Um salto fora do seu tempo

Quanto tempo, o tempo tem?! Uma pergunta sem resposta ou com tantas quanto é possível imaginar. Talvez por isso seja sempre tão entusiasmante quando o jogo aborda esse tema, não só pelo cariz sci-fi, mas pelas questões morais que geralmente implica. Se pensarmos na trilogia “Regresso ao Futuro” ou a séries como “Quantum Leap” ou “Fringe“, pensamos sempre em filmes e séries icónicas que marcaram o seu tempo e até o seu futuro, reparemos que ainda hoje falamos do skate que flutuava que hoje é uma realidade com o hooverboard ou os ténis que se apertavam sozinhos que a Nike acabou por conceber.

Quantum Break Cemetery Trailer Bullet Words

Quantum Break, o exclusivo da Microsoft utilizou como “catch phrase” – Time Is Power– e com toda a razão, é essa problemática que nos vai ser recordada e abordada ao longo de todo o jogo. Basicamente e tentando não “spoilar”, encarnamos a pele de Jack Joyce que se vê envolvido numa trama que envolve um amigo seu e o seu irmão, eles que inventaram uma máquina do tempo. No entanto quando se altera os factos nas diferentes timelines, altera-se o curso da história e até da Humanidade. Na tentativa de salvar o Mundo do fim do tempo, de ficar congelado eternamente no tempo, Jack Joyce vai ter que recuar no tempo e tentar alterar o curso de todos os eventos passados. Mas tudo tem o preço, e por mais que se tente mudar o tempo, o rumo das coisas, não se pode fugir ao destino…

É esta trama que nos envolve durante todo o jogo, que nos vai levar a tentar perceber o envolvimento de todas as personagens, dos seus segredos, das suas interacções e relações e até à escolha interactiva do rumo que queremos dar à nossa história, isto é, vamos ter alturas em que vamos ter que escolher entre dois caminhos na narrativa e tudo isso vai alterar a forma como percorrem o jogo nos actos e episódios seguintes.

Falei de actos e episódios e não estranhem essa definição, porque é mesmo assim que o jogo se desenrola. Teremos os actos, tal como numa peça de teatro, fases onde vamos jogar com a nossa personagem, actos esses divididos em partes, e no final de cada acto teremos um episódio. E quando digo um episódio, é mesmo um episódio, vamos assistir a um vídeo, com nunca menos de 30 minutos, onde vamos ver o desenrolar dos nossos actos, não só em relação às personagens centrais mas como às secundárias. Estes episódios podem ser descarregadas na sua totalidade, consumindo cerca de 75 GB ou podem ver em formato streaming. O que interessa saber é que na verdade podem ver o jogo como uma série, isto é, podem jogar um acto, ver um episódio e deixar o próximo para amanhã.

Mas atenção não julguem que pelo facto de ser uma história inteactiva, ou uma aventura cinematográfica, se preferirem, que a acção será pouca. Vão ter zonas para explorar, objectos escondidos para desvendarem a narrativa, pontos de habilidade para adquirirem e muitos inimigos para alvejar. Talvez demasiados até, mas já lá vamos…

Falemos então das mecânicas utilizadas, neste “third person action adventure”, como o nome indica, vamos jogar na terceira pessoa, adquirindo habilidades pelo caminho. A nossa personagem consegue parar o tempo enviando uma espécie de onda sónica que para os adversários, onde os podemos carregar balas e depois ele levá-las com todas ao mesmo tempo, podemos mandar uma espécie de onda de choque, podemos ainda movermo-nos no tempo, como se fosse um dash em que o tempo pára e aparecemos mais à frente, e podemos ainda parar efectivamente o tempo e movermo-nos livremente e aparecer por exemplo nas costas de um inimigo ou derrubá-lo apenas com um golpe. Para além desta habilidades poderemos carregar 3 tipos de armas, uma pistola com balas infinitas, metralhadoras de vários tipos de regime leve e metralhadoras pesadas ou caçadeiras. É preciso ter calma no uso das munições porque acabam e nem sempre há como adquirir mais balas, gerir o uso das balas com as habilidades é algo que vos é muito útil ao longo do jogo. De referir ainda que a nossa personagem faz auto-cover, não existe nenhum botão, mas sentimos falta de um botão para rebolar ou algo parecido, pois apenas podemos saltar. No entanto todas as movimentações são super fluídas, os efeitos de parar o tempo são incríveis e dá uma jogabilidade muito diferente do que tínhamos visto até aqui, e graficamente está um espanto!

Por isso mesmo passemos se calhar à componente gráfica do jogo, a correr a 720p com 30fps, a ideia da Remedy foi não se comprometer a tentar os 1080p a 60fps devido ao hardware da própria consola, a versão PC deverá estar bastante superior à versão da Xbox One, mas na verdade isso não afecta a maneira como vemos o jogo. Isto porque Quantum Break é extremamente impressionante da forma como graficamente é apresentado, vamos ter várias áreas paradas no tempo, mas que devido à fractura no espaço/tempo mexem-se sozinhas, e em várias partes do jogo isso é realmente impressionante. Tal como é também todos os efeitos das habilidades que Jack Joyce utiliza, a dinâmica e fluidez por mais caótica que esteja a zona, graficamente nunca soluça ou se sente que está a “morrer” para se aguentar. A representação dos actores está incrível, assim como a forma como se mexem e interagem com os objectos, no entanto não podemos deixar de apontar que os inimigos abatidos ficam sacos de papel, isto é, deixam de ter peso, parecem sacos de podemos pontapear pelas áreas a limpar o chão.

Falando no elenco deste jogo, temos de referir alguns dos nomes, bem conhecidos de todos nós, nomes como Shawn Ashmore é Jack Joyce, Dominic Monaghan o seu irmão William Joyce, Aidan Gillen faz de Paul Serene, Lance Reddick de Martin Hatch ou Marshall Allman como Charlie Wincott. Actores esses, como já referi interpretam não só a acção do jogo, mas também os episódios que vemos entre os actos.

Quantum Break vive da sua narrativa, altamente complexa e desafiante, com a questão de manusear o tempo mas não o destino que nos assola sempre e que nos preocupa até ao final do jogo. É a narrativa que nos continua e continua a desafiar para continuarmos e desbravarmos mais uma onda de inimigos. Mas atenção, o facto de já no final as ondas serem sucessivas, faz-nos sentir o factor repetição, isto porque, na nossa opinião, como a quantidade de habilidades adquiridas pára a 2/3 do jogo, e como também a diversidade dos inimigos que enfrentamos é pouca, chega a um ponto que se pode tornar “cansativo”.

A verdade é que através desta construção de narrativa interactiva e com episódios pelo meio, Quantum Break pode ter “revolucionado” a visão que temos dos videojogos. Claramente sentimos que a ideia da Microsoft e da Remedy é continuar a produzir conteúdos para o jogo, seja através de gameplay, isto é, de actos para o jogo, como mais episódios para vermos. Há até o rumor de que uma série já está a ser produzida, resta saber como poderá interagir com o jogo. Eu que sou um pouco lunático, pensei que os episódios poderiam ir para o ar uma vez por semana ou de duas em duas semanas, e teríamos que jogar o acto referente a esse episódio e depois escolher o caminho da série propriamente dito, perante o número de jogadores que maioritariamente teriam escolhido esse caminho. Pode parecer descabido, mas não sem algum fundamento, isto porque quando fazemos uma escolha durante o jogo temos logo a seguir a indicação da percentagem de pessoas que escolheram o mesmo caminho, ou não. Seja como for o futuro, Quantum Break deixou-me com aquela sensação de “ficar cheio”, tive prazer a jogá-lo, a ver os episódios e a acabá-lo e isso, voltando atrás no tempo ou não, é o que interessa.

2016-04-01

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Categories Análises
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