologia HallEfect AccuRate Technology do seu servomotor, que dá toda a sensação de estarmos a guiar um carro verdadeiro.

Voltando ao Modo Carreira, dizer ainda que não vão sentir qualquer tédio, vamos sendo convidados para provas internacionais onde seremos postos à prova em outras máquinas e em outras pistas sem termos que gerir o nosso dinheiro para desbloquear seja o que for. Alegremente vamos testando a nossa versatilidade e capacidade de “domarmos” o jogo. A quantidade de afinações possíveis é imensa e é notória na facilidade ou não que teremos em ganhar as corridas, até porque a Inteligência Artificial do jogo é bastante elevada e não é para brincadeira, aliás, como dizia, não é um jogo para “brincar” aos carros de corrida, é para competir e para ganhar!

Por isso mesmo o Modo Online é todo ele competição, e por isso mesmo a Slightly Mad Studios, não permite que vão para a pista a julgarem que é uma competição do Destruction Derby ou de carrinhos de choque, esses serão rapidamente distribuídos numa “sala” só para si, o que devemos dizer é óptimo. Como podem ver o Modo Online seja os trâmites do modo single player e é transportado para o online, sem lag, sem quebras, uma experiência muito satisfatória especialmente se nos fartamos facilmente de estarmos sozinhos no mundo das corridas.

Nessa ligação do jogo com o mundo real, a Slightly Mad Studios implementou uma dinâmica de eventos online, isto é, de acordo com as datas reais de eventos reais, vão surgindo competições no jogo baseados nesses eventos mesmo eventos, o que dá uma longevidade maior ao jogo e até nos obriga a acompanhar o desporto automóvel mais de perto.

Chegamos à questão gráfica, Project CARS deslumbrou desde o primeiro momento e enquanto outros falhavam redondamente no efeito dia e noite e em nos entregar um modo climatérico, o jogo da Slighty Mad Studios já mostrava versões beta, como aconteceu no Lisboa Games Week do ano passado, como era perfeito nestes dois campos. A versão final veio apenas comprovar isso mesmo, é um regalo para os olhos todos os pormenores que o jogo entrega. Desde o esvoaçar de folhar, as rachas no alcatrão, o pó a ser levantado nas pistas, as marcas das travagens e o fumo dos pneus a queimarem a borracha, até à destruição dos próprios carros, tudo foi trabalhado até ao mais ínfimo detalhe.

Project CARS não será um jogo de corridas massivo porque exige muito ao jogador/condutor, mas é um excelente jogo para os mais exigentes. Do detalhe gráfico, às pistas que inclui, do modo carreira ao modo online, das inúmeras afinações ao pormenor de todos os carros incluídos, vemos efectivamente um trabalho profundo, baseado na sua comunidade e para a sua comunidade. Ninguém pode ficar indiferente a este jogo, muito menos os seus rivais. recomendas-project-cars

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